"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Com Amor Eterno eu te Amei...
Toda a razão de ser da minha vida está nestas palavras. Existo, vivo, porque um pensamento divino e pensamento de amor, se fixou em mim desde toda a eternidade. Deus não muda e o mesmo pensamento de amor continua a envolver-me. Como isto me confunde, mas ao mesmo tempo como isto me excita a amar quem tanto me ama, a mim, que sou um átomo vil perdido na imensidade!
Mas eu era ainda menos do que isto, era nada, e já era amado. Portentoso mistério que me revela a minha dignidade, toda resultante da misericórdia infinita do meu Deus que se curva até ao nada. E não parece que ignoro eu este amor tão misericordioso?
Meu Deus, quero acordar!
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
(Retiro Anual de 1928 - dia 13 de Setembro - 1ª Meditação)
Hoje cumprem-se 136 anos do nascimento
do Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008



"Consumi-me de zelo
em defesa da honra
da minha Mãe Imaculada
e Ela livrou-me
de todas as tribulações".

frase atribuída a
Santa Beatriz da Silva
Imaculada Conceição
Dia 8 de Dezembro da Imaculada Conceição; Aquela que por especial privilégio foi, desde o primeiro instante da sua existência concebida e livre da culpa original, tomando-se a única bela e pura. Este júbilo, porém, não deve ficar apenas em arroubos de entusiasmo. Seria uma coisa estéril. Sabemos que as graças a serem recebidas estão em proporção de quem as recebe.
Este dia é nosso. E porque não? Não foi a nós Religiosas da Imaculada Conceição que Maria ordenou proclamar o privilégio da sua Conceição sem mancha antes de ser definido como dogma, quando disse à Beata Beatriz da Silva: «Quero que fundes uma Ordem destinada a honrar a minha Imaculada Conceição»?
Sejamos Hóstias vivas participantes da missão reparadora da Divina Hóstia. A Concepcionista, tem como talismã que a enobrece e valoriza os seus sofrimentos, seus trabalhos e as suas menores acções. Numa atmosfera de amor e imitação encontraremos uma fonte de energias para dar glória a Deus e honrar dignamente Sua Mãe Santíssima e salvar as almas. Contemplar estes sublimes modelos, copiar seus exemplos, praticar suas virtudes comungar as suas incomparáveis perfeições, sua consumada santidade. Revestida com esta armadura sobrenatural, a Concepcionista terá valor para praticar todas as virtudes com o heroísmo que pede a sua vocação de «Hóstia viva». Por sua imolação silenciosa compensará friezas, expiará crimes, alcançará perdões, acrescentando assim novas glórias à glória imensa da sua excelsa Padroeira.
Serva de Deus
madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
“Lembrai-vos sempre – escritos-carisma-espiritualidade”, Editorial Franciscana, Braga, 1995, pgs. 73 3 74.

domingo, 7 de dezembro de 2008


"Irmãs, imitai Nossa Senhora
que é pura e Imaculada,
todos os actos da vossa vida
sejam para dar muita glória a Deus
e Sua Santíssima Mãe".
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


"Serei cada vez
mais amigo dos padres ...

trabalharei por todos,
mas preferirei os padres
e os seminaristas".
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Arcebispo de Évora

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sobre os Seminários...

A nossa Regra manda-nos rezar todos os dias pelos Seminários da Arquidiocese, mas nessa semana (refere-se à Semana dos Seminários) com toda a devoção e carinho, pedindo muito a Nosso Senhor que fizesse descer sobre eles, uma chuva de graças espirituais e materiais para poderem de lá sair muitos e santos Sacerdotes.
Serva de Deus
madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

4 de Junho de 1957
excerto de uma carta dirigida
ao Sr. D. Manuel Trindade Salgueiro, Arcebispo de Évora

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ORAÇÃO
pela Beatificação da Serva de Deus
madre Isabel da Ssmª Trindade
Ó Deus fonte de todo o bem
nós Vos louvamos e bendizemos
pelos benefícios que nos concedeis
através da Vossa
Serva

Maria Isabel da Santíssima Trindade.
Ela é para nós
modelo e mestra de virtude.
Nela refulgiu o amor à Sagrada Eucaristia
a simplicidade e a pobreza de vida
à imitação de São Francisco,
e o serviço aos mais pobres.
Dignai-Vos, Senhor, glorificá-la na terra,
como esperamos já esteja glorificada no Céu.
Dai-nos força para seguirmos os seus exemplos
e concedei-nos por sua intercessão
as graças que fervorosamente Vos pedimos. Ámen.
(com aprovação eclesiástica)
Pai-Nosso..., Avé-Maria... e Glória ao Pai...
Aos que receberem graças por intercessão da Serva de Deus Maria Isabel da Santíssima Trindade, devem participá-lo para:
Postulação: Madre Maria Isabel do Santíssima Trindade
Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
Rua Francisco da Silva, 9 C
7350-272 ELVAS

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Datas principais
da vida da Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
1/Fevereiro/1889: Nasceu na freguesia de Santa Eulália no Alentejo - Portugal
3/Março/1889: Foi baptizada com o nome de Maria Isabel Picão Caldeira
20/Março/1912: Casou com o primo, João Pires Carneiro
17/Junho/1922: Após dez anos de felicidade conjugal, sofreu o maior desgosto da sua vida, com a morte do marido
de 1922 a 1934: Viúva e sem filhos, durante onze anos, entregou-se às obras de Apostolado na sua terra natal
8/Setembro/1934: Sentindo o apelo de Deus a uma consagração, entra nas Dominicanas de Clausura, em Azurara, onde permaneceu apenas sete meses, por falta de saúde
20/Março/1936: A convite do Arcebispo de Évora, o Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, abre a Casa de Retiros em Elvas, iniciando aí uma vasta acção apostólica de serviço aos Pobres e dá os primeiros passos em ordem à fundação da Congregação das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
20/Dezembro/1939: Com a aprovação oral do Arcebispo, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, funda a primeira Comunidade Concepcionista
de 1939 a 1944: Condoída por tantos pobres que vagueavam pelas ruas, abre em Elvas uma Creche, um Abrigo Infantil e a Sopa dos Pobres, gastando para isso os seus bens patrimoniais
Responde a outros pedidos e toma conta de algumas Obras Assistências, no Alentejo
31/Dezembro/1948: Faz Votos religiosos, juntamente com doze companheiras
nos anos que se seguem: abriu várias Comunidades, expandindo a Obra por outras Dioceses de Portugal
5/Julho/1955: depois de um árduo caminho cheio de contrariedades e incompreensões, o Papa Pio XII, concede a aprovação às Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
20/Dezembro/1955: Faz a Profissão Perpétua com outras sete Irmãs, e no mesmo dia é proclamada a erecção canónica da Congregação, pelo então Arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro
de 1955 a 1960: recebe dezenas de pedidos para Obras Assistenciais e abre cinco Comunidades
3/Julho/1962: Faleceu em Elvas, depois de uma vida toda voltada para os outros, sobretudo os mais Pobres e foi sepultada em Santa Eulália em jazigo de família
20/Dezembro/1980: Os seus restos mortais foram transladados para a Casa-Mãe da Congregação, em Elvas, onde se encontram actualmente
5/Julho/1998: foi aberto o Processo de Canonização
5/Julho/2000: foi encerrado o Processo de Canonização

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ocorre, hoje, o 32º aniversário da solene Canonização da alentejana campomaiorense Beatriz da Silva e Meneses.
A cerimónia decorreu na Basílica de São Pedro do Vaticano, em Roma, a 3 de Outubro de 1976, tendo sido presidida pelo Romano Pontífice de então, o Papa Paulo VI.
Queremos fazer memória deste acontecimento eclesial tão importante para Portugal, pois Santa Beatriz da Silva, até ao momento, é a única mulher portuguesa a ser canonizada.
Fórmula da Canonização
(pronunciada pelo Papa Paulo VI)
Em honra da Santa e Indivisa Trindade,
para a exaltação da fé Católica
e incremento da vida cristã,
com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo,
dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Nossa,
depois de madura deliberação
e implorando muitas vezes o auxílio divino,
e com o conselho de muitos dos Nossos Irmãos,
decretamos e definimos que
a Beata Beatriz da Silva É SANTA,
e a inscrevemos no catálogo dos Santos,
estabelecendo que deve ser venerada com piedosa devoção
entre os Santos da Igreja Universal.
Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Publicada nova Biografia
de Santa Beatriz da Silva
No 1º fim de semana de Setembro, durante as festas de Santa Beatriz, em Campo Maior, foi posto à venda um ensaio sobre a vida e obra da Santa Campomaiorense.
A obra da autoria de José Félix Duque, com 385 páginas, tem por título Dona Beatriz da Silva, Vida e Obra de uma mulher forte”, foi publicada pelas Edições Labyrinthus.
O autor, baseando-se nas fontes biográficas primitivas e em documentos até agora desconhecidos, põe à disposição do leitor um ensaio inovador sobre a fundadora da Ordem monástica da Imaculada Conceição, sendo a mais completa biografia de Santa Beatriz da Silva, única mulher nascida em Portugal, até ao momento, a ser canonizada (em 1976).
É de destacar neste ensaio a documentação e argumentação, que deita por terra a descarada e desonesta manipulação de fontes usada por Jerónimo de Mascarenhas (século XVII, 211 anos depois do nascimento da Santa, 1648), numa obra nunca publicada nem divulgada: “Historia de la ciudad de Ceuta”, estranhamente arrancada ao completo esquecimento e publicada em inícios do século XX (1918, 270 anos depois de escrita e 481 depois do nascimento da Santa), em pleno processo de Beatificação que dá a Santa como nascida em Ceuta, depois de mais de 4 séculos de tradição e documentação que a dão inequivocamente nascida na vila alentejana de Campo Maior.
A obra pode ser adquirida, em várias livrarias, pedindo directamente à editora, no Mosteiro de Santa Beatriz da Silva de Viseu e no Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ORAÇÃO
pela Beatificação do Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, que Vos dignastes elevar ao episcopado o vosso fiel servo D. Manuel Mendes da Conceição Santos, e lhe concedestes a graça de ser defensor intrépido da Fé, apóstolo zeloso da Esperança, generoso advogado da Caridade, devotíssimo da Mãe de Deus e modelo de todas as virtudes pastorais, dignai-Vos agora, em atenção aos seus merecimentos, conceder-nos a graça que Vos pedimos (pede-se a graça), para que, plenamente seguros da eficácia da sua intercessão junto de Vós, o possamos contemplar um dia na glória dos altares. Ámen.
Pai-Nosso..., Avé-Maria e Glória ao Pai...
Aos que receberem graças por intercessão do Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, devem participá-lo para:
Vice-Postulação: D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Irmãs Servas da Santa Igreja - Rua das Fontes, 68
7000-589 Évora
PORTUGAL

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Datas Principais
da vida do Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
13-12-1876 - Nasce em Pé de Cão - Olaia - Torres Novas
28-12-1876 - É baptizado na Igreja de Olaia
02-08-1890 - Entra no Seminário de Santarém
20-10-1895 - Vai para Roma estudar
1898 - Regressa de Roma, diplomado em Teologia e em Letras Latinas
27-05-1899 - É ordenado Presbítero em Santarém
04-06-1899 - Celebra a 1ª Missa na Igreja do Salvador, em Torres Novas
08-09-1905 - Entra na Diocese da Guarda, como Vice-Reitor do Seminário
1909 - É nomeado Cónego da Sé da Guarda
03-05-1916 - É ordenado Bispo de Portalegre na Igreja do Carmo, em Torres Novas
07-05-1916 - Entra solenemente na Diocese de Portalegre
24-07-1920 - É nomeado Arcebispo de Évora
11-02-1921 - Entra solenemente na Arquidiocese
13-05-1928 - Benze a 1ª pedra da Basílica de Fátima
24-09-1945 - Funda a Congregação das Servas da Santa Igreja
30-03-1955 - Morre santamente no Paço Arquiepiscopal de Évora
01-04-1955 - O seu corpo é depositado num jazigo, no Cemitério dos Remédios, em Évora
30-05-1963 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica Metropolitana de Évora
11-02-1972 - O Sr. D. David de Sousa, Arcebispo de Évora, declara aberta a Causa de Canonização de D. Manuel Mendes da Conceição Santos

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Santa Beatriz da Silva
virgem e fundadora
memória litúrgica: 1 de Setembro

Resumo Biográfico
Nasceu em Campo Maior, Alentejo (arquidiocese de Évora) por volta de 1437. Ainda muito jovem, passou à corte de Castela em 1447 como dama de honor da Infanta D. Isabel de Portugal. Para se poder dedicar a uma vida cristã mais perfeita, retirou-se da corte para o mosteiro dominicano de São Domingos "O Real" de Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos. como leiga e hóspede. Em 1484 fundou a Ordem da Imaculada Conceição (Monjas Concepcionistas), que foi aprovada pelo papa Inocêncio VIII em 1489. Em 1511 o Papa Júlio II atribui-lhe Regra própria. Faleceu com fama de santidade a 9 de Agosto de 1492. Foi canonizada por Paulo VI a 3 de Outubro de 1976.
Espiritualidade da Santa
São três os elementos fundamentais da sua espiritualidade: A Paixão de Cristo, O Santíssimo Sacramento do Altar e A Imaculada Conceição de Maria.
A Paixão
Da sua contemplação nutria a sua caridade: "Desde muito menina mostrou-se devotíssima da Paixão de Jesus Cristo... e desta devoção tirava grandes desejos de padecer por amor de Deus e do próximo, querendo antes morrer que o seu próximo passasse alguma necessidade". (Testemunho da princesa de Asculi no Processo, Folio 422)
A Sagrada Eucaristia
"Foi muito devota do Santíssimo Sacramento do Altar... mesmo se frequentava Este Manjar... continuava uma comunhão espiritual sem interrupção... tirando da sua assistência ao Santíssimo Sacramento... o conservar a sua pureza angelical e de viver retirada de todas as coisas do mundo. Este era o seu descanço, e a sua alegria estava em fazer tudo o que lhe parecia ser do gosto do seu doce esposo Jesus" (sor Catarina de Santo António, O.C. p. 67). Nos dizem os testemunhos do processo que falava com os sacerdotes de joelhos, considerando neles a alteza do seu sagrado ministério ligado ao Sacramento do Altar.
A Santíssima Virgem na Sua Imaculada Conceição
A tarefa, o carisma específico que Beatriz dexou à Igreja, consiste em viver uma vida de louvor à Trindade pelo facto de ter criado Maria fazendo-a Imaculada. Esse louvor vivve-se em oferenda da própria vida associada ao mistério Eucaristico: "oferecer os vossos corpos como hóstia viva, santa, agradável a Deus, e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente para que saibais discernir o que é Vontade de Deus, o bom, o que Lhe agrada, o perfeito". A dimensão apostólica desta vida, encontra-se no culto liturgico ao Mistério da Conceição Imaculada de Maria, e à irradiação ou comunicação às almas da presença de Mãe de Deus, fazendo-lhes perceber como actua Maria na vida espiritual das almas, introduzindo-as e elevando-as até ao mais alto da santidade.
A vocação concepcionista é pois um chamamento a dedicar a vida em íntima união com Maria à contemplação da sua Conceição Imaculada, oferecendo ao mundo uma lição de procura pela obediência d'Aquele de quem o homem se tinha afastado por causa da sua desobediência. A concepcionista deseja colaborar assim com a graça mediante o exercício de uma vida monástica escondida na adoração eucarística, na solidão e no siêncio, a fim de contribuir, conforme o desejo Divino, a restabelecer a ordem original da criação: o diálogo da criatura com o Criador.
Esta forma de vida, idubitávelmente alta forma de santidade, não deixa de conter uma mensagem oportuna para o momento presente. O homem de hoje, com frequência céptico e relativista perante a verdade e o bem, possui um marcado acento e sensibilidade pela beleza. Santa Beatriz, mulher admirada pelas suas grandes prendas de corpo e de alma, ensina-nos onde se encontra a fonte da beleza eterna, reflectida nitidamente no Mistério da Imaculada. Nas Palavras do Papa Paulo VI durante a homilia pronunciada na cerimónia de canonização de Beatriz, é no Mistério da Conceição de Maria, onde para a santa fundadora "está encerrado o segredo da sua experiência espiritual e o da sua santidade... a branca limpeza da Virgem foi o ideal da sua vida". Afirma o Papa que esta mensagem é actual para um mundo permissivo que com frequência, "em nome de uma mal entendidad liberdade..., inverte os valores da honestidade, do pudor, da dignidade, do direito dos outros. Quer dizer, dos valores sobre os que se baseia qualquer convivência civil ordenada".
(da homilia pronunciada por Sua Excia Revma o Sr. D. Manuel Monteiro de Castro, núncio apostólico em Espanha, a 17 de Agosto de 2001, no Proto-Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição/Toledo)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Beato Amadeu da Silva
reformador franciscano
e fundador da Congregação dos Amadeítas
irmão de Santa Beatriz da Silva
Memória Litúrgica: 10 de Agosto
João da Silva e Meneses, conhecido por Beato Amadeu da Silva (Beato Amadeu Hispano ou Beato Amadeu Lusitano), era filho de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da vila alentejana de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de João pertenciam à primeira nobreza do reino e estavam ainda aparentados com a família real.
Foi o quinto de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, Branca, Guiomar, Santa Beatriz (fundadora da Ordem da Imaculada Conceição ou Monjas Concepcionistas), Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Nasceu por volta de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde os pais moravam nesta data.
Casou aos dezoito anos com uma donzela, com quem não chegou a coabitar. Pelos vinte anos, participou da Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos, tentando depois seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, segundo os seus biógrafos, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Nas biografias populares, generalizou-se a fantasia da sua paixão pela infanta dona Leonor, a bela irmã do rei dom Afonso V, futura mulher do sacro imperador dos romanos, Frederico III da Alemanha, em cujo séquito teria chegado a Itália, depois de partir de Lisboa, por mar, no dia 11 de Novembro de 1451. Mas, pelo contrário, João de Meneses saiu do Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, com carta do prior Gonçalo de Illescas, passada em 11 de Dezembro de 1452, dirigindo-se a Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou por Avinhão, Génova e Florença. Os seus milagres foram conhecidos por toda a Itália, onde tomou o nome de frei Amadeu Hispano, numa referência bastante lata à Hispânia, a região ibérica da sua origem. Em Perusa, frei Ângelo, o ministro-geral da Ordem, negou-lhe audiência.
Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Sofreu perseguições por três anos, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral, que o recebeu em profissão. A sua piedade e devoção configuraram a imagem de um santo vivo, que, apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou muitos devotos, atraídos pelos seus inúmeros milagres. A sua fama chegou a uma sobrinha do papa Nicolau V, que foi uma dos miraculados. As peregrinações aos muros do Convento irritaram ainda mais os frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, muitas humilhações e dificuldades. Enviaram-no depois a Roma, ao papa Calisto III, sob influência de alguns frades que viviam na corte, de modo a obriga-lo a regressar à Península Ibérica.
Descobrindo que iria cair numa cilada, frei Amadeu Hispano pediu a protecção do ministro provincial, então em Perusa, alcançando letras comendatícias para o ministro-geral. Em Bréscia, este deu-lhe letras obediênciais para ir para o Convento de São Francisco da Porta Varcellina de Milão, situado na actual Praça de Santo Ambrósio. Acompanhou-o frei Jorge de Valcamonica, que se tornou seu confidente e que, posteriormente, testemunhou a sua santidade. Neste convento, os seus milagres e prodígios foram abundantes e, entre os numerosos devotos, contaram-se Francisco Sforza e sua mulher Branca Maria, duques de Milão. A duquesa confiou nas suas preces para várias necessidades, incluindo a concepção de um filho. Frei Amadeu mudou depois para um outro convento de Milão, buscando maior quietude, com a licença do Capitulo Geral, presidido pelo ministro-geral frei Tiago Bussolini de Mozanica, já no Pentecostes de 1457. Também o Convento de São Francisco de Mariano de Como não lhe deu a almejada paz, por causa da concorrência dos devotos.
Foi no Convento de São Francisco de Oreno que, desistindo da sua vocação eremítica, começou a dirigir-se às multidões e chegou a aceitar a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na festa da Anunciação, 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre grandes magnatas. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que hoje se conservam.

A 15 de Maio de 1452, teve uma audiência com o duque de Milão, ao que parece para pedir apoio para fundar um convento. Consta que a duquesa de Milão alcançara uma bula do papa Pio II para fundar um convento franciscano em Castiglione, na diocese de Cremona. Passaria a chamar-se Stª Maria de Castigliori (que mudou depois o titulo para Santa Maria de Guadalupe, por insistência de frei Amadeu, que era muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe). A duquesa conseguiu a doação deste convento a frei Amadeu, no ano seguinte. Este fez dele o centro da sua actividade de reforma da Ordem de São Francisco. Fundou mais conventos: São Bernardino de Erbusto e São Francisco de Iseo, na província de Bréscia, em 1465; Stª Maria da Paz de Milão, em 1466, também conhecido por Convento de São Tiago e São Filipe Apóstolos. Ao lançamento da primeira pedra esteve presente o arcebispo Galeazo Maria Sforza de Milão; o ministro-provincial dos franciscanos e outras pessoas importantes. Em 1467, fundou o Convento de Stª Maria da Fonte de Caravaggio. Em seguida, fundou o Convento de Santa Maria das Graças de Quinzano, com bula de 3 de Novembro de 1468. Depois, fundou o Convento de Stª Maria das Graças de Antignate, na província de Bérgamo, diocese de Cremona, em 1468. Por diligência do cardeal Francisco delle Rovere, futuro papa Sisto IV, obteve do papa Paulo II, a 22 de Abril de 1469, a graça de poder fundar na Lombardia três conventos com a invocação de Santa Maria, além do de Stª Maria das Graças de Quinzano. Assim, passou para a sua Custodia o Convento de Stª Maria Anunciada de Borno, província e diocese de Bréscia, pertencente aos terceiros franciscanos, o qual o papa Paulo II mandou entregar-lhe por bula de 1 de Agosto de 1469; e o de Stª Maria das Graças de São Secondo, na província e diocese de Parma.
Eleito papa com o nome de Sisto IV, o cardeal que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco, concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros sob a jurisdição do ministro-geral, que desejassem segui-lo; e aceitar mais seis conventos, além dos que já possuía. O primeiro seria, ao que parece, o de Stª Maria da Paz de Castiglione, província de Alessandria e diocese de Cortona. Seguiram-se os de Lodi, chamado também de Stª Maria das Graças, na província de Milão; e o de Stª Maria das Graças de Cremona. A 18 de Junho de 1472, o papa concedeu-lhe o Mosteiro de São Pedro in Montório, onde, segundo a tradição, São Pedro fora martirizado. Os monges de São Clemente de Urbe, da Ordem de Santo Ambrósio, sob o pretexto de que o lugar estava sob a sua jurisdição, moveram-lhe uma causa. O pontífice defendeu frei Amadeu, confirmando a doação, a 8 de Março de 1481. A 20 de Junho de 1478, o papa Sisto IV concedeu a Raimundo Orsini e a sua mulher, senhores de grandes domínios na diocese de Sabina, faculdade para fundar nos seus territórios um convento para frei Amadeu e seus discípulos, em atenção aos moradores de Scandriglia, Monte Librete e Nerula e castelos de Ponticelli e Montório. O convento foi erguido nos arredores de Ponticelli, dedicado a Stª Maria das Graças e, em 1479, começou a vida comunitária. Passando por Piacenza, dirigindo-se a Lombardia, frei Amadeu recebeu também o Convento de São Bernardino, por doação do terceiro franciscano Tiago de Guarnis.
Na época em que viveu frei Amadeu, ainda não havia a separação entre franciscanos observantes e franciscanos conventuais. No entanto, estes últimos já viviam separadamente, obedecendo a vigários-gerais confirmados pelo ministro-geral da Ordem de São Francisco. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco. Os papas referiam-no da Observância. A fundação da congregação de amadeitas dava-o como seu custódio, fora da sujeição ao vigário-geral. O papa Paulo II, ao conceder-lhe três conventos, concederia também que, após a sua morte, os seus discípulos pudessem eleger custódio. Isto é: frei Amadeu era, em vida, uma espécie de vigário provincial da Observância. Os frades observantes começaram então a mostrar desagrado para com os amadeitas, considerando desnecessária a cisão com a Observância. Colocariam em causa as virtudes de frei Amadeu, movendo-lhe grandes embargos, a começar pelo Convento de Stª Maria de Bressanoro, que tentaram arrebatar-lhe, fundamentando-se na bula de concessão, que referia a Observância. Frei Amadeu contou com a intervenção do cardeal de Bolonha, que conseguiu demover alguns cardeais defensores dos observantes. Atacaram de seguida o Convento de Stª Maria da Paz de Milão, que estava nas proximidades de um convento observante. Frei Amadeu teve de mover vários apoios políticos e religiosos, junto dos duques de Milão e na corte pontifícia, para impedir que lhe atrasassem ainda mais a construção do convento, que ainda decorria. A situação seria excessiva, ficando documentados os lamentos de frei Amadeu quanto às injúrias que recebia dos observantes. O papa Paulo II, em 1470, mandou suspender as obras, por causa da escandalosa discórdia entre os frades amadeitas e os frades observantes. A reacção dos amadeitas atingiu tal saturação que um deles chegou a gritar, do alto do púlpito, que o breve pontifício era falso. O problema, no fundo, seria que a congregação de conventos de frei Amadeu em tudo era semelhante à Observância, embora estando fora desta. Para resolver a questão, o próprio frei Amadeu conseguiria que o papa os declarasse sujeitos à obediência e jurisdição do ministro-geral e outros legítimos superiores da Ordem de São Francisco, segundo a Regra, em 23 de Maio de 1470.
Por esta época, fundou também a Confraria de Nª Srª da Paz, de São Sebastião, de São Roque e São Bernardino, destinada a clérigos e leigos nobres.

O papa Sisto IV, que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos, nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o já referido Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Segundo frei Mariano de Florença, biógrafo de frei Amadeu, seria numa caverna deste convento que recebia revelações do arcanjo São Gabriel. Ali terá ditado o seu livro Apocalypsis Nova..., que entregaria, à hora da morte aos seus frades, devendo ficar à guarda do custódio. A obra teve uma grande divulgação anos depois. Vários problemas causados pelos observantes em relação a alguns dos seus conventos levaram a uma batalha final, envolvendo os duques de Milão e, por fim, o próprio papa, que protegeu os amadeitas.
Finalmente, frei Amadeu desejou fazer uma visita a todos os seus frades e, ao passar pelo Convento de Stª Maria da Paz de Milão, ali morreu, a 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades.
Sucederam-se quatro séculos de culto ininterrupto, em torno da sua imagem nimbada, sobre a sepultura. Esta estava numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas, celebrando-se ali todos os anos a festa do
Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. (cfr. DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989,ob. cit., pág. 241) A congregação dos amadeitas prosseguiu na Lombardia, no resto de Itália e em Espanha. Porém, a pressão dos ministros e dos Capítulos Gerais dos franciscanos, apoiados pelos problemas de alguns dos conventos, concorreram para que São Carlos Borromeu, cardeal protector dos amadeitas, impusesse o fim. Os trinta e nove conventos então existentes foram integrados na Ordem de São Francisco da Observância em 1568, por bula do papa Pio V.
(Veja-se DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989, ob. cit. Vejam-se também: SEVESI, Paolo M., 1911, «B. Amadeo Menez de Sylva dei Fratri Minori. Fondatore degli Amadeiti (Vita Inedita di Fra Mariano da Firenze e Documenti Inediti», estratto da
Luce e Amore, ano VIII, fasc. Nº 10, 11 e 12, Florença, Tipografia Domenicana; GALLI, Benedetto, 1923, Il B. Amedeo Menez di Silva. Frate Minore del SecoIo XV. Biografia PopoIare, Milão, Quaracchi - Tip. del Colegio S. Bonaventura; DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1985, ob. cit.; e DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 196?, ob. cit.)
cf. Dr. José Félix da Silva

sábado, 2 de agosto de 2008

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES
Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote,
suscitai na vossa Igreja,
nós vo-Lo pedimos,
uma legião de sacerdotes verdadeiramente santos,
animados do Vosso Espírito,
inflamados no Vosso Amor,

incansáveis em fazer conhecer,
amar e servir,
em todo o mundo,
o Vosso Sagrado Coração.
Que eles sejam um só com o Sumo Pontífice e com os Bispos,
assim como Vós sois um, com o Pai
e que pela sua vida sejam a luz do mundo e o sal da terra,
o caminho, a verdade e a vida.
Conservai-Ihes o vigor do corpo
para suportarem com ânimo o peso do dia;
e à alma, Senhor, à alma dos vossos eleitos
comunicai a Vossa força!
Deste modo, sempre mais robusta e mais decidida
após cada tempestade,
ela ame a todos com o vosso Amor,
sem que o coração desfaleça nunca,
nem perca a dignidade da sua vocação,
a frescura da sua pureza.
Nós Vos suplicamos
pelos méritos do Coração puríssimo de Vossa Mãe, Maria Santíssima,
os protejais, defendais e ampareis
nas horas de luta e cansaço,
a fim de permanecerem sempre no vosso Santo Amor.

(oração composta pelo

Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos,
Arcebispo de Évora)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Hóstia Santa ... Deus Vivo
"Sentimos pois que é chegada a hora de vos convidarmos
a tributar ao Rei Divino,

que tem sido tão esquecido e tão votado ao abandono,

um testemunho público e solene de vassalagem e amor.
Façamos acordar na alma alentejana a fé antiga,
façamos ressuscitar a piedade eucarística de tempos idos,
numa solene apoteose,

que será ao mesmo tempo um preito de fidelidade
e um acto de reparação,

vamos levar em triunfo,
não só pelas ruas da cidade,

mas também dentro das almas,
a Hóstia santa, que é o Deus vivo a habitar entre nós".
D. Manuel Mendes da Conceição Santos

11 de Fevereiro de 1941
convocação da Arquidiocese para o Congresso Eucarístico em Évora,
de 1 a 4 de Maio de 1941

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Santa Isabel de Portugal
Rainha e Terceira Franciscana

Memória Litúrgica:
4 de Julho (MO)

Santa Isabel de Portugal nasceu em 11 de Fevereiro de 1270, em Saragoça, filha de Pedro III, rei de Aragão e da rainha Dª Constança. Recebeu seu nome em homenagem a sua tia, Santa Isabel da Hungria, canonizada anos antes, e de quem se esperava que Isabel herdasse a bondade e a santidade.
Com 12 anos incompletos (1282) casou-se com o Rei Dinis, de Portugal.
A viagem para Portugal foi longa e difícil. Em Junho de 1282 encontrou-se em Tancoso com o rei D. Dinis, a quem via pela vez.
Gostava da vida interior e do trabalho silencioso. Jejuava dias sem conta através do ano, comovia-se com os que erravam, rezava pelo seu Livro de Horas, cosia e fazia bordados em companhia das damas e donzelas, e distribuía esmolas aos necessitados, sem esquecer o governo da sua casa.
Aos 20 anos nasceu D. Afonso IV, “O Bravo”, que foi a sua cruz e o grande amor da sua existência. Caso único na primeira dinastia portuguesa, a vida deste homem foi pura e não virá fora de propósito descobrir nisto a influência da mãe, e talvez um complexo de repugnância pelas inúmeras aventuras de seu pai, influenciado pelas dores que via sofrer sua mãe, meio abandonada pelo marido. Mas era discreta a jovem rainha. Fingia não saber nada sobre as infidelidades de D. Dinis. Mulher cristã até à medula, amava e perdoava ao jeito do Evangelho duma forma heróica e radical, criava os filhos ilegítimos do marido.
Verdadeiramente Bem-aventurada, porque construtora da paz. Em várias ocasiões fez sentir o seu poder mediador e apaziguador. E acaba por partir para o seio da Trindade, na cidade alentejana de Estremoz, em plena missão de construção da paz.
Dotava os conventos do reino com muitas esmolas, principalmente o de Santa Clara de Coimbra. Mandou construir um hospício para os pobres em Coimbra, um hospital para crianças doentes e enjeitadas em Santarém e uma casa para recolhimento e regeneração das mulheres perdidas de Coimbra. Recebia no palácio jovens pobres e alimentava-os, dando-lhes dinheiro e condições para que se casassem ou se fizessem religiosas.
O Rei Dinis adoeceu em 1324 e foi cuidado por sua esposa pessoalmente até a morte, em 7 de Janeiro de 1325. Após o enterro do marido, a Rainha Isabel fixa residência em Coimbra e pôs o véu branco e vestiu o hábito de Santa Clara, ainda que livre de votos religiosos, conservando o que era seu, como diz ela, para construir igrejas, mosteiros e hospitais.
Num quente de verão, em Junho de 1336, resolve partir para Estremoz, a fim de se encontrar com o seu filho, D. Afonso IV, rei de Portugal, em guerra com o seu neto D. Afonso IX, rei de Castela. É desaconselhada a fazer a viagem devido à longa distância, ao calor, à sua idade e à precariedade da sua saúde, mas era preciso construir a paz e Dª Isabel põe-se a caminho. Chega doente à fortaleza de Estremoz, logo lhe aparece uma pústula no braço que lhe causa febres. Junto à sua cama estava a nora, a rainha Dª Beatriz. Então viu passar uma dama com vestido branco. Nossa Senhora? É possível. Confessou-se, assistiu à Missa e com grande devoção e muitas lágrimas recebeu o Corpo de Deus.
Faleceu rezando na noite de 4 de Julho, após receber os últimos sacramentos.
Contra a vontade da corte, seu filho realiza-lhe o desejo de ser enterrada no Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.

Devido aos inúmeros milagres ocorridos após a morte de Santa Isabel, o Rei Manuel I pede-lhe a beatificação, e o Papa Leão X, em 1516, a declara Bem-aventurada, dando permissão para a celebração de sua festa na diocese de Coimbra. Em 1556, em virtude de outros milagres atribuídos à Rainha, o culto se estende por todo o reino de Portugal. Em 1560, Ana de Meneses, abadessa do Mosteiro de Santa Clara, funda a Confraria da Rainha Santa. O Papa Gregório XIII, em 1581, concede diversas graças e indulgências aos associados desta confraria. Em 1612, uma comissão vem de Roma a Coimbra para dar início ao processo de canonização da Rainha. Abriram-lhe o túmulo 276 anos após sua morte e descobriram que seu corpo estava incorrupto e exalava um aroma suave. Em 25 de Maio de 1625, festa da Santíssima Trindade, o Papa Urbano VIII canoniza a Rainha Santa Isabel de Portugal.
(Fontes: JOSÉ LEITE, S.J. (organização),"Santos de cada dia - II - Maio.Junho.Julho.Agosto", Editorial A.O., Braga, 3ª Edição, pgs.375 a379 e site: "Vidas de Santos")

Oração
Senhor nosso Deus, fonte de paz e de amor, que destes a Santa Isabel de Portugal o dom de reconciliar os homens desavindos, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de trabalhar ao serviço da paz para podermos ser chamados filhos de Deus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Papa reconhece milagre do
Beato Nuno de Stª Maria
Caminho para a Canonização
está completo

Bento XVI abriu hoje as portas à Canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, ao autorizar a promulgação de dois decretos que reconhecem um milagre atribuído ao futuro Santo português e as suas virtudes heróicas.
Os decretos foram tornados públicos esta Quinta-feira pela Sala de imprensa da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização. A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, foi reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.
A história deste processo já poderia ter conhecido o seu epílogo quando, em 1947, o papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, porém, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos “Clementissimus Deus” de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano. Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a já referida permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.
(Fonte: Agência Ecclesia)

sábado, 28 de junho de 2008

D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Numa aldeia pequenina,
quase perdida
no centro de Portugal,
nasceu Alguém
- futuro Bispo -que havia de passar,
qual outro Cristo,
fazendo o bem
a todos, por igual.
Reconfortou a quem o procurava,
trazendo na alma,
o espinho da amargura.
Correu terras sem fim
- terras da planura -
cuidando das ovelhas
que o Senhor lhe confiara.
Por elas rezava, fazia penitência,
erguia a Deus a sua voz,
com insistência,
rogando a conversão dos transviados.
Velava pelos Padres,
como um Pai:
era o amigo, o apoio,
o confidente ...
E ao contemplar a vastidão
da messe alentejana,
queimada pelo sol ardente,
pedia aos Céus mais operários.
Tanta fome!... Tanta dor!...
Fome de pão, mas sobretudo
fome de Deus, fome de amor!
E o Arcebispo não descansava ...
Assim gastou a vida,
toda embebida
na caridade.
Para Deus viveu ... em Deus morreu.
Mas n'Ele goza, na Eternidade!
Agora ao recordar
as virtudes deste Prelado
que na terra passou, fazendo o bem,
sem nunca se cansar,
Roguemos também,
a Deus omnipotente
em prece humilde, mas fervente,
a graça de o sabermos imitar.

IMaria Helena Cordovil
Serva da Santa Igreja

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Súplica a Jesus Sacramentado
Meu Senhor e meu Deus!
Eu creio em Vós, adora-Vos, amo-Vos,
peço-Vos humildemente perdão das minhas grandes culpas e pecados,
perdão para as nossas famílias,
para os nossos benfeitores, amigos e inimigos,
perdão para a nossa Pátria,
perdão para todos os pecadores,
principalmente para os que estão em agonia,
perdão e alívio para as almas do purgatório,
especialmente para as da nossa maior obrigação.
E desse sacramento onde habitais,
lançai-nos a Vossa bênção paternal,
mandai-nos um raio da Vossa luz.

Ó querido Jesus, fazei que em todos os actos da nossa vida
Vos demos sempre maior glória.
Amparai-nos como Pai,
guiai-nos como Mestre,
e salvai-nos como Deus.
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Irmã Maria Helena Branco ocso
Sede de Deus
Foi o primeiro fruto de Santa Maria de Marana-tha.
Nasceu a 9 de Dezembro de 1965, em Castelo Branco.
Viveu na cidade de Elvas, durante a adolescência, onde sua mãe era professora.
Entrou no próprio dia da fundação de Santa Maria de Marana-tha, a 15 de Agosto de 1989, abraçando a vida do seu mosteirinho até às últimas consequências: "Aqui, em Santa Maria de Marana-tha [tratava-se de uma pequena casa provisória] não há sinos a tocar de madrugada, não há melodias «angélicas» que elevam a alma à união com o ETERNO. Aqui não há tudo isso… mas há o ESSENCIAL, porque há DEUS, e DEUS faz-Se sentir quase palpável: em situações, em circunstâncias, em pessoas concretas, na caridade fraterna vivida dia-a-dia […] sem sinos, sem cantos, sem claustros. Deus não Se importa, porque para Ele isso não é o Essencial; Ele só precisa do nosso coração e nós só precisamos de Deus! E o nosso grito é Marana-tha. Vem, Senhor Jesus! É isso o ESSENCIAL!" - assim escrevia ela ao terminar o seu Noviciado, em 1992. Inteiramente orientada para Deus, dela irradiava paz, doçura, compreensão, alegria… O sorriso era-lhe habitual, mesmo quando a dor batia à porta. Quatro anos e meio em Santa Maria de Marana-tha bastaram à Irmã Maria Helena para realizar em plenitude o que se lê no livro da Sabedoria: "Amadurecida em pouco tempo… atingiu a plenitude de uma vida longa" (4,13). Acabava de fazer 28 anos quando o seu estado de saúde se agravou assustadoramente. Heróica no sofrimento, no meio de dores incessantes, falava do céu, da eternidade com Deus, como realidades ardentemente desejadas. A sua experiência de Deus levara-a até aí. Por isso se entregou sem reservas, serenamente, nas mãos do Pai. Adormeceu em paz, estendendo as asas rumo à eternidade, na madrugada de 1 de Fevereiro de 1994. Convertia-se em verdade a sua oração:
"Nunca deixes, Senhor, que eu Te abandone.
Só Tu me podes encher.
Só Tu podes fazer-me feliz
e saciar a minha alma e o meu coração
e todo o meu ser.
Que seja tua, Senhor, cada vez mais e para sempre!"
(fonte: cf. página Web da Trapa de Santa Maria de Marana-tha)

sábado, 19 de abril de 2008

Bento, tu amas-me? ... apascenta as minhas ovelhas.


Annuntio vobis gaudium magnum;
habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Josephum
Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Ratzinger
qui sibi nomen imposuit Benedictum XVI

Bênção Apostólica "Urbi et Orbi"
(19 de Abril de 2005)
Sua Santidade o Papa Bento XVI
Amados Irmãos e Irmãs,
Depois do grande Papa João Paulo II,
os Senhores Cardeais elegeram-me,
simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.
Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir
também com instrumentos insuficientes.
E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações.
Na alegria do Senhor Ressuscitado,
confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente.
O Senhor ajudar-nos-á.
Maria, sua Mãe Santíssima, está connosco.
Obrigado!

sábado, 5 de abril de 2008

Ordem da Imaculada Conceição - monjas Concepcionistas


A Monja Concepcionista realiza o seguimento de Cristo a exemplo de Maria, no silêncio que facilita a escuta da Palavra, na obediência aos planos de Deus sobre o mundo e a própria pessoa, nas simples tarefas quotidianas da vida, na entrega generosa da capacidade de amar, do desejo de possuir e de liberdade de dispor livremente da própria vida.
Iluminada pelo exemplo de Santa Beatriz, que ajudava com a sua oração à construção do Reino de Deus e da cidade terrena, a monja concepcionista sabe que a sua oração é a oração da Igreja, cuja fecundidade apostólica é misteriosamente eficaz.
(Constituições Gerais da Ordem da Imaculada Conceição)

O Mosteiro é o lugar que Deus guarda (cf Zc. 2,9); é a morada da Sua presença singular (...) na qual se realiza o encontro diário com Ele, onde o Deus três vezes Santo ocupa completamente o espaço, e é reconhecido e honrado como o único Senhor. (Verbi Sponsa, 8)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Bispo e fundador
da Congregação das Irmãs Servas da Santa Igreja
Nasceu na freguesia de Olaia, concelho de Torres Novas, em 13 de Dezembro de 1876. Depois de frequentar o Seminário de Santarém e se haver doutorado na Universidade de Santo Apolinário, em Roma, foi ordenado de presbítero a 27 de Maio de 1899.
Nomeado vice-reitor do Seminário da Guarda em 1905, foi depois designado Bispo de Portalegre a 9 de Dezembro de 1915 e, finalmente, Arcebispo Metropolitano de Évora, tendo entrado solenemente na sua Sé Metropolitana no dia 11 de Fevereiro de 1921.
Após uma vida de incansável apostolado e tendo deixado a Arquidiocese provida de Seminários (foi o fundador do Seminário Menor de São José de Vila Viçosa), de Casas Religiosas (entre outras, conseguiu a fundação do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, da Ordem Contemplativa da Imaculada Conceição, fundada pela alentejana Santa Beatriz da Silva); do semanário "A Defesa" e a Gráfica Eborense; de centros de actividade espiritual e apostólica; e tendo fundado a Congregação diocesana das Irmãs Servas da Santa Igreja, para auxiliar os Párocos na evangelização e, especialmente, nas missões, faleceu santamente no dia 30 de Março de 1955, repousando os seus restos mortais nos claustros da Sé de Évora.
A 1 de Dezembro de 1971, a Santa Sé autorizou a abertura do Processo Diocesano para a sua Beatificação e canonização.
D. Manuel Mendes da Conceição Santos era grande devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus, e trouxe a primeira imagem que houve em Portugal, da então Beata, para a Sé de Évora.
Foi director espiritual de várias figuras de relevo, hoje com os processos de Beatificação e Canonização introduzidos, entre eles contam-se a Serva de Deus Madre Luísa Andaluz (Fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima) e da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira ou da Santíssima Trindade (Fundadora das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres).
Benzeu a 1ª Pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e coroou a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
Cf. JOSÉ LEITE S.J. (organização), “Santos de Cada Dia - III Setembro.Outubro.Novembro.Dezembro”, Editorial AO, Braga, 3ª edição, 1987, pg. 527)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Resultado da Sondagem
Até domingo de Páscoa, decorreu, neste blog, uma sondagem que perguntava, "qual era a única SANTA PORTUGUESA, a ser canonizada (desde a constituição da nacionalidade)" e adiantavamos 3 nomes: Santa Beatriz da Silva, Princesa Santa Joana de Aveiro (como é conhecida) e Rainha Santa Isabel de Portugal.
O votantes, dividiram a sua votação entre Santa Beatriz da Silva (78%) e a Rainha Santa Isabel de Portugal (12%).

Santa Beatriz da Silva
De facto, até agora, a única mulher portuguesa (desde a constituição da nacionalidade) a ser canonizada é, SANTA BEATRIZ DA SILVA, fundadora da Ordem contemplativa das monjas da Imaculada Conceição (ou monjas Concepcionistas).
A Santa nasceu em Campo Maior, arquidiocese de Évora, em 1437 e morreu em Toledo (Espanha), no ano de 1491. Foi canonizada pela papa Paulo VI a 3 de Outubro de 1976.


Beata Joana de Aveiro
A princesa Beata Joana de Aveiro, é Portuguesa, filha do rei D. Afonso V nasceu na cidade de Lisboa no ano de 1452 e morreu em Aveiro a 12 de Maio de 1490, no Mosteiro de Jesus das Dominicanas desta cidade.
Contudo ainda não foi canonizada. Foi beatificada a 31 de Dezembro de 1692, pelo papa Inocêncio XII, por confirmação de culto imemorial.

Rainha Santa Isabel de Portugal
A rainha Santa Isabel de Portugal, mesmo se viveu a maior parte da sua vida em Portugal (tinha 12 anos quando casou com o rei D. Dinis e veio para Portugal), nasceu no reino de Aragão, logo não é Portuguesa de nascimento. Morreu na cidade alentejana de Estremoz, arquidiocese de Évora.

quarta-feira, 26 de março de 2008

da Homilia de Paulo VI
na canonização de Stª Beatriz da Silva
... a elequência mais evidente da vida
Da nova Santa não nos é possível tecer o breve elogio que se costuma fazer no momento de uma canonização e que parece projectar perante os nossos olhos radiantes os traços de um rosto glorioso porque, assim como o rosto extraordinário, belo e puro de Beatriz da Silva permaneceu velado por longos anos da sua vida terrena, até à sua bem-aventurada morte, assim também muitos aspectos da sua biografia só chegaram até nós por reflexos, como PER SPECULUM IN AENIGMATE - através de um espelho e de modo confuso - (cf. 1 Cor 13, 12), na documentação histórica através da qual ela transparece como figura inocente, humilde e luminosa, apesar de não conceder à nossa humana mas legítima curiosidade sinal algum de expressão pessoal. Assomam aos lábios as palavras de Dante: OV'E BEATRIC - onde estás Beatriz? - (A Divina Comédia, Paraíso, canto 32, verso 85); ou as palavras bíblicas em que vibra o amor místico: MINHA POMBA ... MOSTRA-ME O TEU ROSTO, FAZ-ME OUVIR A TUA VOZ, PORQUE A TUA VOZ É SUAVE E GRACIOSO O TEU ROSTO (Ct 2, 14).
Porque efectivamente, nenhuma palavra desta Santa chegou até nós nas suas sílabas textuais, e por conseguinte, nenhum eco da sua voz; nem escrito algum da sua mão, ou algum retrato do seu rosto demasiado belo, como se dizia, para que não fosse, na sua juventude, causa de turbação. E nem sequer os estatutos definitivos da Regra para a família religiosa que Ela fundou, inaugurando com a sua própria morte o nascimento da mesma família.
Mas, então, uma pergunta surge no espírito de quem dirige a atenção e a devoção para esta cidade do céu: será uma lenda a sua vida? Será fruto de um mito? Não, não é! Beatriz da Silva antes de entrar no reino eterno do céu, foi cidadã da terra: e o seu registo, e mais ainda a sua obra de Fundadora de uma nova e ainda hoje florescentíssima Família Religiosa, a das Monjas da Santíssima Conceição de Maria, não deixam dúvida alguma, antes conferem certeza particular e edificante exemplaridade à história hagiográfica desta esplêndida figura.
Santa Beatriz da Silva, portuguesa de nascimento, passou a maior parte da sua existência terrena em terras de Espanha, Mulher que ao nosso coração de crentes fala, se não com os escritos, sim com a eloquência mais convincente da vida.
(da Homilia de Paulo VI, proferida na Canonização de Santa Beatriz da Silva a 3 de Outubro de 1976, na Basílica Vaticana de São Pedro)