"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Datas principais
da vida da Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
1/Fevereiro/1889: Nasceu na freguesia de Santa Eulália no Alentejo - Portugal
3/Março/1889: Foi baptizada com o nome de Maria Isabel Picão Caldeira
20/Março/1912: Casou com o primo, João Pires Carneiro
17/Junho/1922: Após dez anos de felicidade conjugal, sofreu o maior desgosto da sua vida, com a morte do marido
de 1922 a 1934: Viúva e sem filhos, durante onze anos, entregou-se às obras de Apostolado na sua terra natal
8/Setembro/1934: Sentindo o apelo de Deus a uma consagração, entra nas Dominicanas de Clausura, em Azurara, onde permaneceu apenas sete meses, por falta de saúde
20/Março/1936: A convite do Arcebispo de Évora, o Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, abre a Casa de Retiros em Elvas, iniciando aí uma vasta acção apostólica de serviço aos Pobres e dá os primeiros passos em ordem à fundação da Congregação das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
20/Dezembro/1939: Com a aprovação oral do Arcebispo, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, funda a primeira Comunidade Concepcionista
de 1939 a 1944: Condoída por tantos pobres que vagueavam pelas ruas, abre em Elvas uma Creche, um Abrigo Infantil e a Sopa dos Pobres, gastando para isso os seus bens patrimoniais
Responde a outros pedidos e toma conta de algumas Obras Assistências, no Alentejo
31/Dezembro/1948: Faz Votos religiosos, juntamente com doze companheiras
nos anos que se seguem: abriu várias Comunidades, expandindo a Obra por outras Dioceses de Portugal
5/Julho/1955: depois de um árduo caminho cheio de contrariedades e incompreensões, o Papa Pio XII, concede a aprovação às Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
20/Dezembro/1955: Faz a Profissão Perpétua com outras sete Irmãs, e no mesmo dia é proclamada a erecção canónica da Congregação, pelo então Arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro
de 1955 a 1960: recebe dezenas de pedidos para Obras Assistenciais e abre cinco Comunidades
3/Julho/1962: Faleceu em Elvas, depois de uma vida toda voltada para os outros, sobretudo os mais Pobres e foi sepultada em Santa Eulália em jazigo de família
20/Dezembro/1980: Os seus restos mortais foram transladados para a Casa-Mãe da Congregação, em Elvas, onde se encontram actualmente
5/Julho/1998: foi aberto o Processo de Canonização
5/Julho/2000: foi encerrado o Processo de Canonização

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ocorre, hoje, o 32º aniversário da solene Canonização da alentejana campomaiorense Beatriz da Silva e Meneses.
A cerimónia decorreu na Basílica de São Pedro do Vaticano, em Roma, a 3 de Outubro de 1976, tendo sido presidida pelo Romano Pontífice de então, o Papa Paulo VI.
Queremos fazer memória deste acontecimento eclesial tão importante para Portugal, pois Santa Beatriz da Silva, até ao momento, é a única mulher portuguesa a ser canonizada.
Fórmula da Canonização
(pronunciada pelo Papa Paulo VI)
Em honra da Santa e Indivisa Trindade,
para a exaltação da fé Católica
e incremento da vida cristã,
com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo,
dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Nossa,
depois de madura deliberação
e implorando muitas vezes o auxílio divino,
e com o conselho de muitos dos Nossos Irmãos,
decretamos e definimos que
a Beata Beatriz da Silva É SANTA,
e a inscrevemos no catálogo dos Santos,
estabelecendo que deve ser venerada com piedosa devoção
entre os Santos da Igreja Universal.
Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Publicada nova Biografia
de Santa Beatriz da Silva
No 1º fim de semana de Setembro, durante as festas de Santa Beatriz, em Campo Maior, foi posto à venda um ensaio sobre a vida e obra da Santa Campomaiorense.
A obra da autoria de José Félix Duque, com 385 páginas, tem por título Dona Beatriz da Silva, Vida e Obra de uma mulher forte”, foi publicada pelas Edições Labyrinthus.
O autor, baseando-se nas fontes biográficas primitivas e em documentos até agora desconhecidos, põe à disposição do leitor um ensaio inovador sobre a fundadora da Ordem monástica da Imaculada Conceição, sendo a mais completa biografia de Santa Beatriz da Silva, única mulher nascida em Portugal, até ao momento, a ser canonizada (em 1976).
É de destacar neste ensaio a documentação e argumentação, que deita por terra a descarada e desonesta manipulação de fontes usada por Jerónimo de Mascarenhas (século XVII, 211 anos depois do nascimento da Santa, 1648), numa obra nunca publicada nem divulgada: “Historia de la ciudad de Ceuta”, estranhamente arrancada ao completo esquecimento e publicada em inícios do século XX (1918, 270 anos depois de escrita e 481 depois do nascimento da Santa), em pleno processo de Beatificação que dá a Santa como nascida em Ceuta, depois de mais de 4 séculos de tradição e documentação que a dão inequivocamente nascida na vila alentejana de Campo Maior.
A obra pode ser adquirida, em várias livrarias, pedindo directamente à editora, no Mosteiro de Santa Beatriz da Silva de Viseu e no Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ORAÇÃO
pela Beatificação do Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, que Vos dignastes elevar ao episcopado o vosso fiel servo D. Manuel Mendes da Conceição Santos, e lhe concedestes a graça de ser defensor intrépido da Fé, apóstolo zeloso da Esperança, generoso advogado da Caridade, devotíssimo da Mãe de Deus e modelo de todas as virtudes pastorais, dignai-Vos agora, em atenção aos seus merecimentos, conceder-nos a graça que Vos pedimos (pede-se a graça), para que, plenamente seguros da eficácia da sua intercessão junto de Vós, o possamos contemplar um dia na glória dos altares. Ámen.
Pai-Nosso..., Avé-Maria e Glória ao Pai...
Aos que receberem graças por intercessão do Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, devem participá-lo para:
Vice-Postulação: D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Irmãs Servas da Santa Igreja - Rua das Fontes, 68
7000-589 Évora
PORTUGAL

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Datas Principais
da vida do Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
13-12-1876 - Nasce em Pé de Cão - Olaia - Torres Novas
28-12-1876 - É baptizado na Igreja de Olaia
02-08-1890 - Entra no Seminário de Santarém
20-10-1895 - Vai para Roma estudar
1898 - Regressa de Roma, diplomado em Teologia e em Letras Latinas
27-05-1899 - É ordenado Presbítero em Santarém
04-06-1899 - Celebra a 1ª Missa na Igreja do Salvador, em Torres Novas
08-09-1905 - Entra na Diocese da Guarda, como Vice-Reitor do Seminário
1909 - É nomeado Cónego da Sé da Guarda
03-05-1916 - É ordenado Bispo de Portalegre na Igreja do Carmo, em Torres Novas
07-05-1916 - Entra solenemente na Diocese de Portalegre
24-07-1920 - É nomeado Arcebispo de Évora
11-02-1921 - Entra solenemente na Arquidiocese
13-05-1928 - Benze a 1ª pedra da Basílica de Fátima
24-09-1945 - Funda a Congregação das Servas da Santa Igreja
30-03-1955 - Morre santamente no Paço Arquiepiscopal de Évora
01-04-1955 - O seu corpo é depositado num jazigo, no Cemitério dos Remédios, em Évora
30-05-1963 - Os seus restos mortais são trasladados para a Basílica Metropolitana de Évora
11-02-1972 - O Sr. D. David de Sousa, Arcebispo de Évora, declara aberta a Causa de Canonização de D. Manuel Mendes da Conceição Santos

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Santa Beatriz da Silva
virgem e fundadora
memória litúrgica: 1 de Setembro

Resumo Biográfico
Nasceu em Campo Maior, Alentejo (arquidiocese de Évora) por volta de 1437. Ainda muito jovem, passou à corte de Castela em 1447 como dama de honor da Infanta D. Isabel de Portugal. Para se poder dedicar a uma vida cristã mais perfeita, retirou-se da corte para o mosteiro dominicano de São Domingos "O Real" de Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos. como leiga e hóspede. Em 1484 fundou a Ordem da Imaculada Conceição (Monjas Concepcionistas), que foi aprovada pelo papa Inocêncio VIII em 1489. Em 1511 o Papa Júlio II atribui-lhe Regra própria. Faleceu com fama de santidade a 9 de Agosto de 1492. Foi canonizada por Paulo VI a 3 de Outubro de 1976.
Espiritualidade da Santa
São três os elementos fundamentais da sua espiritualidade: A Paixão de Cristo, O Santíssimo Sacramento do Altar e A Imaculada Conceição de Maria.
A Paixão
Da sua contemplação nutria a sua caridade: "Desde muito menina mostrou-se devotíssima da Paixão de Jesus Cristo... e desta devoção tirava grandes desejos de padecer por amor de Deus e do próximo, querendo antes morrer que o seu próximo passasse alguma necessidade". (Testemunho da princesa de Asculi no Processo, Folio 422)
A Sagrada Eucaristia
"Foi muito devota do Santíssimo Sacramento do Altar... mesmo se frequentava Este Manjar... continuava uma comunhão espiritual sem interrupção... tirando da sua assistência ao Santíssimo Sacramento... o conservar a sua pureza angelical e de viver retirada de todas as coisas do mundo. Este era o seu descanço, e a sua alegria estava em fazer tudo o que lhe parecia ser do gosto do seu doce esposo Jesus" (sor Catarina de Santo António, O.C. p. 67). Nos dizem os testemunhos do processo que falava com os sacerdotes de joelhos, considerando neles a alteza do seu sagrado ministério ligado ao Sacramento do Altar.
A Santíssima Virgem na Sua Imaculada Conceição
A tarefa, o carisma específico que Beatriz dexou à Igreja, consiste em viver uma vida de louvor à Trindade pelo facto de ter criado Maria fazendo-a Imaculada. Esse louvor vivve-se em oferenda da própria vida associada ao mistério Eucaristico: "oferecer os vossos corpos como hóstia viva, santa, agradável a Deus, e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente para que saibais discernir o que é Vontade de Deus, o bom, o que Lhe agrada, o perfeito". A dimensão apostólica desta vida, encontra-se no culto liturgico ao Mistério da Conceição Imaculada de Maria, e à irradiação ou comunicação às almas da presença de Mãe de Deus, fazendo-lhes perceber como actua Maria na vida espiritual das almas, introduzindo-as e elevando-as até ao mais alto da santidade.
A vocação concepcionista é pois um chamamento a dedicar a vida em íntima união com Maria à contemplação da sua Conceição Imaculada, oferecendo ao mundo uma lição de procura pela obediência d'Aquele de quem o homem se tinha afastado por causa da sua desobediência. A concepcionista deseja colaborar assim com a graça mediante o exercício de uma vida monástica escondida na adoração eucarística, na solidão e no siêncio, a fim de contribuir, conforme o desejo Divino, a restabelecer a ordem original da criação: o diálogo da criatura com o Criador.
Esta forma de vida, idubitávelmente alta forma de santidade, não deixa de conter uma mensagem oportuna para o momento presente. O homem de hoje, com frequência céptico e relativista perante a verdade e o bem, possui um marcado acento e sensibilidade pela beleza. Santa Beatriz, mulher admirada pelas suas grandes prendas de corpo e de alma, ensina-nos onde se encontra a fonte da beleza eterna, reflectida nitidamente no Mistério da Imaculada. Nas Palavras do Papa Paulo VI durante a homilia pronunciada na cerimónia de canonização de Beatriz, é no Mistério da Conceição de Maria, onde para a santa fundadora "está encerrado o segredo da sua experiência espiritual e o da sua santidade... a branca limpeza da Virgem foi o ideal da sua vida". Afirma o Papa que esta mensagem é actual para um mundo permissivo que com frequência, "em nome de uma mal entendidad liberdade..., inverte os valores da honestidade, do pudor, da dignidade, do direito dos outros. Quer dizer, dos valores sobre os que se baseia qualquer convivência civil ordenada".
(da homilia pronunciada por Sua Excia Revma o Sr. D. Manuel Monteiro de Castro, núncio apostólico em Espanha, a 17 de Agosto de 2001, no Proto-Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição/Toledo)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Beato Amadeu da Silva
reformador franciscano
e fundador da Congregação dos Amadeítas
irmão de Santa Beatriz da Silva
Memória Litúrgica: 10 de Agosto
João da Silva e Meneses, conhecido por Beato Amadeu da Silva (Beato Amadeu Hispano ou Beato Amadeu Lusitano), era filho de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da vila alentejana de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de João pertenciam à primeira nobreza do reino e estavam ainda aparentados com a família real.
Foi o quinto de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, Branca, Guiomar, Santa Beatriz (fundadora da Ordem da Imaculada Conceição ou Monjas Concepcionistas), Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Nasceu por volta de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde os pais moravam nesta data.
Casou aos dezoito anos com uma donzela, com quem não chegou a coabitar. Pelos vinte anos, participou da Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos, tentando depois seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, segundo os seus biógrafos, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Nas biografias populares, generalizou-se a fantasia da sua paixão pela infanta dona Leonor, a bela irmã do rei dom Afonso V, futura mulher do sacro imperador dos romanos, Frederico III da Alemanha, em cujo séquito teria chegado a Itália, depois de partir de Lisboa, por mar, no dia 11 de Novembro de 1451. Mas, pelo contrário, João de Meneses saiu do Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, com carta do prior Gonçalo de Illescas, passada em 11 de Dezembro de 1452, dirigindo-se a Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou por Avinhão, Génova e Florença. Os seus milagres foram conhecidos por toda a Itália, onde tomou o nome de frei Amadeu Hispano, numa referência bastante lata à Hispânia, a região ibérica da sua origem. Em Perusa, frei Ângelo, o ministro-geral da Ordem, negou-lhe audiência.
Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Sofreu perseguições por três anos, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral, que o recebeu em profissão. A sua piedade e devoção configuraram a imagem de um santo vivo, que, apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou muitos devotos, atraídos pelos seus inúmeros milagres. A sua fama chegou a uma sobrinha do papa Nicolau V, que foi uma dos miraculados. As peregrinações aos muros do Convento irritaram ainda mais os frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, muitas humilhações e dificuldades. Enviaram-no depois a Roma, ao papa Calisto III, sob influência de alguns frades que viviam na corte, de modo a obriga-lo a regressar à Península Ibérica.
Descobrindo que iria cair numa cilada, frei Amadeu Hispano pediu a protecção do ministro provincial, então em Perusa, alcançando letras comendatícias para o ministro-geral. Em Bréscia, este deu-lhe letras obediênciais para ir para o Convento de São Francisco da Porta Varcellina de Milão, situado na actual Praça de Santo Ambrósio. Acompanhou-o frei Jorge de Valcamonica, que se tornou seu confidente e que, posteriormente, testemunhou a sua santidade. Neste convento, os seus milagres e prodígios foram abundantes e, entre os numerosos devotos, contaram-se Francisco Sforza e sua mulher Branca Maria, duques de Milão. A duquesa confiou nas suas preces para várias necessidades, incluindo a concepção de um filho. Frei Amadeu mudou depois para um outro convento de Milão, buscando maior quietude, com a licença do Capitulo Geral, presidido pelo ministro-geral frei Tiago Bussolini de Mozanica, já no Pentecostes de 1457. Também o Convento de São Francisco de Mariano de Como não lhe deu a almejada paz, por causa da concorrência dos devotos.
Foi no Convento de São Francisco de Oreno que, desistindo da sua vocação eremítica, começou a dirigir-se às multidões e chegou a aceitar a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na festa da Anunciação, 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre grandes magnatas. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que hoje se conservam.

A 15 de Maio de 1452, teve uma audiência com o duque de Milão, ao que parece para pedir apoio para fundar um convento. Consta que a duquesa de Milão alcançara uma bula do papa Pio II para fundar um convento franciscano em Castiglione, na diocese de Cremona. Passaria a chamar-se Stª Maria de Castigliori (que mudou depois o titulo para Santa Maria de Guadalupe, por insistência de frei Amadeu, que era muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe). A duquesa conseguiu a doação deste convento a frei Amadeu, no ano seguinte. Este fez dele o centro da sua actividade de reforma da Ordem de São Francisco. Fundou mais conventos: São Bernardino de Erbusto e São Francisco de Iseo, na província de Bréscia, em 1465; Stª Maria da Paz de Milão, em 1466, também conhecido por Convento de São Tiago e São Filipe Apóstolos. Ao lançamento da primeira pedra esteve presente o arcebispo Galeazo Maria Sforza de Milão; o ministro-provincial dos franciscanos e outras pessoas importantes. Em 1467, fundou o Convento de Stª Maria da Fonte de Caravaggio. Em seguida, fundou o Convento de Santa Maria das Graças de Quinzano, com bula de 3 de Novembro de 1468. Depois, fundou o Convento de Stª Maria das Graças de Antignate, na província de Bérgamo, diocese de Cremona, em 1468. Por diligência do cardeal Francisco delle Rovere, futuro papa Sisto IV, obteve do papa Paulo II, a 22 de Abril de 1469, a graça de poder fundar na Lombardia três conventos com a invocação de Santa Maria, além do de Stª Maria das Graças de Quinzano. Assim, passou para a sua Custodia o Convento de Stª Maria Anunciada de Borno, província e diocese de Bréscia, pertencente aos terceiros franciscanos, o qual o papa Paulo II mandou entregar-lhe por bula de 1 de Agosto de 1469; e o de Stª Maria das Graças de São Secondo, na província e diocese de Parma.
Eleito papa com o nome de Sisto IV, o cardeal que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco, concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros sob a jurisdição do ministro-geral, que desejassem segui-lo; e aceitar mais seis conventos, além dos que já possuía. O primeiro seria, ao que parece, o de Stª Maria da Paz de Castiglione, província de Alessandria e diocese de Cortona. Seguiram-se os de Lodi, chamado também de Stª Maria das Graças, na província de Milão; e o de Stª Maria das Graças de Cremona. A 18 de Junho de 1472, o papa concedeu-lhe o Mosteiro de São Pedro in Montório, onde, segundo a tradição, São Pedro fora martirizado. Os monges de São Clemente de Urbe, da Ordem de Santo Ambrósio, sob o pretexto de que o lugar estava sob a sua jurisdição, moveram-lhe uma causa. O pontífice defendeu frei Amadeu, confirmando a doação, a 8 de Março de 1481. A 20 de Junho de 1478, o papa Sisto IV concedeu a Raimundo Orsini e a sua mulher, senhores de grandes domínios na diocese de Sabina, faculdade para fundar nos seus territórios um convento para frei Amadeu e seus discípulos, em atenção aos moradores de Scandriglia, Monte Librete e Nerula e castelos de Ponticelli e Montório. O convento foi erguido nos arredores de Ponticelli, dedicado a Stª Maria das Graças e, em 1479, começou a vida comunitária. Passando por Piacenza, dirigindo-se a Lombardia, frei Amadeu recebeu também o Convento de São Bernardino, por doação do terceiro franciscano Tiago de Guarnis.
Na época em que viveu frei Amadeu, ainda não havia a separação entre franciscanos observantes e franciscanos conventuais. No entanto, estes últimos já viviam separadamente, obedecendo a vigários-gerais confirmados pelo ministro-geral da Ordem de São Francisco. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco. Os papas referiam-no da Observância. A fundação da congregação de amadeitas dava-o como seu custódio, fora da sujeição ao vigário-geral. O papa Paulo II, ao conceder-lhe três conventos, concederia também que, após a sua morte, os seus discípulos pudessem eleger custódio. Isto é: frei Amadeu era, em vida, uma espécie de vigário provincial da Observância. Os frades observantes começaram então a mostrar desagrado para com os amadeitas, considerando desnecessária a cisão com a Observância. Colocariam em causa as virtudes de frei Amadeu, movendo-lhe grandes embargos, a começar pelo Convento de Stª Maria de Bressanoro, que tentaram arrebatar-lhe, fundamentando-se na bula de concessão, que referia a Observância. Frei Amadeu contou com a intervenção do cardeal de Bolonha, que conseguiu demover alguns cardeais defensores dos observantes. Atacaram de seguida o Convento de Stª Maria da Paz de Milão, que estava nas proximidades de um convento observante. Frei Amadeu teve de mover vários apoios políticos e religiosos, junto dos duques de Milão e na corte pontifícia, para impedir que lhe atrasassem ainda mais a construção do convento, que ainda decorria. A situação seria excessiva, ficando documentados os lamentos de frei Amadeu quanto às injúrias que recebia dos observantes. O papa Paulo II, em 1470, mandou suspender as obras, por causa da escandalosa discórdia entre os frades amadeitas e os frades observantes. A reacção dos amadeitas atingiu tal saturação que um deles chegou a gritar, do alto do púlpito, que o breve pontifício era falso. O problema, no fundo, seria que a congregação de conventos de frei Amadeu em tudo era semelhante à Observância, embora estando fora desta. Para resolver a questão, o próprio frei Amadeu conseguiria que o papa os declarasse sujeitos à obediência e jurisdição do ministro-geral e outros legítimos superiores da Ordem de São Francisco, segundo a Regra, em 23 de Maio de 1470.
Por esta época, fundou também a Confraria de Nª Srª da Paz, de São Sebastião, de São Roque e São Bernardino, destinada a clérigos e leigos nobres.

O papa Sisto IV, que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos, nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o já referido Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Segundo frei Mariano de Florença, biógrafo de frei Amadeu, seria numa caverna deste convento que recebia revelações do arcanjo São Gabriel. Ali terá ditado o seu livro Apocalypsis Nova..., que entregaria, à hora da morte aos seus frades, devendo ficar à guarda do custódio. A obra teve uma grande divulgação anos depois. Vários problemas causados pelos observantes em relação a alguns dos seus conventos levaram a uma batalha final, envolvendo os duques de Milão e, por fim, o próprio papa, que protegeu os amadeitas.
Finalmente, frei Amadeu desejou fazer uma visita a todos os seus frades e, ao passar pelo Convento de Stª Maria da Paz de Milão, ali morreu, a 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades.
Sucederam-se quatro séculos de culto ininterrupto, em torno da sua imagem nimbada, sobre a sepultura. Esta estava numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas, celebrando-se ali todos os anos a festa do
Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. (cfr. DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989,ob. cit., pág. 241) A congregação dos amadeitas prosseguiu na Lombardia, no resto de Itália e em Espanha. Porém, a pressão dos ministros e dos Capítulos Gerais dos franciscanos, apoiados pelos problemas de alguns dos conventos, concorreram para que São Carlos Borromeu, cardeal protector dos amadeitas, impusesse o fim. Os trinta e nove conventos então existentes foram integrados na Ordem de São Francisco da Observância em 1568, por bula do papa Pio V.
(Veja-se DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989, ob. cit. Vejam-se também: SEVESI, Paolo M., 1911, «B. Amadeo Menez de Sylva dei Fratri Minori. Fondatore degli Amadeiti (Vita Inedita di Fra Mariano da Firenze e Documenti Inediti», estratto da
Luce e Amore, ano VIII, fasc. Nº 10, 11 e 12, Florença, Tipografia Domenicana; GALLI, Benedetto, 1923, Il B. Amedeo Menez di Silva. Frate Minore del SecoIo XV. Biografia PopoIare, Milão, Quaracchi - Tip. del Colegio S. Bonaventura; DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1985, ob. cit.; e DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 196?, ob. cit.)
cf. Dr. José Félix da Silva