"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

«ME LLAMARON BEATRIZ»
Este é o título de uma breve biografía  de Santa Beatriz da Silva que acaba de sair à luz há poucos dias escrita por  Frei José García Santos OFM, a viver actualmente na fraternidade de El Palancar (Cáceres).
O relato, escrito em forma autobiográfica, segundo o autor  “ajusta-se escrupulosamente” a dois textos: a Nota autobiográfica de Juana de San Miguel (1512) y Dona Beatriz da Silva (2008) de José Felix Duque.
A obra foi terminada em 2011,  foi editada em fins de 2013 pela Mosteiro Concepcionista de Villanueva de la Serena (Badajoz). Apresenta-se em formato de bolso e tem aproximadamente 60 páginas.
Pode ser adquirida no Mosteiro de Villanueva (Tel: 924 84 98) ou de Cuenca (Tel: 969 21 32 21).

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Imagem de Santa Beatriz da Silva que irá ser benzida solenemente e entronizada em peanha própria no próximo dia 22 de Dezembro às 12 horas na igreja do Senhor da Boa Fé em Elvas, será a primeira imagem desta Santa Alentejana natural de Campo Maior a ser venerada numa igreja de Elvas.
A imagem foi executada pela empresa Arte Sacra de Fânzeres, em Gondomar, ficou excelente, parabéns aos artistas.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

PRINCÍPIA Editora Ldª 
 publica as Actas do Congresso Internacional 
dos 500 anos da Regra da OIC
No passado domingo, dia 1 de Setembro, foi apresentado no Centro Cultural de Campo Maior o livro “Santa Beatriz da Silva - Uma Estrela para Novos Rumos”, com as actas do Congresso Internacional comemorativo dos 500 anos da aprovação da Regra dada pelo Papa Júlio II à Ordem da Imaculada Conceição, realizado em Fátima de 14 a 16 de Outubro de 2011, com coordenação de D. José Francisco Sanches Alves (arcebispo de Évora) e de José Eduardo Franco.

As actas publicadas pela PRINCÍPIA Editora Ldª, conta 646 páginas.

O Livro pode ser adquirido no Mosteiro Concepcionista ou na Casa-Museu de Santa Beatriz em Campo Maior, na PRINCÍPIA Editora Ldª ou nas livrarias por todo o país.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

CONDESTÁVEL DE PORTUGAL! São Nuno de Santa Maria


São Nuno de Santa Maria


SÃO NUNO DE SANTA MARIA, religioso
Memória Litúrgica:
6 Novembro
 
Nota Histórica
Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu em Santarém (Portugal) a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo. Tinha uma admirável piedade e confiança para com a Santíssima Virgem Maria. Sentia grande satisfação em pedir esmolas pelas portas, desempenhar os ofícios mais humildes na casa de Deus, e mostrou sempre grande compaixão e liberalidade para com os pobres. Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de Abril).
 
Da Crónica dos Carmelitas da antiga e regular observância, nos Reinos de Portugal, escrita pelo Cronista geral da Ordem.
(Tom I, cap. XV-XVIII: Lisboa 1745, pp. 422-425. 429-431. 438. 440-441. 454. 459).
Exemplo de vida cristã
Admirável foi este santo varão pelas muitas e especiais virtudes que cultivou, não só depois do divórcio que fez com o mundo, mas também antes de receber o hábito religioso.
Na castidade foi sempre tão firme que jamais em prejuízo desta virtude se lhe conheceu o mais leve defeito.
Forçado da obediência se sujeitou ao casamento, que sem desagrado de seu pai, o não chegaria a evitar. Mas aos vinte e seis anos ficou absoluto do matrimónio, porque a inumana parca pôs termo à vida da sua esposa na flor de seus anos. Entrou El Rei no empenho de lhe dar outra esposa não menos digna de seu nascimento. Resistiu o invicto Condestável, encobrindo sempre o fundamento principal, que era o de viver casto.
Na oração foi tão incessante que admirava aos mesmos que faziam por ser nela seus imitadores. Faltava com o descanso ao corpo para se aproveitar da maior parte da noite orando mental e vocalmente.
Depois de ser religioso, estreitou mais o trato e familiaridade com o Senhor, porque então vivia no retiro conveniente para poder sem estorvo empregar todas as potências da alma no Divino Objecto que contemplava.
Na presença da soberana imagem da Virgem Maria Senhora Nossa, com o título da Assunção, derramava copiosas lágrimas; e com elas, melhor do que com as vozes, Lhe expunha as suas súplicas nas ocasiões que para si ou para os seus patrocinados Lhe pedia favores.
Exemplaríssima foi a humildade com que, fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida. Como árvore frutífera cujos ramos mais se inclinam quando é maior o peso dos seus frutos, assim este virtuoso varão mais submisso se mostrava com os triunfos e com as virtudes. Nunca no seu espírito teve lugar a soberba: antes, quanto lhe foi possível, trabalhou por desterrá-la dos ânimos dos que lhe seguiam as ordens e o exemplo.
Aos sacerdotes fazia tão profunda veneração que passava a ser obediência. A um criado seu de muita distinção, que havia tomado o hábito da nossa Ordem, assim que o viu professo e feito sacerdote, começou a respeitá-lo em tal forma que a todos causava admiração.
Com o hábito religioso adquiriu o irmão Nuno muitos hábitos de mortificação. O sangue que lhe corria do corpo, quando com ásperos flagelos o lastimava, também lhe diminuía os alentos: mas ainda desta fraqueza tirava forças para, com pasmosa admiração dos Companheiros, continuar em semelhantes exercícios até ao último prejuízo da vida, que em desempenho do ardentíssimo desejo que teve de a sacrificar a Deus, sempre reconheceu como trabalho, e estimou a morte como lucro.
Depois de religioso, foi o servo de Deus mais admirável nos exercícios da caridade. Não se contentava com distribuir as esmolas pelo seu pagador, como no século fazia; mas pelas próprias mãos, na portaria deste convento, remediava a cada um a sua necessidade.
Não menos caritativo era para com o seu próximo nas ocasiões que se lhe ofereciam de lhe acudir nas enfermidades. Assistia aos pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com os regalos administrados por suas próprias mãos.
Velava noites inteiras por não faltar com a assistência aos que nas doenças perigavam.
Continuando o Venerável Nuno de Santa Maria as asperezas da vida, sem nunca afrouxar dos seus primeiros fervores, chegou ao ano de 1431 tão destituído de forças, que no corpo apenas conservava alguns alentos para poder mover-se.
Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito, lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Memória Litúrgia de Santa Beatriz da Silva e Meneses
passará a celebrar-se no dia 17 de Agosto de cada ano
Contrariando a indicação do papa Paulo VI, a quando da Canonização (3.Outubro.1976), o calendário Português celebra a memória litúrgica da fundadora da Ordem da Imaculada Conceição a 1 de Setembro.
Com vista a uniformizar a data com a Igreja Universal, que celebra a sua memória a 17 de Agosto, com o grande empenho do Arcebispo de Évora e da Comunidade Monástica das Concepcionistas de Campo Maior, a Conferência Episcopal Portuguesa, na Assembleia Plenária que decorreu entre 7 e 10 de Novembro de 2011: "...concordou que se proporá à Santa Sé a mudança da celebração litúrgica de Santa Beatriz da Silva, passando do dia 1 de setembro para 17 de agosto, conforme consta na Bula de Canonização da fundadora da Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas)".
Por decreto da «Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum», com data de 22 de Fevereiro de 2012, chegou recentemente ao Presidente de Conferência Episcopal Portuguesa, a autorização da transferência da memória liturgica de Santa Beatriz da Silva e Meneses do dia 1 de Setembro para o dia 17 de Agosto, no Calendário Próprio de Portugal. Pelo que, a Memória Litúrgia de Santa Beatriz da Silva e Meneses passará a celebrar-se no dia 17 de Agosto de cada ano.

quinta-feira, 8 de março de 2012

3.ª CARTA de São João de Deus
À DUQUESA DE SESA
Endereço
98. Esta carta seja entregue à humilde e generosa senhora dona Maria de los Cobos y Mendoza, mulher do nobre e virtuoso senhor dom Gonçalo Fernández de Córdoba, Duque de Sesa, meus irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo.
99. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora, a Virgem Maria sempre intacta. Deus antes e acima de todas as coisas do mundo. Amém Jesus.
Deus vos salve, minha irmã em Jesus Cristo, boa Duquesa de Sesa, a vós, a toda a vossa companhia e a quantos Deus quiser e for servido. Amém Jesus.
100. A grande estima em que sempre vos tenho tido, a vós e ao vosso humilde marido, o bom Duque, faz com que vos não possa esquecer, pelo muito que vos devo e vos sou obrigado, por sempre me terdes ajudado e socorrido nos meus trabalhos e necessidade com a vossa bendita esmola e caridade, para sustentar e vestir os pobres desta casa de Deus e muitos de fora. Muito bem o tendes feito sempre, como bons defensores e cavaleiros de Jesus Cristo. É essa a razão que me leva a escrever-vos esta carta, boa Duquesa, pois não sei se vos tomarei mais a ver ou a falar. Jesus Cristo vos veja e fale convosco.
101. É tão grande a dor que me causa este meu mal, que não posso fazer sair as palavras nem sei se poderei acabar de vos escrever esta carta.
Muito gostaria de vos ver; por isso, rogai a Jesus Cristo para que, se Ele for servido, me dê a saúde que sabe ser-me necessária para me salvar e para fazer penitência dos meus pecados (Ap. 2, 21).
Se Ele for servido dar-me saúde, logo que esteja bom quero ir ter convosco e levar-vos as meninas que me mandastes pedir.
Minha irmã em Jesus Cristo, pensei ir a vossa casa pelo Natal, mas Jesus Cristo dispôs muito melhor do que eu merecia.
102. Oh, boa Duquesa! Jesus Cristo vos pague no Céu a esmola e santa caridade que sempre me tendes feito e vos traga com saúde o bom Duque, vosso muito generoso e humilde marido, e vos dê filhos de bênção; espero em Jesus Cristo que sim, que vo-los dará. Recordai-vos bem do que um dia vos disse em Cabra: tende esperança só em Jesus Cristo (Flp 3, 3; Imit L3 59, 1-3), que por Ele sereis consolada, mesmo que agora passeis trabalhos; porque, no fim, hão-de contribuir para maior consolação e glória vossa, se os sofrerdes por Jesus Cristo (Sab 3, 4-9; Tgo 1, 12).
103. Oh, bom Duque! Oh, boa Duquesa! Abençoados sejais por Deus, vós e toda a vossa geração. Já que vos não posso ver, daqui vos deito a minha bênção, ainda que indigno pecador.
Deus, que vos fez e vos criou, vos conceda a graça de vos salvardes Amém Jesus.
A bênção de Deus Pai, o amor do Filho e a graça do Espírito Santo estejam sempre convosco (2 Cor 13, 13), com todos e comigo. Amem Jesus.
Por Jesus Cristo sereis consolados e socorridos, pois por Jesus Cristo me ajudastes e socorrestes, minha irmã em Jesus Cristo, boa e humilde Duquesa.
104. Se Jesus Cristo for servido levar-me desta vida presente, deixo aqui disposto que, quando chegar o meu companheiro Angulo, que foi à Corte - o qual vos recomendo, pois fica muito pobre, ele e sua mulher -, vos leve as minhas armas, que são três letras de fio de ouro sobre cetim vermelho. Tenho-as guardadas desde que entrei em guerra com o mundo. Guardai-as muito bem com esta cruz, para as dardes ao bom Duque, quando Deus o trouxer com saúde.
105. As letras estão em cetim vermelho, para que sempre tenhais em vossa memória o precioso sangue que Nosso Senhor Jesus Cristo derramou por todo o género humano e a sua sacratíssima Paixão, pois não há mais alta contemplação do que a da Paixão de Jesus Cristo. Quem quer que dela for devoto não se perderá, com a ajuda de Jesus Cristo.
106. São três as letras, porque três são as virtudes que nos encaminham para o Céu: a primeira é a Fé, (pela qual) acreditamos em tudo o que crê e ensina a Santa Madre Igreja, guardamos os seus mandamentos e os pomos por obra; a segunda é a Caridade, (pela qual procuramos) ter caridade, primeiro com as nossas almas, purificando-as com a confissão e a penitência, depois com os nossos próximos e irmãos, querendo para eles o que queremos para nós (Mt 19, 19; Mc 12, 31); a terceira é a Esperança, só em Jesus Cristo, o qual, em troca dos trabalhos e sofrimentos que por seu amor passarmos nesta vida miserável, nos dará a glória eterna, pelos méritos da sua sagrada Paixão e por sua misericórdia.
107. As letras são de ouro porque, assim como o ouro é um metal muito precioso e, para brilhar e ter a cor que o torna apreciado, é separado da terra e das escórias em que é encontrado, e depois purificado pelo fogo para ficar limpo e puro, assim convém que a alma, que é uma jóia muito preciosa: seja separada dos prazeres e devassidões da terra, fique só com Jesus Cristo e depois seja purificada no fogo da caridade, com trabalhos, jejuns, disciplinas e áspera penitência, para ser apreciada por Jesus Cristo e resplandecer na adorável presença Divina.
108. Tem este pano quatro ângulos, que são as quatro virtudes que acompanham as três de que falámos antes e são estas: a Prudência, a Justiça, a Temperança e a Fortaleza.
A Prudência mostra-nos quão discreta e sabiamente devemos proceder em todas as coisas que tivermos de fazer e pensar, tomando conselho com os mais velhos e que mais sabem (Ecli 2, 1-5; Sab 3, 5-6).
A Justiça quer dizer ser recto e dar a cada um o que é seu: dar a Deus o que é de Deus e ao mundo o que é do mundo (Mt 22, 21; Mc 12, 17; Lc 20, 25).
A Temperança ensina-nos a tomar com moderação e sobriedade o comer, o beber, o vestir e todas as demais coisas que são necessárias para os cuidados do corpo humano.
A Fortaleza manda-nos que sejamos fortes e constantes no serviço de Deus (1 Cor 16, 13), mostrando cara alegre tanto nos trabalhos, fadigas e enfermidades, como na prosperidade e bem-estar, e por uns e por outros dar graças a Jesus Cristo (1 Tes 5, 16-18).
109. Na outra face deste pano há uma cruz em forma de X, que deve levar todo aquele que deseja salvar-se (Mt 16, 24; Lc 9, 23), cada um como Deus for servido e lhe der graça.
Embora todos apontem ao mesmo alvo (1 Cor 9, 24-27), deve cada um seguir o seu rumo, conforme Deus o encaminhar: uns serão frades, outros clérigos, outros ermitães e outros casados, pois em qualquer estado pode cada um salvar-se, se quiser (Ecli 33, 11-14; Is 48, 17; Jer 7, 23).
Tudo isto, boa Duquesa, o sabeis vós muito melhor do que eu, e é por isso que gosto de falar com quem me entende.
110. Três coisas devemos a Deus: amor, serviço e reverência. Amor, para que, como a Pai celeste, O amemos sobre todas as coisas do mundo (Deut 6, 4-5; Mt 22, 37; Lc 10, 27). Serviço, para que O sirvamos como Senhor (Deut 6, 13), não pelo interesse da glória que Ele há-de dar aos que O servirem, mas unicamente pela sua bondade. Reverência, como Criador, não trazendo o seu santo nome na boca senão para Lhe dar graças e bendizer o seu santo nome (Deut 5, 11).
111. Em três coisas, boa Duquesa, haveis de empregar o tempo de cada dia: na oração, no trabalho e no sustento do corpo.
Na oração, dando graças a Jesus Cristo, logo que vos levanteis de manhã, pelos benefícios e mercês que sempre vos faz, por vos ter criado à sua imagem e semelhança e nos ter concedido a graça de sermos cristãos; pedindo misericórdia a Jesus Cristo paraque nos perdoe, e rogando a Deus por todos (1 Tim 2, 1-5; Tgo 5, 16)
.
No trabalho, exercendo uma actividade física, ocupando-nos em algum serviço honesto, para merecermos o que comemos, a exemplo de Jesus Cristo que trabalhou até à morte, pois não há nada que engendre mais pecados do que a ociosidade (Ecli 33, 28-30; Ez 16, 49; 2 Tes 3, 11-13).
No sustento do corpo, pois, assim como um almocreve trata e mantém um animal para se servir dele, assim convém que demos ao nosso corpo o que lhe é necessário, para que, por meio dele, tenhamos forças para servir a Jesus Cristo (Mt 10, 10; 1 Cor 10, 31).
112. Minha irmã muito amada e muito querida, por amor de Jesus Cristo vos rogo que tenhais na memória três coisas, que são estas: a hora da morte, à qual ninguém pode escapar, as penas do Inferno e a glória da bemaventurança do Paraíso.
Sobre a primeira, pensar como a morte destrói e acaba com tudo o que este miserável mundo nos dá, não nos deixando levar connosco senão um pedaço de pano roto e mal cosido (Tim 6, 7).
Sobre a segunda, pensar como, por tão breves prazeres e divertimentos, que rapidamente passam, temos de os ir pagar, se morrermos em pecado mortal, ao fogo do Inferno que nunca mais tem fim.
Sobre a terceira, considerar a glória e bem-aventurança que Jesus Cristo tem reservada para aqueles que O servem, as quais nunca olhos viram nem ouvidos ouviram nem o coração pôde imaginar (1 Cor 2, 9; 2 Tim 4, 7-8).
113. Por isso, minha irmã em Jesus Cristo, esforcemo-nos todos desde já por amor de Jesus Cristo e não nos deixemos vencer pelos nossos inimigos (1 Jo 2, 15), mundo, demónio e carne. Sobretudo, minha irmã, tende sempre caridade, pois ela é a mãe de todas as virtudes (1 Cor 16, 14; Col 3, 14; 1 Pd 4, 8).
114. Minha irmã em Jesus Cristo, muito me aflige esta dor e não me deixa escrever; quero descansar um pouco, porque desejo escrever-vos longamente, pois não sei se nos tomaremos a ver.
Jesus Cristo esteja convosco e com toda a vossa companhia, etc. (Esta frase ficou incompleta. Parece que faltaram de todo as forças ao Santo para continuar.
Tudo indica terem sido as últimas palavras que ele escreveu (ditou?)
)

Nota - Não existe o original desta carta, mas a cópia que dela se fez para o exame dos escritos de São João de Deus, em ordem ao processo de beatificação, está no Arquivo da Ordem, na Cúria Geral, Ilha Tiberina - Roma.
(Fonte: Página Web dos Irmãos de São João de Deus em Portugal)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Cronologia de São João de Deus
1495 - Nasce São João de Deus (João Cidade) em Montemor-o-Novo, Arquidiocese de Évora (Portugal).
1503 - Deixa a casa paterna e fixa-se em Oropesa (Espanha).
1520 - Morre o seu Pai num convento em Lisboa.
1523 - Combate no Exército de Carlos V, na reconquista aos franceses de Fuenterrabia, nos Pirineus.
1524 - Regressa a Oropesa.
1532 - Novamente soldado. Agora em Viena contra os turcos.
1533 - Regressa a Montemor-o-Novo. Segue para Sevilha.
1535 - Dirige-se a Ceuta (então portuguesa), trabalha na fortificação da cidade e ajuda uma família em extrema necessidade.
1538 - Volta a Espanha e vende livros em Gibraltar. Transfere-se depois para Granada onde abre uma pequena livraria.
1539 - Em 20 de Janeiro, durante o sermão da festa de São Sebastião passa por uma crise de conversão que o leva ao hospital, dado como louco.
1539 - No Outono funda, em Granada, um hospital na Rua Lucena.
1546 - Recebe os primeiros discípulos: Antão Martin e Pedro Velasco
1547 - Transfere o seu hospital para um edifício maior, antigo convento, na Encosta de Los Gomeles.
1548 - Vai a Valladolid à corte pedir auxílio ao Príncipe Filipe (II).
1549 - Salva os doentes do Hospital Real incendiado.
1550 - A 8 de Março, com 55 anos de idade, em conseguência de uma pneumonia, morre na Casa dos Pisas, em Granada.
1630 - A 28 de Outubro, João de Deus é Beatificado pelo Papa Urbano VIII.
1690 - A 16 de Outubro, o Papa Alexandre VIII canoniza João de Deus.
1886 - O Papa Leão XIII declara-o Padroeiro dos Hospitais e dos Doentes.
É também reconhecido como padroeiro dos enfermeiros, dos livreiros e dos bombeiros.
(fonte: cf. página Web da
Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de São João de Deus)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DO ESPELHO DAS SANTAS MULHERES
Santa Beatriz da Silva (1437-1492)
e Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade (1889-1962)

Duas mulheres, duas obras e várias semelhanças. A primeira, Dona Beatriz da Silva, nascida por volta de 1437, fundou a Ordem da Imaculada Conceição. A segunda, Dona Maria Isabel Picão Caldeira Carneiro, nasceu em 1889 e fundou a Congregação das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, dedicando-a à então Beata Beatriz, canonizada algumas décadas depois.
Foi Santa Beatriz que Dona Maria Isabel elegeu para protectora colocando-a no nome da Congregação. Sentir-se-ia identificada com a Santa, com quem tinha certas semelhanças biográficas. Ambas tinham nascido no Alentejo, a pouca distância: Santa Beatriz em Campo Maior e Dona Maria Isabel no Monte do Torrão, em Santa Eulália. Ambas pertenciam a famílias fidalgas radicadas na região. Se Santa Beatriz fora pedida em casamento por duques e condes, recusando-o, Dona Maria Isabel fora pedida por um rico lavrador e aceitara. Neste aspecto, tinham seguido caminhos distintos, mas em duas dimensões da mesma castidade cristã: Santa Beatriz vinculada por um voto privado de virgindade, Dona Maria Isabel vinculada por um voto de fidelidade conjugal. Santa Beatriz foi feliz como virgem consagrada. Dona Maria Isabel também o foi, como esposa. Enviuvando jovem e sem filhos, assumiu o seu passado sem respeitos humanos: afirmou que tivera um casamento feliz e refere-se à morte do marido como o maior desgosto da sua vida. A viuvez e um novo discernimento vocacional conduziram-na à castidade religiosa, como fundadora de uma nova Congregação. Nesta condição também morrera Santa Beatriz, monja professa e fundadora de uma nova Ordem.
Ambas dedicaram a existência à Oração, à Penitencia e à Caridade. Se Santa Beatriz viveu em Castela orando, penitenciando-se e dando esmolas, Dona Maria Isabel teve semelhante perfil, dedicando-se, por Elvas e por outras localidades, ao serviço incansável do próximo. Ambas declinaram os bens temporais, investindo as suas fortunas em obras espirituais. Curiosamente, as duas sairam das suas terras natais e adoptaram como suas as cidades onde quiseram residir. Se Santa Beatriz morou a maior parte da sua vida em Toledo, num mosteiro de monjas dominicanas, acompanhada por duas criadas, Dona Maria Isabel, numa primeira
fase da sua vocação religiosa, quis ser monja num cenóbio dominicano e fez-se acompanhar igualmente por duas serviçais. Criadas de uma e de outra viveram o resto das suas vidas em relação íntima com as religiosas dos institutos que as suas senhoras fundaram. De notar, ainda, que 0 Mosteiro de São Domingos de Elvas foi lugar de referência para ambas: Santa Beatriz tê-lo-a frequentado com os seus pais e irmãos, que ali tiveram a Capela da Conceição para jazigo da família, e Dona Maria Isabel teve ali 0 espaço para a oração e discernimento vocacional. Ainda outra semelhança: ambas tinham requintado gosto artístico, pois Santa Beatriz encomendou importantes obras de arte e Dona Maria Isabel, que frequentou Belas Artes em Lisboa, dedicou-se à pintura.
Mas foi na devoção a Nossa Senhora da Conceição que mais se estabeleceu a coincidência entre ambas. Era devoção típicamente portuguesa, alentejana, ou não estivesse próxima a Igreja de Santa Maria de Vila Viçosa, surgida da primitiva fundação de São Nuno, com cuja neta, a Infanta Dona Isabel, vivera Santa Beatriz. Ambas, na vida e na obra, quiseram ser espelho da Virgem Maria, modelo de todas as mulheres cristãs. Para tal convocaram também outras mulheres, seguindo o caminho da consagração religiosa. Santa Beatriz restaurou e adornou os Palácios de Galiana e a Igreja de Santa Fé para a sua fundação, Dona Maria Isabel fez o mesmo nos antigos edifícios do mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Elvas, com a respectiva igreja. Se Santa Beatriz criou um hábito monástico que reflectia o esplendor de Nossa Senhora, também Dona Maria Isabel e as suas companheiras envergaram semelhante veste. Por fim, a maior semelhança entre ambas foi, sem dúvida, a construção da santidade. Santa Beatriz da Silva e Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade, nome de religião, foram mulheres notáveis, cujas vidas e obras ainda hoje resplandecem no seio da Igreja, de Portugal, no mundo inteiro.
José Félix Duque
in «Seara dos Pobres», nº 60 - Outubro/Novembro/Dezembro - ano 2011
Apresentação da nova Biografia de
SANTA BEATRIZ DA SILVA

6ª feira - 21 de Outubro de 2011 pelas 20.30h
Monjas da Ordem da Imaculada Conceição
(ou Monjas Concepcionistas de Santa Beatriz da Silva)
MOSTEIRO DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE CAMPO MAIOR

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Nova Biografia de Santa Beatriz da Silva
«SANTA BEATRIZ DA SILVA»

Autor:
Senra Coelho
(P. Francisco José Senra Coelho,
presbítero da Arquidiocese de Évora)

ISBN: 978-972-30-1587-4
Nº Páginas: 80
Edição:
Preço: 9.00€
PAULUS Editora
Rua D. Pedro de Cristo, 10
1749-092 Lisboa
Tel. 218 437 620 | Fax 218 437 629 |
editor@paulus.pt

Descrição:
«O presente livro sintetiza alguns momentos importantes da biografia de Santa Beatriz, juntamente com outras informações que facilitam uma necessária contextualização da sua vida e da sua obra. [...] Não arrastará os leitores para visões romanescas. Fará referência ao estilo hagiográfico das primeiras biografias da santa (escritas no início do século XVI) e apresentará correcção geral quanto a dados históricos, dela e do tempo em que viveu. Datas e nomes relacionados com Santa Beatriz da Silva, por exemplo, são dados que convidam os leitores a peqsquizar sobre a sua época e, portanto, sobre ela própria».

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Originalidade de Santa Beatriz chega até hoje
17 out 2011 (Ecclesia)
A Ordem da Imaculada Conceição (OIC), fundada pela portuguesa Beatriz da Silva (séc. XV) introduziu “uma espiritualidade mariana inovadora”, referem as conclusões do congresso internacional OIC, realizado em Fátima, entre sexta-feira e domingo.
No documento final desta atividade celebrativa dos 500 anos da Regra da OIC – aprovada pelo Papa Júlio II, a 17 de setembro de 1511 – realça-se também “o precioso contributo da OIC na maré de reformismo das congregações monásticas” e “as estratégias da política régia, da nobreza e do poder local que, nos séculos XVI a XVIII, interferem na fundação de mosteiros femininos e sua sustentação no recrutamento de vocações e na execução dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos beneméritos”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, a irmã Maria Helena Martins Alexandre, da OIC, sublinha que estas iniciativas “dão a conhecer melhor o âmbito histórico em que viveu Santa Beatriz da Silva” e “ajuda os jovens a conhecerem uma vida diferente”.

Há 11 anos na comunidade de Viseu – umas das duas comunidades, juntamente com a de Campo Maior, que a Ordem da Imaculada Conceição tem em Portugal -, esta religiosa refere que o congresso “deu a conhecer a OIC” e, como consequência, “poderão surgir novas vocações” porque a ordem fundada por Santa Beatriz da Silva “é pouco conhecida em Portugal”.

Nascida em Portugal em 1437 e falecida em Toledo (Espanha) em 1492, com canonização em 1976, Santa Beatriz da Silva foi apresentada como “uma mulher forte” e “uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura”.

Com cerca de 200 participantes, neste congresso fez-se também referência ao papel divulgador de Santa Beatriz em relação à Imaculada Conceição.

A fundadora da OIC exerceu um “papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra à Imaculada Conceição, na vivência integral dos valores espirituais humanos que esta incarna e inspira como modelo humano e feminino sempre atual e imitável”, pode ler-se.

Segundo as conclusões dos participantes, os “dinamismos criativos” apresentados no congresso devem “ser incentivados: olhar o passado, com rigor científico e histórico, no regresso às raízes e às fontes de sentido perene; olhar o presente, na vivência dos carismas ao serviço da comunhão e na procura da qualidade de vida contemplativa e da presença significativa no mundo; olhar o futuro, com renovada esperança, com paixão e entusiasmo”.
LFS
Conclusões do Congresso Internacional
da Ordem da Imaculada Conceição

1. Realizou-se, de 14 a 16 de Outubro de 2011 em Fátima, na Casa das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, o Congresso Internacional «Ordem da Imaculada Conceição – 500 anos. Santa Beatriz da Silva: Estrela para Novos Rumos». Santa Beatriz da Silva inspirou o andamento dos trabalhos do Congresso, que decorreram em ritmo de conferências, painéis e debates e no qual participaram cerca de 50 conferencistas e 200 congressistas. As actas, cuja publicação ansiamos para breve, constituirão certamente abundante manancial de reflexão e provocação de novas investigações.
2. Na sessão de abertura, em que foi lida uma saudação particular do Presidente da República, o Presidente da Comissão Organizadora do Congresso, D. José Alves, situou-o em contextos eclesial, académico e social, apelando a que os 155 mosteiros e 3000 monjas da OIC espalhadas pelos quatro continentes sejam «cidadelas do Espírito», na bela expressão de Bento XVI. Seguiu-se a saudação da Coordenadora da Confederação de Santa Beatriz da Silva e a apresentação do programa pelo Presidente da Comissão Científica, José Eduardo Franco. O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, encerrou a sessão, desejando que o Congresso contribua para dar resposta aos actuais anseios de profundidade e contemplação e para voltar a dar uma alma à Europa.
3. Na conferência inicial, moderada por D. José Alves, o eminente historiador José Mattoso situou-nos no tempo de Santa Beatriz da Silva, um tempo simultaneamente de esplendor e auge da História pátria e de profunda crise social e económica. No contexto da profunda renovação da vida religiosa, a Obra religiosa de Santa Beatriz da Silva surge como um dos acontecimentos típicos da capacidade da sociedade peninsular para superar a crise da época.
4. O painel intitulado «Ordens, Congregações e Institutos Seculares», moderado por Hermínio Rico, abordou quatro tópicos nesta caminhada pela história. Na caracterização das Ordens Monásticas no século XV, Arnaldo Espírito Santo realçou o fundamento da sua espiritualidade na Regra de São Bento e o esforço de reformação dos mosteiros nas questões do governo e administração dos bens, na observância e instrução das religiosas. António de Sousa Araújo caracterizou as Ordens Mendicantes na vivência da pobreza enquanto comunidade e fraternidade solidária, disso resultando uma subsistência em tensão de instabilidade, fruto do trabalho ou da sua falta (mendicância). David Sampaio Barbosa situou o surgimento das Congregações Religiosas no século XIX, como carismas ao serviço da sociedade em áreas como as instituições sociais, a saúde e o ensino, dando atenção ao pobre, ao doente, à infância abandonada e sem instrução e à missionação. João Miguel Almeida salientou a missão dos Institutos Seculares à luz de uma espiritualidade de compromisso com uma vida no mundo coerente com os valores evangélicos, na qual ganha revelo a dimensão mariana.
5. A abrir o painel «Expressões de Contemplação», moderado por António Rego, Maria Filomena Andrade propôs caminhos de uma espiritualidade feminina sempre renovada e alicerçada nas respostas aos desafios da sociedade e da Igreja de então, à semelhança de Santa Beatriz da Silva. Maria Cristina Osswald referiu a expansão da iconografia da Imaculada Conceição na Pintura e na Escultura, a partir do Concílio de Trento e sua inspiração mais recente nos protótipos iconográficos de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora de Lourdes. Inês Maria da Santíssima Trindade e Maria Inês da Cruz caracterizaram a contemplação da concepcionista centrada em Cristo e inspirada nos passos de Maria, a sua vocação universal, a vivência do amor de Deus e o saber saboreado. Nuno Saldanha apontou novas formas de expressão da religiosidade e devoção na pintura do século XIX, mais na linha do novo gosto, aspirações, formas de piedade e devoção populares, do que nos temas clássicos da santidade.
6. No painel «Imaculada Conceição, Mulheres e Ordens Religiosas», sob a moderação de Cristiana Isabel Lucas Silva, Francisco José Senra Coelho situou a OIC no contexto de outras ordens femininas em Portugal, realçando as Bulas papais da Reforma da Observância Pré-tridentina, no seguimento do impulso dado, pelo Concílio de Constança em 1417, aos movimentos reformadores da vida religiosa. Aires Gameiro falou das mulheres nas cartas e biografia do alentejano São João de Deus, nascido aquando da morte de Santa Beatriz da Silva. Inspirado pela Mulher Maria Imaculada, São João de Deus procurou reabilitar as mulheres de modo integral e com dignidade. Carlos Alberto de Seixas Maduro relacionou a Imaculada Conceição, o Rosário e a viabilidade de Portugal na óptica do Padre António Vieira. No tempo da Restauração, coube um papel muito particular à Virgem do Rosário e à Imaculada Conceição na viabilidade de um país que voltava a nascer e a que Vieira juntava a esperança messiânica de que fosse a cabeça do mundo. A finalizar o painel, Susana Mourato Alves-Jesus abordou de modo interligado a Ordem do Carmo, as Mulheres e os Direitos Humanos. No quadro do contributo que as Ordens Religiosas sempre tiveram no longo processo de afirmação dos Direitos Humanos, a Ordem da Imaculada Conceição teve especial participação, nomeadamente quanto ao papel da mulher na sociedade e à salvaguarda dos seus respectivos direitos.
7. O segundo dia do Congresso iniciou-se com uma conferência de José Félix Duque, sob a moderação de David Sampaio Barbosa, em que o autor abordou a «Vida e Obra de Santa Beatriz da Silva», que nasceu por volta de 1437 em Campo Maior e faleceu em 1492 em Toledo. A sua vida dedicada à oração, à penitência e à caridade, marcada por uma grande devoção à Imaculada Conceição, inspirou a Obra que nos legou, iniciada na fundação do Mosteiro da Conceição em Toledo. A sua canonização em 1976, pelo Papa Paulo VI, significa o reconhecimento da santidade desta Mulher Forte, fundadora da OIC, uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura. Aqui se exprime igualmente a pertinência em considerar as mulheres como agentes activos das culturas e das sociedades, capazes de grandes realizações.
8. O sugestivo subtítulo «enlaces e desenlaces» do painel sobre a «OIC e as outras Ordens», moderado pela Susana Mourato Alves-Jesus, contou com o contributo de quatro especialistas. Ao questionamento da existência de uma regra primitiva concepcionista, José Garcia Santos analisou minuciosamente os meandros da sua evolução e conexão com outras regras inspiradoras e concluiu que a Regra OIC resultou de uma caminhada muito longa e com muitas dificuldades do carisma que Deus concedeu a Santa Beatriz da Silva, até ao reconhecimento, pelo Papa Júlio II em 1511, da «Regra das Irmãs da Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria». Jacinto Guerreiro abordou a presença e memória das Ordens e Congregações Religiosas no Alentejo. Nos últimos cinco séculos, mesmo com o parêntesis secular da expulsão das Ordens do país, a mentalidade religiosa alentejana foi marcada pela presença de uma rede de instituições e famílias espirituais, em particular as Ordens Mendicantes, que tiveram enorme influência, quer nas manifestações e festas populares, quer no património cultural, pastoral e espiritual. Maria de Lúcia Brito Moura analisou o acolhimento e recepção das Ordens e Congregações Religiosas em Portugal, no período de 1834 a 1910 da Monarquia Constitucional. A Carta Constitucional, ao mesmo tempo que reconhece a religião católica como religião do Estado, põe fim às Ordens e Congregações Religiosas. Porém, neste ambiente de interdição, animosidade e discordância, algumas Ordens mantêm-se em situação de semi-clandestinidade até à expulsão definitiva em 1910. Zorán Petrovici apontou o caso da Madre Mercedes de Jesus, que a partir de 1966 liderou um movimento de regresso às fontes, conseguindo da Santa Sé algumas emendas que devolveram à OIC a espiritualidade concepcionista original, em substituição das referências ao espírito franciscano.
9. O painel «Carisma e Espiritualidade», moderado por Vítor Melícias, contou com duas participações. Manuel Curado ensaiou possíveis aproximações filosóficas à questão sobre quem auxiliou Santa Beatriz da Silva, a partir da lenda do baú que encerrou Santa Beatriz da Silva e de cuja caixa escura saiu com vida, através da ajuda da Senhora Branca. O mistério da lenda pode levar a relacionar a Senhora Branca com a Virgem Maria. José Eduardo Franco referiu as devoções ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, com apogeu no século XIX, como «espiritualidades quentes». Apresentou as raízes, a afirmação e a projecção dessas espiritualidades como propostas de vivência cristã, que revelam um Deus próximo, misericordioso, sensível e preocupado pelos homens, e que transportam consigo uma utopia de transformação do homem e da sociedade, comprometida com os homens e as mulheres de cada tempo.
10. Moderada pela Annabela Rita, a conferência de Joaquim Chorão Lavajo sobre «a Imaculada Conceição na Vida e Obra de Santa Beatriz da Silva» situou na história da Igreja a devoção do povo cristão à Imaculada Conceição, que teve o seu ponto culminante na definição dogmática de 1854. Santa Beatriz da Silva exerceu um papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra à Imaculada Conceição, na vivência integral dos valores espirituais humanos que esta incarna e inspira como modelo humano e feminino sempre actual e imitável.
11. No painel moderado por Maria de Fátima Eusébio sobre a «recepção da Imaculada Conceição na arte e na cultura ibéricas», começou Sílvia Ferreira por apresentar, de modo visual, representações escultóricas de Nossa Senhora da Conceição no Barroco português, em particular no período pós-tridentino. De modo específico, ensaiou a interacção entre imaginária e obra de talha retabular, cujas expressões majestosas proporcionam o cenário espacial e estético para a sua condigna adoração. Annabela Rita destacou a importância da Imaculada Conceição no processo de legitimação da identidade nacional; esta tendeu a legitimar-se num plano espiritual, em que a Imaculada Conceição reconfigura a aliança entre o divino e o humano em que a colectividade se reconhece. Maria Isabel Morán Cabanas falou da presença de Santa Beatriz da Silva no teatro espanhol do século XVII como paradigmas de diálogos ibéricos. Salientou, em particular, a lusofilia do dramaturgo Tirso de Molina focalizada em D. Beatriz da Silva. É na boca do rei D. João II de Castela que o dramaturgo põe a célebre frase: «Beatriz, mulher tão bela, só a merece Deus».
12. O painel «Posteridade espiritual de Santa Beatriz da Silva», moderado por Manuel Joaquim Gomes Barbosa, contou com variadas presenças. Maria Núria Campos Vilaplana apresentou o carisma de Santa Beatriz da Silva vivido por Ángeles Sorazu (1873-1921). Esta mística concepcionista dos inícios do século XX viveu unida com Cristo, seu Esposo, pelo amor, meta de toda a concepcionista, e acentuou na sua vivência a devoção a Maria em quatro aspectos intimamente relacionados: Maria é Imaculada, é o Tempo de Cristo, é Esposa, é pobre de Javé. José Luís França Dória e João Luís Cabral Picão Caldeira, familiares da Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade (1889-1962), apresentaram dois testemunhos sobre a fundadora das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres. Foram memórias vivas, vivências, registos e testemunhos familiares de quem conviveu de perto com a Madre Maria Isabel. Maria Ferraz Barbosa Santos referiu-se ao estabelecimento da OIC na América portuguesa, através da primeira presença, no século XVIII, do Convento da Lapa no Brasil. Joaquín Dominguez Serna falou de Santa Beatriz da Silva e a OIC, salientando o seu carisma monástico e contemplativo, centrado na Imaculada Conceição, e a íntima ligação com a Ordem Franciscana.
13. O terceiro e último dia do Congresso começou com a conferência de João Francisco Marques sobre «a OIC e as Ordens Religiosas femininas na Modernidade», sob a moderação de Francisco José Senra Coelho. O eminente historiador salientou, por um lado, o precioso contributo da OIC na maré de reformismo das congregações monásticas, introduzindo uma espiritualidade mariana inovadora, e a sua evolução nos séculos imediatos; por outro, referiu as estratégias da política régia, da nobreza e do poder local que, nos séculos XVI a XVIII, interferem na fundação de mosteiros femininos e sua sustentação no recrutamento de vocações e na execução dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos beneméritos.
14. Depois de uma intervenção de Geraldo Coelho Dias, apontando o contributo singular de Cister para a Ordem Beneditina, teve início o painel «Ordens Religiosas e Pastoral», moderado por Joaquim Chorão Lavajo. Isidro Pereira Lamelas apontou o caso dos Mendicantes numa pastoral de cidade, com relevância histórica e actual da viragem pastoral específica da «fuga mundi» ao «ire per mundum» pregando o Evangelho da Paz, novidade trazida por S. Francisco de Assis e pela Regra Franciscana. José Antunes da Silva apresentou uma pastoral de missão de fronteira. As Ordens Religiosas são desafiadas a viver nas fronteiras da crença/descrença, dos pobres, das culturas e das religiões. Aqui, a missão requer um novo estilo de presença, que valorize a contemplação frente ao activismo, a colaboração face ao individualismo e o diálogo em oposição à conquista. Luís Machado Abreu situou as Ordens e Congregações no Portugal contemporâneo. Realçou as profundas e bruscas mudanças políticas no século XIX e XX, que tiveram forte repercussão nas Ordens e Congregações, em particular as deliberações de 1834 e 1910 de as eliminar do nosso pais. Salientou ainda a coragem e a criatividade que tiveram nas respostas aos desafios dos tempos adversos e das situações favoráveis.
15. «Actualidade da vida monástica» foi o tema da conferência de Mariano José Sedano Sierra, historiador vindo da Rússia, sendo moderador Augusto Moutinho Borges. Nos factores do mundo presente que interpelam a vida monástica, a crise de Deus constitui um desafio à paixão por Deus. Os monges, que têm como único fim a busca de Deus, são chamados de modo particular a contribuir para o regresso, de modo novo, à experiência do Deus vivo. Ícones vivos da invisível luz do Tabor, são chamados á oração transformadora em comunhão com todos os homens, à integração na vida comunitária e na Igreja, à grande solidariedade com os homens, à ecologia monástica e ao testemunho de ecumenismo radical na Igreja indivisa.
16. A sessão de encerramento, presidida por D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, teve início com palavras agradecidas da Abadessa do Mosteiro de Campo Maior, a que se seguiu a leitura das conclusões por Manuel Joaquim Gomes Barbosa. José Eduardo Franco reiterou agradecimentos e objectivos do Congresso, entre eles a pretensão de dar cidadania académica a esta celebração jubilar. O Ministro Geral da Ordem Franciscana convidou os participantes a viver o presente com paixão, como Santa Beatriz da Silva, para olhar o futuro com renovada esperança. O Bispo de Viseu convidou igualmente os presentes a levarem na alma a contemplação de Deus e a integração de tudo no seu lugar, ao jeito das Irmãs Concepcionistas. A finalizar, D. José Alves prestou homenagem à equipa do CLEPUL pela fé, competência e coragem que colocou neste projecto e noutros de arrojo semelhante. O Congresso encerrou-se com a entoação de louvor «Salve Regina» por todos os congressistas.
17. As vertentes cultural e artística estiveram igualmente presentes durante o Congresso, através dos Coros Mozart de Viseu e Fórum Música de Lisboa, e da Banda de Investigação CLEPUL «Ai Deus e u é». De destacar ainda a apresentação de um documentário audiovisual sobre a OIC e o lançamento da obra monumental «Mosteiros e Conventos, Ordens e Congregações: 1000 anos de empreendedorismo cultural, religioso e artístico em Portugal», fruto da vontade extraordinária de um leque de jovens e competentes investigadores, liderados por José Eduardo Franco. A homenagem a João Francisco Marques, um dos maiores vultos na Historiografia Religiosa em Portugal, constituiu ainda momento de relevo cultural.
18. O Congresso encerra hoje, mas os dinamismos criativos aqui apresentados devem ser incentivados: olhar o passado, com rigor científico e histórico, no regresso às raízes e às fontes de sentido perene; olhar o presente, na vivência dos carismas ao serviço da comunhão e na procura da qualidade de vida contemplativa e da presença significativa no mundo; olhar o futuro, com renovada esperança, com paixão e entusiasmo, que só pode ser em Deus por intercessão da Imaculada Conceição. Só assim Santa Beatriz da Silva poderá ser verdadeiramente Estrela para Novos Rumos nas nossas vidas e instituições, na Igreja e na sociedade.
Fátima, 16 de Outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

José Mattoso sublinha capacidade de «encontrar soluções realistas» demonstrada ao longo dos séculos
Especialista classifica obra de Santa Beatriz da Silva
como reação para superar «crise da época»

LFS/Ecclesia | José Mattoso 14 out 2011 (Ecclesia) – O historiador José Mattoso disse hoje em Fátima que a obra religiosa de Santa Beatriz da Silva, do século XV, surge como um dos acontecimentos “típicos da capacidade de reação peninsular na superação da crise da época”.
Na conferência inaugural do Congresso Internacional dos 500 anos da Ordem da Imaculada Conceição (OIC), sobre «O tempo de Santa Beatriz», a decorrer em Fátima, no auditório das Irmãs Concepcionistas, de hoje até domingo, o especialista referiu também que as crises sociais e económicas, “mesmo as mais graves, constituem um desafio e até estímulo à renovação da sociedade”.
Neste congresso - com cerca de duas centenas de participantes - o orador ao fazer referência à crise atual, ainda que desconhecendo “as suas dimensões e as suas consequências”, recordou outras crises na história: “Algumas fizeram vítimas, mas também enriqueceram experiências de vida e ensinaram a encontrar soluções realistas, eficazes e abrangentes”.
Assinalando 500 anos da aprovação da Regra da OIC pelo Papa Júlio II, Mattoso referiu que na versão vulgar da historiografia portuguesa se considera que o século XV “como o tempo de esplendor”.
No entanto, afirmou o historiador, nesta época existiu “uma profunda crise social e económica que só a muito custo foi efetivamente superada” e um dos seus aspetos “mais esquecidos” é o da “profunda renovação da vida religiosa, tanto mais vigorosa, quanto mais contrastante com a decadência e até corrupção das ordens antigas e da hierarquia eclesiástica”.
Beatriz da Silva, nascida por volta do 1437 em Campo Maior, viveu desde os 14 anos em reclusão no mosteiro de São Domingos de monjas dominicanas, em Toledo (Espanha), alcançando em 1489, uma primeira aprovação papal para a sua comunidade monástica através da bula ‘Inter Universa’, do Papa Inocêncio VIII, mas só após a sua morte (1492), a Ordem da Imaculada Conceição obteria a bula fundacional ‘Ad Statum Prosperum’, no ano de 1511.
Santa Beatriz foi canonizada pelo Papa Paulo VI a 3 de outubro de 1976.
LFS/OC
Santa Beatriz da Silva
Estrela para Novos Rumos
Apresentação
Santa Beatriz da Silva, a única mulher portuguesa que fundou uma ordem contemplativa, faleceu em Toledo, no ano 1492, com 55 anos de idade, antes que a Regra da Ordem da Imaculada Conceição (OIC) fosse aprovada pelo Papa Júlio II, no dia 17 de Setembro do ano 1511. São já passados 500 anos sobre esse ato fundante, exarado na bula papal Ad Statum Prosperum. A Ordem da Imaculada Conceição não só sobreviveu às fortes crises políticas, ideológicas e sociais que marcaram a Europa e o mundo ocidental como também se difundiu por diferentes países da Europa, da América e da Ásia e continua a afirmar-se com pujança através de quase centena e meia de mosteiros. Este é um facto notável que merece ser posto em relevo. Ora quando, nos nossos dias, é frequente ouvir-se falar de crise da vida consagrada, a vitalidade desta ordem contemplativa não pode passar despercebida aos historiadores e aos estudiosos dos fenómenos sociorreligiosos.
Ao contrário do que seria expectável, verificamos, com alguma mágoa, que em Portugal não são suficientemente conhecidas nem a figura ímpar de Santa Beatriz da Silva nem a Ordem monástica por ela fundada. Por isso, consideramos que tem todo o sentido a iniciativa do Congresso Internacional, aliás bem acolhida tanto no meio eclesiástico como no meio académico. Num e noutro se sente a necessidade de tornar mais conhecida a personalidade, a vida e a obra de Santa Beatriz da Silva, tendo em conta o contexto cultural, sociopolítico e religioso em que ela viveu. Por outro lado, importa estudar e conhecer os sólidos alicerces sobre os quais edificou a sua Ordem da Imaculada Conceição, que experimentou tão rápida expansão ao longo do século XVI, com perto de uma centena de fundações, e foi capaz de resistir aos ventos e tempestades da história, durante cinco séculos (Mt 7, 24-25).
A vida da Fundadora e a vida da OIC constituem dois filões fecundos não suficientemente explorados. Deles saberão os investigadores que tomam parte no Congresso extrair os tesouros novos e antigos, que permitam colocar Santa Beatriz da Silva ao lado das grandes figuras nacionais, imortalizadas pelos nobres e heroicos feitos praticados em favor da cultura e da santidade. É uma honra que lhe é devida por ser portuguesa e, mais ainda, por ser mulher, sobretudo, se tivermos em conta que, no século XV, o papel social da mulher era muito inferior ao do homem e bem diferente do atual.
A maior expansão da Ordem da Imaculada Conceição deu-se logo no século XVI, com cerca de uma centena de fundações. Mas, a vinda para Portugal das Filhas de Santa Beatriz da Silva foi tardia e a sua presença manteve-se sempre discreta. Entre 1629 e 1732, apenas se estabeleceram sete comunidades, na área continental, que vieram a desaparecer com a expulsão das ordens religiosas. Presentemente, são dois os mosteiros com comunidades residentes: o de Campo Maior, fundado por cinco monjas espanholas, em 1942, e o da Quinta do Viso, perto de Viseu, fundado a partir da Comunidade de Campo Maior, em 1970. Diferente é a situação no Brasil, onde existem, presentemente, 18 mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição.
Seria interessante investigar as causas destas assimetrias. Sendo portuguesa a Fundadora, como se explica uma presença tão discreta da Ordem em Portugal, mesmo na atualidade? É certo que, apesar de serem apenas duas, as comunidades portuguesas são bastante jovens e acalentam esperança de crescimento. Com efeito, nota-se na sociedade portuguesa uma renovada atração pela vida contemplativa. Será isso um bom sintoma para que demos crédito a quem vaticinou que o século XXI virá a ser o século do misticismo?
Espero que o Congresso Internacional, alargando os horizontes para lá da Ordem da Imaculada Conceição, nos ajude a aprofundar e a compreender as coordenadas da vida contemplativa, como semente de vida nova nesta sociedade, prisioneira do presente, desprovida da vitalidade de que as raízes da História são garantia e privada de um ideal que lhe permita vislumbrar o futuro para lá das nuvens que escurecem o sol.
Termino agradecendo a preciosa, competente e dedicada colaboração de todos quantos se quiseram associar a nós para esta comemoração jubilar. Oxalá a semente que ora lançamos à terra produza muitos e saborosos frutos no ambiente cultural, social e religioso.
+ José Francisco Sanches Alves
Arcebispo de Évora

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Santa Beatriz da Silva,
mulher inovadora

Congresso internacional aborda vida e obra da fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, que assinala 500 anos de existência

Lisboa, 13 out 2011 (Ecclesia)
Historiadores lusos e estrangeiros reúnem-se entre sexta-feira e domingo, em Fátima, num congresso internacional para lembrar a vida e obra de santa Beatriz da Silva, fundadora da única ordem contemplativa portuguesa, aprovada pelo Papa há 500 anos.

A iniciativa recorda “uma mulher forte de origem portuguesa que quis afrontar os cânones sociais e mentais ibéricos do tempo e encontrar um espaço de protagonismo e de liberdade interior”, assinala o presidente da comissão científica do congresso, José Eduardo Franco, em texto escrito para o semanário Agência ECCLESIA.
O especialista do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa diz ser de “toda a pertinência e importância a realização de um grande congresso internacional”, dedicado aos 500 anos da Ordem da Imaculada Conceição e à sua fundadora.
Os trabalhos vão ser abertos, pelas 09h00, pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e o arcebispo de Évora, D. José Alves, presidente da comissão organizadora do congresso internacional.
A conferência inaugural vai ser proferida pelo historiador José Mattoso (Universidade Nova de Lisboa), que vai abordar o tema “O tempo de Santa Beatriz da Silva”.
A iniciativa, que terá como palco o auditório da Casa de Santa Clara, das irmãs concecionistas, pretende “trazer ao conhecimento do público em geral quem foi essa figura extraordinária de mulher do século XV”, explica D. José Alves, em entrevista ao Programa ECCLESIA.
Beatriz da Silva, nascida por volta do 1437 em Campo Maior, viveu desde os 14 anos em reclusão no mosteiro de São Domingos de monjas dominicanas, em Toledo (Espanha), onde, segundo Eduardo Franco, “ganha fama de santidade e modelo de vida espiritual”, juntando à sua volta outras mulheres.
“Do ponto de vista litúrgico, espiritual, organizacional e jurídico [Beatriz] planeia a constituição de um mosteiro que fará nascer uma ordem feminina com autonomia, com prerrogativas próprias e liberdade de escolhas, afrontando uma tendência de fazer depender as fundações monásticas femininas das regras e ordens masculinas”, refere o presidente da comissão científica do congresso internacional.
Santa Beatriz alcançou, em 1489, uma primeira aprovação papal para a sua comunidade monástica através da bula ‘Inter Universa’, do Papa Inocêncio VIII, mas só após a sua morte (1492), a Ordem da Imaculada Conceição obteria a bula fundacional ‘Ad Statum Prosperum’, no ano de 1511, com a assinatura do Papa Júlio II.
Segundo Eduardo Franco, “ tem-se assistido nas últimas décadas a um novo florescimentos dos mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição tanto na Europa como fora do velho continente cristão, nomeadamente na América Latina”.
“Só no Brasil existem 18 mosteiros desta ordem. Em Portugal, existem duas comunidades refundadas no século XX. Uma em Campo Maior e outra perto de Viseu na Quinta do Viso”, precisa.
Beatriz da Silva foi canonizado pelo Papa Paulo VI a 3 de outubro de 1976.
JEF/OC