"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Beato Amadeu da Silva
reformador franciscano
e fundador da Congregação dos Amadeítas
irmão de Santa Beatriz da Silva
Memória Litúrgica: 10 de Agosto
João da Silva e Meneses, conhecido por Beato Amadeu da Silva (Beato Amadeu Hispano ou Beato Amadeu Lusitano), era filho de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da vila alentejana de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de João pertenciam à primeira nobreza do reino e estavam ainda aparentados com a família real.
Foi o quinto de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, Branca, Guiomar, Santa Beatriz (fundadora da Ordem da Imaculada Conceição ou Monjas Concepcionistas), Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Nasceu por volta de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde os pais moravam nesta data.
Casou aos dezoito anos com uma donzela, com quem não chegou a coabitar. Pelos vinte anos, participou da Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos, tentando depois seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, segundo os seus biógrafos, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Nas biografias populares, generalizou-se a fantasia da sua paixão pela infanta dona Leonor, a bela irmã do rei dom Afonso V, futura mulher do sacro imperador dos romanos, Frederico III da Alemanha, em cujo séquito teria chegado a Itália, depois de partir de Lisboa, por mar, no dia 11 de Novembro de 1451. Mas, pelo contrário, João de Meneses saiu do Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, com carta do prior Gonçalo de Illescas, passada em 11 de Dezembro de 1452, dirigindo-se a Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou por Avinhão, Génova e Florença. Os seus milagres foram conhecidos por toda a Itália, onde tomou o nome de frei Amadeu Hispano, numa referência bastante lata à Hispânia, a região ibérica da sua origem. Em Perusa, frei Ângelo, o ministro-geral da Ordem, negou-lhe audiência.
Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Sofreu perseguições por três anos, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral, que o recebeu em profissão. A sua piedade e devoção configuraram a imagem de um santo vivo, que, apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou muitos devotos, atraídos pelos seus inúmeros milagres. A sua fama chegou a uma sobrinha do papa Nicolau V, que foi uma dos miraculados. As peregrinações aos muros do Convento irritaram ainda mais os frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, muitas humilhações e dificuldades. Enviaram-no depois a Roma, ao papa Calisto III, sob influência de alguns frades que viviam na corte, de modo a obriga-lo a regressar à Península Ibérica.
Descobrindo que iria cair numa cilada, frei Amadeu Hispano pediu a protecção do ministro provincial, então em Perusa, alcançando letras comendatícias para o ministro-geral. Em Bréscia, este deu-lhe letras obediênciais para ir para o Convento de São Francisco da Porta Varcellina de Milão, situado na actual Praça de Santo Ambrósio. Acompanhou-o frei Jorge de Valcamonica, que se tornou seu confidente e que, posteriormente, testemunhou a sua santidade. Neste convento, os seus milagres e prodígios foram abundantes e, entre os numerosos devotos, contaram-se Francisco Sforza e sua mulher Branca Maria, duques de Milão. A duquesa confiou nas suas preces para várias necessidades, incluindo a concepção de um filho. Frei Amadeu mudou depois para um outro convento de Milão, buscando maior quietude, com a licença do Capitulo Geral, presidido pelo ministro-geral frei Tiago Bussolini de Mozanica, já no Pentecostes de 1457. Também o Convento de São Francisco de Mariano de Como não lhe deu a almejada paz, por causa da concorrência dos devotos.
Foi no Convento de São Francisco de Oreno que, desistindo da sua vocação eremítica, começou a dirigir-se às multidões e chegou a aceitar a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na festa da Anunciação, 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre grandes magnatas. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que hoje se conservam.

A 15 de Maio de 1452, teve uma audiência com o duque de Milão, ao que parece para pedir apoio para fundar um convento. Consta que a duquesa de Milão alcançara uma bula do papa Pio II para fundar um convento franciscano em Castiglione, na diocese de Cremona. Passaria a chamar-se Stª Maria de Castigliori (que mudou depois o titulo para Santa Maria de Guadalupe, por insistência de frei Amadeu, que era muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe). A duquesa conseguiu a doação deste convento a frei Amadeu, no ano seguinte. Este fez dele o centro da sua actividade de reforma da Ordem de São Francisco. Fundou mais conventos: São Bernardino de Erbusto e São Francisco de Iseo, na província de Bréscia, em 1465; Stª Maria da Paz de Milão, em 1466, também conhecido por Convento de São Tiago e São Filipe Apóstolos. Ao lançamento da primeira pedra esteve presente o arcebispo Galeazo Maria Sforza de Milão; o ministro-provincial dos franciscanos e outras pessoas importantes. Em 1467, fundou o Convento de Stª Maria da Fonte de Caravaggio. Em seguida, fundou o Convento de Santa Maria das Graças de Quinzano, com bula de 3 de Novembro de 1468. Depois, fundou o Convento de Stª Maria das Graças de Antignate, na província de Bérgamo, diocese de Cremona, em 1468. Por diligência do cardeal Francisco delle Rovere, futuro papa Sisto IV, obteve do papa Paulo II, a 22 de Abril de 1469, a graça de poder fundar na Lombardia três conventos com a invocação de Santa Maria, além do de Stª Maria das Graças de Quinzano. Assim, passou para a sua Custodia o Convento de Stª Maria Anunciada de Borno, província e diocese de Bréscia, pertencente aos terceiros franciscanos, o qual o papa Paulo II mandou entregar-lhe por bula de 1 de Agosto de 1469; e o de Stª Maria das Graças de São Secondo, na província e diocese de Parma.
Eleito papa com o nome de Sisto IV, o cardeal que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco, concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros sob a jurisdição do ministro-geral, que desejassem segui-lo; e aceitar mais seis conventos, além dos que já possuía. O primeiro seria, ao que parece, o de Stª Maria da Paz de Castiglione, província de Alessandria e diocese de Cortona. Seguiram-se os de Lodi, chamado também de Stª Maria das Graças, na província de Milão; e o de Stª Maria das Graças de Cremona. A 18 de Junho de 1472, o papa concedeu-lhe o Mosteiro de São Pedro in Montório, onde, segundo a tradição, São Pedro fora martirizado. Os monges de São Clemente de Urbe, da Ordem de Santo Ambrósio, sob o pretexto de que o lugar estava sob a sua jurisdição, moveram-lhe uma causa. O pontífice defendeu frei Amadeu, confirmando a doação, a 8 de Março de 1481. A 20 de Junho de 1478, o papa Sisto IV concedeu a Raimundo Orsini e a sua mulher, senhores de grandes domínios na diocese de Sabina, faculdade para fundar nos seus territórios um convento para frei Amadeu e seus discípulos, em atenção aos moradores de Scandriglia, Monte Librete e Nerula e castelos de Ponticelli e Montório. O convento foi erguido nos arredores de Ponticelli, dedicado a Stª Maria das Graças e, em 1479, começou a vida comunitária. Passando por Piacenza, dirigindo-se a Lombardia, frei Amadeu recebeu também o Convento de São Bernardino, por doação do terceiro franciscano Tiago de Guarnis.
Na época em que viveu frei Amadeu, ainda não havia a separação entre franciscanos observantes e franciscanos conventuais. No entanto, estes últimos já viviam separadamente, obedecendo a vigários-gerais confirmados pelo ministro-geral da Ordem de São Francisco. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco. Os papas referiam-no da Observância. A fundação da congregação de amadeitas dava-o como seu custódio, fora da sujeição ao vigário-geral. O papa Paulo II, ao conceder-lhe três conventos, concederia também que, após a sua morte, os seus discípulos pudessem eleger custódio. Isto é: frei Amadeu era, em vida, uma espécie de vigário provincial da Observância. Os frades observantes começaram então a mostrar desagrado para com os amadeitas, considerando desnecessária a cisão com a Observância. Colocariam em causa as virtudes de frei Amadeu, movendo-lhe grandes embargos, a começar pelo Convento de Stª Maria de Bressanoro, que tentaram arrebatar-lhe, fundamentando-se na bula de concessão, que referia a Observância. Frei Amadeu contou com a intervenção do cardeal de Bolonha, que conseguiu demover alguns cardeais defensores dos observantes. Atacaram de seguida o Convento de Stª Maria da Paz de Milão, que estava nas proximidades de um convento observante. Frei Amadeu teve de mover vários apoios políticos e religiosos, junto dos duques de Milão e na corte pontifícia, para impedir que lhe atrasassem ainda mais a construção do convento, que ainda decorria. A situação seria excessiva, ficando documentados os lamentos de frei Amadeu quanto às injúrias que recebia dos observantes. O papa Paulo II, em 1470, mandou suspender as obras, por causa da escandalosa discórdia entre os frades amadeitas e os frades observantes. A reacção dos amadeitas atingiu tal saturação que um deles chegou a gritar, do alto do púlpito, que o breve pontifício era falso. O problema, no fundo, seria que a congregação de conventos de frei Amadeu em tudo era semelhante à Observância, embora estando fora desta. Para resolver a questão, o próprio frei Amadeu conseguiria que o papa os declarasse sujeitos à obediência e jurisdição do ministro-geral e outros legítimos superiores da Ordem de São Francisco, segundo a Regra, em 23 de Maio de 1470.
Por esta época, fundou também a Confraria de Nª Srª da Paz, de São Sebastião, de São Roque e São Bernardino, destinada a clérigos e leigos nobres.

O papa Sisto IV, que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos, nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o já referido Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Segundo frei Mariano de Florença, biógrafo de frei Amadeu, seria numa caverna deste convento que recebia revelações do arcanjo São Gabriel. Ali terá ditado o seu livro Apocalypsis Nova..., que entregaria, à hora da morte aos seus frades, devendo ficar à guarda do custódio. A obra teve uma grande divulgação anos depois. Vários problemas causados pelos observantes em relação a alguns dos seus conventos levaram a uma batalha final, envolvendo os duques de Milão e, por fim, o próprio papa, que protegeu os amadeitas.
Finalmente, frei Amadeu desejou fazer uma visita a todos os seus frades e, ao passar pelo Convento de Stª Maria da Paz de Milão, ali morreu, a 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades.
Sucederam-se quatro séculos de culto ininterrupto, em torno da sua imagem nimbada, sobre a sepultura. Esta estava numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas, celebrando-se ali todos os anos a festa do
Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. (cfr. DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989,ob. cit., pág. 241) A congregação dos amadeitas prosseguiu na Lombardia, no resto de Itália e em Espanha. Porém, a pressão dos ministros e dos Capítulos Gerais dos franciscanos, apoiados pelos problemas de alguns dos conventos, concorreram para que São Carlos Borromeu, cardeal protector dos amadeitas, impusesse o fim. Os trinta e nove conventos então existentes foram integrados na Ordem de São Francisco da Observância em 1568, por bula do papa Pio V.
(Veja-se DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989, ob. cit. Vejam-se também: SEVESI, Paolo M., 1911, «B. Amadeo Menez de Sylva dei Fratri Minori. Fondatore degli Amadeiti (Vita Inedita di Fra Mariano da Firenze e Documenti Inediti», estratto da
Luce e Amore, ano VIII, fasc. Nº 10, 11 e 12, Florença, Tipografia Domenicana; GALLI, Benedetto, 1923, Il B. Amedeo Menez di Silva. Frate Minore del SecoIo XV. Biografia PopoIare, Milão, Quaracchi - Tip. del Colegio S. Bonaventura; DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1985, ob. cit.; e DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 196?, ob. cit.)
cf. Dr. José Félix da Silva

sábado, 2 de agosto de 2008

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES
Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote,
suscitai na vossa Igreja,
nós vo-Lo pedimos,
uma legião de sacerdotes verdadeiramente santos,
animados do Vosso Espírito,
inflamados no Vosso Amor,

incansáveis em fazer conhecer,
amar e servir,
em todo o mundo,
o Vosso Sagrado Coração.
Que eles sejam um só com o Sumo Pontífice e com os Bispos,
assim como Vós sois um, com o Pai
e que pela sua vida sejam a luz do mundo e o sal da terra,
o caminho, a verdade e a vida.
Conservai-Ihes o vigor do corpo
para suportarem com ânimo o peso do dia;
e à alma, Senhor, à alma dos vossos eleitos
comunicai a Vossa força!
Deste modo, sempre mais robusta e mais decidida
após cada tempestade,
ela ame a todos com o vosso Amor,
sem que o coração desfaleça nunca,
nem perca a dignidade da sua vocação,
a frescura da sua pureza.
Nós Vos suplicamos
pelos méritos do Coração puríssimo de Vossa Mãe, Maria Santíssima,
os protejais, defendais e ampareis
nas horas de luta e cansaço,
a fim de permanecerem sempre no vosso Santo Amor.

(oração composta pelo

Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos,
Arcebispo de Évora)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Hóstia Santa ... Deus Vivo
"Sentimos pois que é chegada a hora de vos convidarmos
a tributar ao Rei Divino,

que tem sido tão esquecido e tão votado ao abandono,

um testemunho público e solene de vassalagem e amor.
Façamos acordar na alma alentejana a fé antiga,
façamos ressuscitar a piedade eucarística de tempos idos,
numa solene apoteose,

que será ao mesmo tempo um preito de fidelidade
e um acto de reparação,

vamos levar em triunfo,
não só pelas ruas da cidade,

mas também dentro das almas,
a Hóstia santa, que é o Deus vivo a habitar entre nós".
D. Manuel Mendes da Conceição Santos

11 de Fevereiro de 1941
convocação da Arquidiocese para o Congresso Eucarístico em Évora,
de 1 a 4 de Maio de 1941

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Santa Isabel de Portugal
Rainha e Terceira Franciscana

Memória Litúrgica:
4 de Julho (MO)

Santa Isabel de Portugal nasceu em 11 de Fevereiro de 1270, em Saragoça, filha de Pedro III, rei de Aragão e da rainha Dª Constança. Recebeu seu nome em homenagem a sua tia, Santa Isabel da Hungria, canonizada anos antes, e de quem se esperava que Isabel herdasse a bondade e a santidade.
Com 12 anos incompletos (1282) casou-se com o Rei Dinis, de Portugal.
A viagem para Portugal foi longa e difícil. Em Junho de 1282 encontrou-se em Tancoso com o rei D. Dinis, a quem via pela vez.
Gostava da vida interior e do trabalho silencioso. Jejuava dias sem conta através do ano, comovia-se com os que erravam, rezava pelo seu Livro de Horas, cosia e fazia bordados em companhia das damas e donzelas, e distribuía esmolas aos necessitados, sem esquecer o governo da sua casa.
Aos 20 anos nasceu D. Afonso IV, “O Bravo”, que foi a sua cruz e o grande amor da sua existência. Caso único na primeira dinastia portuguesa, a vida deste homem foi pura e não virá fora de propósito descobrir nisto a influência da mãe, e talvez um complexo de repugnância pelas inúmeras aventuras de seu pai, influenciado pelas dores que via sofrer sua mãe, meio abandonada pelo marido. Mas era discreta a jovem rainha. Fingia não saber nada sobre as infidelidades de D. Dinis. Mulher cristã até à medula, amava e perdoava ao jeito do Evangelho duma forma heróica e radical, criava os filhos ilegítimos do marido.
Verdadeiramente Bem-aventurada, porque construtora da paz. Em várias ocasiões fez sentir o seu poder mediador e apaziguador. E acaba por partir para o seio da Trindade, na cidade alentejana de Estremoz, em plena missão de construção da paz.
Dotava os conventos do reino com muitas esmolas, principalmente o de Santa Clara de Coimbra. Mandou construir um hospício para os pobres em Coimbra, um hospital para crianças doentes e enjeitadas em Santarém e uma casa para recolhimento e regeneração das mulheres perdidas de Coimbra. Recebia no palácio jovens pobres e alimentava-os, dando-lhes dinheiro e condições para que se casassem ou se fizessem religiosas.
O Rei Dinis adoeceu em 1324 e foi cuidado por sua esposa pessoalmente até a morte, em 7 de Janeiro de 1325. Após o enterro do marido, a Rainha Isabel fixa residência em Coimbra e pôs o véu branco e vestiu o hábito de Santa Clara, ainda que livre de votos religiosos, conservando o que era seu, como diz ela, para construir igrejas, mosteiros e hospitais.
Num quente de verão, em Junho de 1336, resolve partir para Estremoz, a fim de se encontrar com o seu filho, D. Afonso IV, rei de Portugal, em guerra com o seu neto D. Afonso IX, rei de Castela. É desaconselhada a fazer a viagem devido à longa distância, ao calor, à sua idade e à precariedade da sua saúde, mas era preciso construir a paz e Dª Isabel põe-se a caminho. Chega doente à fortaleza de Estremoz, logo lhe aparece uma pústula no braço que lhe causa febres. Junto à sua cama estava a nora, a rainha Dª Beatriz. Então viu passar uma dama com vestido branco. Nossa Senhora? É possível. Confessou-se, assistiu à Missa e com grande devoção e muitas lágrimas recebeu o Corpo de Deus.
Faleceu rezando na noite de 4 de Julho, após receber os últimos sacramentos.
Contra a vontade da corte, seu filho realiza-lhe o desejo de ser enterrada no Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.

Devido aos inúmeros milagres ocorridos após a morte de Santa Isabel, o Rei Manuel I pede-lhe a beatificação, e o Papa Leão X, em 1516, a declara Bem-aventurada, dando permissão para a celebração de sua festa na diocese de Coimbra. Em 1556, em virtude de outros milagres atribuídos à Rainha, o culto se estende por todo o reino de Portugal. Em 1560, Ana de Meneses, abadessa do Mosteiro de Santa Clara, funda a Confraria da Rainha Santa. O Papa Gregório XIII, em 1581, concede diversas graças e indulgências aos associados desta confraria. Em 1612, uma comissão vem de Roma a Coimbra para dar início ao processo de canonização da Rainha. Abriram-lhe o túmulo 276 anos após sua morte e descobriram que seu corpo estava incorrupto e exalava um aroma suave. Em 25 de Maio de 1625, festa da Santíssima Trindade, o Papa Urbano VIII canoniza a Rainha Santa Isabel de Portugal.
(Fontes: JOSÉ LEITE, S.J. (organização),"Santos de cada dia - II - Maio.Junho.Julho.Agosto", Editorial A.O., Braga, 3ª Edição, pgs.375 a379 e site: "Vidas de Santos")

Oração
Senhor nosso Deus, fonte de paz e de amor, que destes a Santa Isabel de Portugal o dom de reconciliar os homens desavindos, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de trabalhar ao serviço da paz para podermos ser chamados filhos de Deus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Papa reconhece milagre do
Beato Nuno de Stª Maria
Caminho para a Canonização
está completo

Bento XVI abriu hoje as portas à Canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, ao autorizar a promulgação de dois decretos que reconhecem um milagre atribuído ao futuro Santo português e as suas virtudes heróicas.
Os decretos foram tornados públicos esta Quinta-feira pela Sala de imprensa da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização. A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, foi reaberto no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.
A história deste processo já poderia ter conhecido o seu epílogo quando, em 1947, o papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, porém, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos “Clementissimus Deus” de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano. Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a já referida permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.
(Fonte: Agência Ecclesia)

sábado, 28 de junho de 2008

D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Numa aldeia pequenina,
quase perdida
no centro de Portugal,
nasceu Alguém
- futuro Bispo -que havia de passar,
qual outro Cristo,
fazendo o bem
a todos, por igual.
Reconfortou a quem o procurava,
trazendo na alma,
o espinho da amargura.
Correu terras sem fim
- terras da planura -
cuidando das ovelhas
que o Senhor lhe confiara.
Por elas rezava, fazia penitência,
erguia a Deus a sua voz,
com insistência,
rogando a conversão dos transviados.
Velava pelos Padres,
como um Pai:
era o amigo, o apoio,
o confidente ...
E ao contemplar a vastidão
da messe alentejana,
queimada pelo sol ardente,
pedia aos Céus mais operários.
Tanta fome!... Tanta dor!...
Fome de pão, mas sobretudo
fome de Deus, fome de amor!
E o Arcebispo não descansava ...
Assim gastou a vida,
toda embebida
na caridade.
Para Deus viveu ... em Deus morreu.
Mas n'Ele goza, na Eternidade!
Agora ao recordar
as virtudes deste Prelado
que na terra passou, fazendo o bem,
sem nunca se cansar,
Roguemos também,
a Deus omnipotente
em prece humilde, mas fervente,
a graça de o sabermos imitar.

IMaria Helena Cordovil
Serva da Santa Igreja

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Súplica a Jesus Sacramentado
Meu Senhor e meu Deus!
Eu creio em Vós, adora-Vos, amo-Vos,
peço-Vos humildemente perdão das minhas grandes culpas e pecados,
perdão para as nossas famílias,
para os nossos benfeitores, amigos e inimigos,
perdão para a nossa Pátria,
perdão para todos os pecadores,
principalmente para os que estão em agonia,
perdão e alívio para as almas do purgatório,
especialmente para as da nossa maior obrigação.
E desse sacramento onde habitais,
lançai-nos a Vossa bênção paternal,
mandai-nos um raio da Vossa luz.

Ó querido Jesus, fazei que em todos os actos da nossa vida
Vos demos sempre maior glória.
Amparai-nos como Pai,
guiai-nos como Mestre,
e salvai-nos como Deus.
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade