"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016


Conversão de São João de Deus

«…No dia do bem-aventurado mártir São Sebastião, fazia-se, na cidade de Granada, uma festa solene na ermida dos Mártires,… e sucedeu ir lá pregar um homem famoso, mestre em teologia, chamado o mestre Ávila, luz e esplendor de santidade… Com viva argumentação, o santo varão exaltava o prémio que o Senhor oferecera ao seu santo Mártir, por ter padecido por seu amor tantos tormentos, e daqui tirava a conclusão, do que devia fazer o cristão para servir o seu Senhor, não O ofendendo, e até a padecer mil mortes em troca de tão grande recompensa. João de Deus, ajudado com a graça do Senhor que deu vida àquelas palavras, de tal modo as gravou na sua alma e foram nele tão eficazes, que logo mostraram a sua força e o seu poder. Com efeito, terminado o sermão, saiu dali como que fora de si, suplicando, em alta voz, a misericórdia de Deus…, saltando e correndo… até chegar à sua morada…Pegou nos livros que tinha; e os que tratavam de cavalaria e coisas profanas, rasgou-os… e os que eram da vida de Santos… dava-os a quem lhos pedisse por amor de Deus… E, assim, nu, descalço e com a cabeça descoberta, voltou, gritando, pelas ruas principais de Granada… Deste modo, andou João, pedindo misericórdia ao Senhor… Sendo visto por algumas pessoas de respeito…, estas levaram-no ao padre Ávila… que, depois de o ter confortado, o aconselhou dizendo: “…Ide em paz com a bênção do Senhor e a minha. Eu confio no Senhor, que não vos será negada a sua misericórdia”. …Internado como louco no Hospital Real, trataram-no com a terapia então utilizada. Esta experiência, ajudou-o a amadurecer a sua vocação, que expressou com estas palavras: “Jesus Cristo me dê tempo e me conceda a graça de eu ter um hospital, onde possa acolher os pobres desamparados e os doentes, para servi-los como eu desejo”». (cf. Francisco de Castro, “História da vida e obras de João de Deus”, capítulos VII. VIII. IX).

A experiência da misericórdia do Pai transformou João de Deus. A memória que hoje celebramos, estimule os Irmãos da Ordem a recordar o dom da própria vocação e a manter a atitude de conversão que quotidianamente se requer, para tornar eficaz a nova hospitalidade.

Página Web da Ordine Ospedaliero di San Giovanni di Dio

terça-feira, 21 de abril de 2015

Biografia ilustrada de Santa Beatriz
Com design de capa e ilustrações de Zé Maria Souto Moura e texto das Monjas do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, a LUCERNA acaba de lançar, neste mês de Abril, a biografia ilustrada para crianças, de Santa Beatriz da Silva, com o sugestivo título "A FORÇA ESCONDIDA DE SANTA BEATRIZ DA SILVA".
Pode adquiri-lo fazendo a sua encomenda
a:
http://principia.pt/marcas/lucerna.HTML
ou
Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior (268686615).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O Terceiro livro de José Félix Duque, sobre a portuguesa Santa Beatriz da Silva (c. 1436 - 1491), fundadora da Ordem da Imaculada Conceição em Castela, será apr...esentado no próximo dia 12 de Fevereiro, em Toledo. Editado pela Cosmorama Edições, em língua castelhana, com Prefácio de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Dom José Alves, Arcebispo de Évora.
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

«ME LLAMARON BEATRIZ»
Este é o título de uma breve biografía  de Santa Beatriz da Silva que acaba de sair à luz há poucos dias escrita por  Frei José García Santos OFM, a viver actualmente na fraternidade de El Palancar (Cáceres).
O relato, escrito em forma autobiográfica, segundo o autor  “ajusta-se escrupulosamente” a dois textos: a Nota autobiográfica de Juana de San Miguel (1512) y Dona Beatriz da Silva (2008) de José Felix Duque.
A obra foi terminada em 2011,  foi editada em fins de 2013 pela Mosteiro Concepcionista de Villanueva de la Serena (Badajoz). Apresenta-se em formato de bolso e tem aproximadamente 60 páginas.
Pode ser adquirida no Mosteiro de Villanueva (Tel: 924 84 98) ou de Cuenca (Tel: 969 21 32 21).

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Imagem de Santa Beatriz da Silva que irá ser benzida solenemente e entronizada em peanha própria no próximo dia 22 de Dezembro às 12 horas na igreja do Senhor da Boa Fé em Elvas, será a primeira imagem desta Santa Alentejana natural de Campo Maior a ser venerada numa igreja de Elvas.
A imagem foi executada pela empresa Arte Sacra de Fânzeres, em Gondomar, ficou excelente, parabéns aos artistas.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PRINCÍPIA Editora Ldª 
 publica as Actas do Congresso Internacional 
dos 500 anos da Regra da OIC
No passado domingo, dia 1 de Setembro, foi apresentado no Centro Cultural de Campo Maior o livro “Santa Beatriz da Silva - Uma Estrela para Novos Rumos”, com as actas do Congresso Internacional comemorativo dos 500 anos da aprovação da Regra dada pelo Papa Júlio II à Ordem da Imaculada Conceição, realizado em Fátima de 14 a 16 de Outubro de 2011, com coordenação de D. José Francisco Sanches Alves (arcebispo de Évora) e de José Eduardo Franco.

As actas publicadas pela PRINCÍPIA Editora Ldª, conta 646 páginas.

O Livro pode ser adquirido no Mosteiro Concepcionista ou na Casa-Museu de Santa Beatriz em Campo Maior, na PRINCÍPIA Editora Ldª ou nas livrarias por todo o país.


quinta-feira, 11 de julho de 2013







Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
mais perto da Beatificação
A Igreja, pela voz do Papa Francisco, no passado dia 5 de Julho, reconheceu a heroicidade das virtudes da Serva de Deus, Maria Isabel da SS.ma Trindade, Fundadora da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, atribuindo-lhe o título de Venerável.
O amor a Deus e o amor ao próximo foi a dupla chama que ardeu no coração de Maria Isabel, e que fez dela uma perfeita imitadora de Cristo pobre e uma autêntica serva dos pobres.
Nasceu a 1 de Fevereiro de 1889, na freguesia de Santa Eulália – Elvas, Arquidiocese de Évora, numa família cristã, onde abundavam também, os bens materiais.
Foi-lhe dada uma educação esmerada. Casou aos 23 anos de idade e foi muito feliz com o marido. Em espírito de fé enfrentou a difícil prova da doença que o levou à morte ao fim de dez anos. Viúva, não perdeu o ânimo, mas continuou e intensificou o seu apostolado, sobretudo na catequese e no serviço aos pobres, na sua terra natal, Santa Eulália. Sentindo o apelo de Deus para uma entrega total na vida Religiosa, deixa os caminhos do prestígio e do poder, próprios da sua condição social e faz-se pobre para privilegiar os pobres. Em 1936 vai para Elvas, para tomar conta de uma Casa de Retiros. O contacto directo com os pobres, que nessa época proliferavam na cidade e arredores, estimulou o seu espírito de caridade. Impelida pelo amor a Deus e ao próximo, entrega-se sem medo. Dá a vida e os bens. Funda a Congregação, que, a pouco e pouco começa a estender-se a outras dioceses, e mais tarde a outras nações e continentes.
Venerando Maria, no mistério da Imaculada Conceição, Madre Isabel segue os seus passos, tomando-A como modelo. Entre outras virtudes, no seu itinerário de santidade, emergem a humildade e a pobreza. Deus é a riqueza dos humildes. Ele escolhe o que é fraco perante o mundo, para confundir os fortes (1Cor 1,27). Exalta-os, e faz neles maravilhas (Lc 1,48-49). Sentiu-se um instrumento humilde e pobre de que Deus se serviu. Escreve: Reconheço-me miserável, apesar de tudo, Deus serviu-se de mim para que se veja a Sua obra. Ele sempre utiliza instrumentos desproporcionados. Porque humilde, escolheu sempre o último lugar e perseverou no meio das dificuldades, sofrimentos e indecisões para consolidar a sua Obra, que veio a ser aprovada por Pio XII, a 5 de Julho de 1955.
Madre Maria Isabel da SS.ma Trindade faleceu a 3 de Julho de 1962, em Elvas. Passou pela vida fazendo o bem. Não se fechou em si mesma, nem se acomodou a uma existência fácil. Rasgou horizontes e pôs a render os talentos naquilo que julgava ser a vontade de Deus. Pode ser apresentada como modelo de virtude.
Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


"Urge renunciar a tudo, para encontrar a Deus...
fugir de tudo o que não seja conforme à vontade de Deus...
fugir de todo o aplauso, viver escondida em Deus".
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
"«Lembrai-Vos sempre» escritos - carisma - espiritualidade",
Editorial Franciscana, Braga, 1995, pg 79 (P 117[126]).

sábado, 19 de janeiro de 2013

 
 
 
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira. Tendo-se alimentado com o Pão dos Anjos, permitiu que a Graça lhe plantasse no coração uma “gostosa fome” que a levou a dar-se e gastar-se por inteiro aos serviço dos mais pobres dos pobres, reconhecendo neles o rosto de Deus e sendo junto deles presença maternal da “Toda Pura”.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

 
Missa de acção de graças
por D. Manuel Mendes da Conceição Santos
No próximo dia 13 recordamos mais um aniversário do nascimento do Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos. Nascido em Olaia em 1876, foi Arcebispo de Évora durante 34 anos. Vendo-se sem Seminários e quase sem Sacerdotes, por eles se ofereceu ao Coração de Cristo, em Acto de Oblação. O Senhor quis recompensar a fé e a confiança deste seu servo e, assim, no fim da vida, pôde ver a Diocese renovada.
Para que as bênçãos do Céu continuem a descer, a Vice-Postulação da Canonização do Servo de Deus manda celebrar, na Sé de Évora, às 11 horas, do dia 13 de Dezembro, uma Missa de petição e acção de graças, agradecendo, desde já, a todos os que nela quiserem participar.
O ofertório será destinado às despesas da Postulação.

sábado, 17 de novembro de 2012

RTP 2 emite este sábado documentário
sobre Santa Beatriz da Silva
Neste sábado, dia 17 de Novembro, no canal 2 da RTP, pelas 19h30, será emitido o episódio sobre Santa Beatriz da Silva da série "Santos de Portugal".
O Arcebispo de Évora, D. José Alves, foi um dos entrevistados para este episódio sobre a Santa portuguesa, que fundou a Ordem da Imaculada Conceição.
Actualmente, na Arquidiocese de Évora, existe um Mosteiro de clausura da Ordem da Imaculada Conceição, em Campo Maior, terra natal da fundadora.
Para mais informações pode consultar: http://www.rtp.pt/programa/tv/p29437

quinta-feira, 18 de outubro de 2012


Pequeno painel de azuleijos,
representando São João de Deus,
na frontaria de uma casa,
na Rua António Joaquim da Guerra,
em Borba.
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Pintura timorense da
Serva de Deus
madre Maria Isabel (Picão Caldeira) da Santíssima Trindade
(Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

 
"... seja uma (um) obreira (o) muito humilde e muito apagada (o), mas muito fiel. E seja nada, para que o Rei do Amor seja tudo e faça grandes conquistas".
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Arcebispo de Évora
in «Coragem e Confiança!», pg 10

terça-feira, 3 de julho de 2012



50º aniversário da morte de
Madre Maria Isabel:
Uma vida inteira dedicada a Deus e ao seu semelhante
A 3 de Julho de 1962, desaparecia do convívio humano uma grande figura de Mulher, uma alma que soube compreender o mistério sublime da Caridade… exemplo raro de virtudes cristãs, com uma vida inteira dedicada ao seu semelhante. Era assim que se expressava, há cinquenta anos, um semanário de Elvas, referindo-se à Serva de Deus, Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade, fundadora da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres.
Deus colocou no coração desta “Mulher” uma grande riqueza que ela soube acolher e repartir. Arriscou perder a vida para a poder ganhar, dando-se toda a Deus e aos irmãos, privilegiando os mais pobres. Despojada de tudo encontrou o seu Tesouro. Nela se concretizou a palavra do Evangelho: Aquele que conservar a vida, há-de perdê-la; aquele que a perder há-de ganhá-la (Mc 10, 39).
Madre Maria Isabel foi o grão de trigo lançado à terra, que germinou e deu fruto. Ao celebrarmos este acontecimento, cinquentenário da sua morte, queremos, louvar e bendizer a Deus por este dom, oferecido ao mundo e à Igreja.
Segue o PROGRAMA para todos quantos puderem e quiserem associar-se a esta celebração:
Dia 03 de Julho às 19,00h - Missa de acção de graças no Convento da Imaculada Conceição - Elvas;
Dia 06 de Julho às 21,00h - Vigília de oração no Convento da Imaculada Conceição;
Dia 07 de Julho das 09,00h às 12,30h, visita ao quarto onde faleceu Madre Isabel e ao túmulo, no Convento da Imaculada Conceição – Elvas;
Dia 07 de Julho às 16,00h - Missa na antiga Sé de Elvas, presidida pelo Arcebispo de Évora, D. José Francisco Sanches Alves.

terça-feira, 20 de março de 2012

20 de Março de 2012
100 anos do casamento de
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
com o seu primo João Pires Carneiro
na Igreja de Santa Eulália
Um lar cristão que se forma é um ponto luminoso sobre a terra,
há-de proclamar a Cristo.
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santissima Trindade
"Foi com intensa satisfação que aquela família acolheu esse noivado auspicioso, acontecido nos acordes da «Valsa da Meia-Noite» no clube de Elvas. Ele chamava-se João Pires Carneiro, primo ainda que afastado dos Picão-Caldeira, herdeiro do Monte São Domingos que ficava a 8 km do Monte de Pena Clara. Era um homem de 26 anos, delicado e belo, esmeradamente educado.
Se fosse um conto de fadas, o enlace seria inevitável e eternamente feliz. Foi quase assim.
A linda e bondosa Menina encontrou a sua alma gémea, o príncipe encantado dos seus sonhos, o rapaz de olhos claros e maneiras agradáveis.
Os nupciais foram anunciados, e após um breve noivado, eles casaram na Igreja Paroquial de Santa Eulália, em 20 de Março de 1912.
As bodas foram celebradas sob ramadas brancas de amendoeiras recém floridas. As carruagens belamente aparelhadas, seguiram por entre giestas em flor, no ar que cheirava a mel, bordejando os verdes trigais.
A festa durou três dias e três noites, como era costume na região. As amplas cozinhas não paravam e enormes vitualhas de carne eram assadas em espetos, por sobre lumes altos.
Ao entardecer do terceiro dia, os noivos dirigiram-se para o novo lar, no Monte de São Domingos, recentemente pintado de branco, com rodapé e ombreiras em azul-anilado, um casarão que a lenda dizia ter pertencido aos Templários, talvez."
FRANCISCA FERNANDES, "Uma nascente na planura", Edição das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, Elvas, 1988, pgs 33-34.

quinta-feira, 15 de março de 2012

"A Eucaristia, Sacramento Augusto,
em que o Deus vivo se encontra no meio de nós,
é chamada por excelência, o mistério da fé,
e é também a expressão suprema da caridade
de um Deus, que se imola por nós
e neste Sacramento nos irmana
pela participação da sua mesma vida"
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
"Antologia de Pensamentos", pg. 71.

quinta-feira, 8 de março de 2012

3.ª CARTA de São João de Deus
À DUQUESA DE SESA
Endereço
98. Esta carta seja entregue à humilde e generosa senhora dona Maria de los Cobos y Mendoza, mulher do nobre e virtuoso senhor dom Gonçalo Fernández de Córdoba, Duque de Sesa, meus irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo.
99. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora, a Virgem Maria sempre intacta. Deus antes e acima de todas as coisas do mundo. Amém Jesus.
Deus vos salve, minha irmã em Jesus Cristo, boa Duquesa de Sesa, a vós, a toda a vossa companhia e a quantos Deus quiser e for servido. Amém Jesus.
100. A grande estima em que sempre vos tenho tido, a vós e ao vosso humilde marido, o bom Duque, faz com que vos não possa esquecer, pelo muito que vos devo e vos sou obrigado, por sempre me terdes ajudado e socorrido nos meus trabalhos e necessidade com a vossa bendita esmola e caridade, para sustentar e vestir os pobres desta casa de Deus e muitos de fora. Muito bem o tendes feito sempre, como bons defensores e cavaleiros de Jesus Cristo. É essa a razão que me leva a escrever-vos esta carta, boa Duquesa, pois não sei se vos tomarei mais a ver ou a falar. Jesus Cristo vos veja e fale convosco.
101. É tão grande a dor que me causa este meu mal, que não posso fazer sair as palavras nem sei se poderei acabar de vos escrever esta carta.
Muito gostaria de vos ver; por isso, rogai a Jesus Cristo para que, se Ele for servido, me dê a saúde que sabe ser-me necessária para me salvar e para fazer penitência dos meus pecados (Ap. 2, 21).
Se Ele for servido dar-me saúde, logo que esteja bom quero ir ter convosco e levar-vos as meninas que me mandastes pedir.
Minha irmã em Jesus Cristo, pensei ir a vossa casa pelo Natal, mas Jesus Cristo dispôs muito melhor do que eu merecia.
102. Oh, boa Duquesa! Jesus Cristo vos pague no Céu a esmola e santa caridade que sempre me tendes feito e vos traga com saúde o bom Duque, vosso muito generoso e humilde marido, e vos dê filhos de bênção; espero em Jesus Cristo que sim, que vo-los dará. Recordai-vos bem do que um dia vos disse em Cabra: tende esperança só em Jesus Cristo (Flp 3, 3; Imit L3 59, 1-3), que por Ele sereis consolada, mesmo que agora passeis trabalhos; porque, no fim, hão-de contribuir para maior consolação e glória vossa, se os sofrerdes por Jesus Cristo (Sab 3, 4-9; Tgo 1, 12).
103. Oh, bom Duque! Oh, boa Duquesa! Abençoados sejais por Deus, vós e toda a vossa geração. Já que vos não posso ver, daqui vos deito a minha bênção, ainda que indigno pecador.
Deus, que vos fez e vos criou, vos conceda a graça de vos salvardes Amém Jesus.
A bênção de Deus Pai, o amor do Filho e a graça do Espírito Santo estejam sempre convosco (2 Cor 13, 13), com todos e comigo. Amem Jesus.
Por Jesus Cristo sereis consolados e socorridos, pois por Jesus Cristo me ajudastes e socorrestes, minha irmã em Jesus Cristo, boa e humilde Duquesa.
104. Se Jesus Cristo for servido levar-me desta vida presente, deixo aqui disposto que, quando chegar o meu companheiro Angulo, que foi à Corte - o qual vos recomendo, pois fica muito pobre, ele e sua mulher -, vos leve as minhas armas, que são três letras de fio de ouro sobre cetim vermelho. Tenho-as guardadas desde que entrei em guerra com o mundo. Guardai-as muito bem com esta cruz, para as dardes ao bom Duque, quando Deus o trouxer com saúde.
105. As letras estão em cetim vermelho, para que sempre tenhais em vossa memória o precioso sangue que Nosso Senhor Jesus Cristo derramou por todo o género humano e a sua sacratíssima Paixão, pois não há mais alta contemplação do que a da Paixão de Jesus Cristo. Quem quer que dela for devoto não se perderá, com a ajuda de Jesus Cristo.
106. São três as letras, porque três são as virtudes que nos encaminham para o Céu: a primeira é a Fé, (pela qual) acreditamos em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja, guardamos os seus mandamentos e os pomos por obra; a segunda é a Caridade, (pela qual procuramos) ter caridade, primeiro com as nossas almas, purificando-as com a confissão e a penitência, depois com os nossos próximos e irmãos, querendo para eles o que queremos para nós (Mt 19, 19; Mc 12, 31); a terceira é a Esperança, só em Jesus Cristo, o qual, em troca dos trabalhos e sofrimentos que por seu amor passarmos nesta vida miserável, nos dará a glória eterna, pelos méritos da sua sagrada Paixão e por sua misericórdia.
107. As letras são de ouro porque, assim como o ouro é um metal muito precioso e, para brilhar e ter a cor que o torna apreciado, é separado da terra e das escórias em que é encontrado, e depois purificado pelo fogo para ficar limpo e puro, assim convém que a alma, que é uma jóia muito preciosa: seja separada dos prazeres e devassidões da terra, fique só com Jesus Cristo e depois seja purificada no fogo da caridade, com trabalhos, jejuns, disciplinas e áspera penitência, para ser apreciada por Jesus Cristo e resplandecer na adorável presença Divina.
108. Tem este pano quatro ângulos, que são as quatro virtudes que acompanham as três de que falámos antes e são estas: a Prudência, a Justiça, a Temperança e a Fortaleza.
A Prudência mostra-nos quão discreta e sabiamente devemos proceder em todas as coisas que tivermos de fazer e pensar, tomando conselho com os mais velhos e que mais sabem (Ecli 2, 1-5; Sab 3, 5-6).
A Justiça quer dizer ser recto e dar a cada um o que é seu: dar a Deus o que é de Deus e ao mundo o que é do mundo (Mt 22, 21; Mc 12, 17; Lc 20, 25).
A Temperança ensina-nos a tomar com moderação e sobriedade o comer, o beber, o vestir e todas as demais coisas que são necessárias para os cuidados do corpo humano.
A Fortaleza manda-nos que sejamos fortes e constantes no serviço de Deus (1 Cor 16, 13), mostrando cara alegre tanto nos trabalhos, fadigas e enfermidades, como na prosperidade e bem-estar, e por uns e por outros dar graças a Jesus Cristo (1 Tes 5, 16-18).
109. Na outra face deste pano há uma cruz em forma de X, que deve levar todo aquele que deseja salvar-se (Mt 16, 24; Lc 9, 23), cada um como Deus for servido e lhe der graça.
Embora todos apontem ao mesmo alvo (1 Cor 9, 24-27), deve cada um seguir o seu rumo, conforme Deus o encaminhar: uns serão frades, outros clérigos, outros ermitães e outros casados, pois em qualquer estado pode cada um salvar-se, se quiser (Ecli 33, 11-14; Is 48, 17; Jer 7, 23).
Tudo isto, boa Duquesa, o sabeis vós muito melhor do que eu, e é por isso que gosto de falar com quem me entende.
110. Três coisas devemos a Deus: amor, serviço e reverência. Amor, para que, como a Pai celeste, O amemos sobre todas as coisas do mundo (Deut 6, 4-5; Mt 22, 37; Lc 10, 27). Serviço, para que O sirvamos como Senhor (Deut 6, 13), não pelo interesse da glória que Ele há-de dar aos que O servirem, mas unicamente pela sua bondade. Reverência, como Criador, não trazendo o seu santo nome na boca senão para Lhe dar graças e bendizer o seu santo nome (Deut 5, 11).
111. Em três coisas, boa Duquesa, haveis de empregar o tempo de cada dia: na oração, no trabalho e no sustento do corpo.
Na oração, dando graças a Jesus Cristo, logo que vos levanteis de manhã, pelos benefícios e mercês que sempre vos faz, por vos ter criado à sua imagem e semelhança e nos ter concedido a graça de sermos cristãos; pedindo misericórdia a Jesus Cristo paraque nos perdoe, e rogando a Deus por todos (1 Tim 2, 1-5; Tgo 5, 16)
.
No trabalho, exercendo uma actividade física, ocupando-nos em algum serviço honesto, para merecermos o que comemos, a exemplo de Jesus Cristo que trabalhou até à morte, pois não há nada que engendre mais pecados do que a ociosidade (Ecli 33, 28-30; Ez 16, 49; 2 Tes 3, 11-13).
No sustento do corpo, pois, assim como um almocreve trata e mantém um animal para se servir dele, assim convém que demos ao nosso corpo o que lhe é necessário, para que, por meio dele, tenhamos forças para servir a Jesus Cristo (Mt 10, 10; 1 Cor 10, 31).
112. Minha irmã muito amada e muito querida, por amor de Jesus Cristo vos rogo que tenhais na memória três coisas, que são estas: a hora da morte, à qual ninguém pode escapar, as penas do Inferno e a glória da bemaventurança do Paraíso.
Sobre a primeira, pensar como a morte destrói e acaba com tudo o que este miserável mundo nos dá, não nos deixando levar connosco senão um pedaço de pano roto e mal cosido (Tim 6, 7).
Sobre a segunda, pensar como, por tão breves prazeres e divertimentos, que rapidamente passam, temos de os ir pagar, se morrermos em pecado mortal, ao fogo do Inferno que nunca mais tem fim.
Sobre a terceira, considerar a glória e bem-aventurança que Jesus Cristo tem reservada para aqueles que O servem, as quais nunca olhos viram nem ouvidos ouviram nem o coração pôde imaginar (1 Cor 2, 9; 2 Tim 4, 7-8).
113. Por isso, minha irmã em Jesus Cristo, esforcemo-nos todos desde já por amor de Jesus Cristo e não nos deixemos vencer pelos nossos inimigos (1 Jo 2, 15), mundo, demónio e carne. Sobretudo, minha irmã, tende sempre caridade, pois ela é a mãe de todas as virtudes (1 Cor 16, 14; Col 3, 14; 1 Pd 4, 8).
114. Minha irmã em Jesus Cristo, muito me aflige esta dor e não me deixa escrever; quero descansar um pouco, porque desejo escrever-vos longamente, pois não sei se nos tomaremos a ver.
Jesus Cristo esteja convosco e com toda a vossa companhia, etc. (Esta frase ficou incompleta. Parece que faltaram de todo as forças ao Santo para continuar.
Tudo indica terem sido as últimas palavras que ele escreveu (ditou?)
)

Nota - Não existe o original desta carta, mas a cópia que dela se fez para o exame dos escritos de São João de Deus, em ordem ao processo de beatificação, está no Arquivo da Ordem, na Cúria Geral, Ilha Tiberina - Roma.
(Fonte: Página Web dos Irmãos de São João de Deus em Portugal)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

QUARESMA...
"Fala-me Vª Exª da Quaresma e diz-me que a quer santificar, e fala-me até das mortificações que pode fazer. Tem razão, a Quaresma é tempo de penitência, e na hora que passa bem necessária é a penitência para reparar tantos desmandos que por aí vão. Há porém a ter em conta a sua saúde pouco resistente e a sua vida trabalhosa, e por isso a observância do jejum não lhe é imposta a rigor: visto que já experimentou que às sextas-feiras o jejum não lhe causa grande abalo pode continuar; mas, se vir que a sua saúde se resente, nem mesmo esse jejum deve fazer. Há porém outras mortificações que não lhe são vedadas: por exemplo abster-se de doces, suportar a sede por algum tempo, deixar uma iguaria mais agradável por outra menos agradável, e outra coisa semelhante. Para Vª Exª é grande penitência a série de contra-tempos por que vem passando: procure suportá-los com os olhos em Deus, perdoando a quem a faz sofrer, e com isso terá santificado bem a sua Quaresma."
(Março de 1944)
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos,
Arcebispo de Évora,
in "Coragem e Confiança", pg. 71