"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

António (ou João) do Cano,
franciscano, mártir no Brasil
Frei António do Cano, viveu no século XVIII, era natural da Vila de Cano,
na época sede de concelho e na actualidade freguesia do concelho de Sousel, distrito de Portalegre e arquidiocese de Évora.
Professou na Ordem dos Frades Menores e partiu para o Brasil como missionário.
Deu o testemunho cristão mais radical através do martírio, no Grão Pará, por ódio à fé.
Há quem afirme que o nome do mártir Canense é João e não António.
Frei António faz parte do grupo de 19 sacerdotes naturais da Vila de Cano (de 1575 a 1964) e que consagraram as suas vidas ao serviço do Evangelho, quer no clero diocesano, quer em variadas famílias religiosas (Jesuitas, Ordem de Avis e Franciscanos, por exemplo).
Estes são os únicos elementos que, por enquanto temos, deste ilustre e corajoso alentejano. A seu tempo e caso se justifique, publicaremos mais informações sobre este franciscano Canense.
(Texto: Padre Marcelino José Moreno Caldeira, pároco da Vila de Cano)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

São João de Deus, religioso e fundador
da Ordem Hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus
Festa: 8 de Março
João Cidade nasceu na cidade alentejana de Montemor-o-Novo no ano de 1495, em dia e mês desconhecidos. Os seus pais, André Cidade e Teresa Duarte, eram comerciantes de fruta e desde cedo teriam educado o pequeno João segundo os valores cristãos. Aos 8 anos, foi para Oropesa - Espanha, em circunstâncias ainda hoje pouco conhecidas, talvez na companhia de algum peregrino ou clérigo.
João foi acolhido na casa do Maioral do Conde de Oropesa e trabalhou como guardador de rebanhos. Em 1523, o seu espírito aventureiro levou-o a alistar-se no exército de Carlos V, participando, em Fuenterrabia, na guerra contra os Franceses e em 1532, em Viena, contra os turcos que ameaçavam invadir a Europa. Regressado da guerra, quis voltar às suas origens. Em Portugal, apenas encontrou um tio e, sem nada que o prendesse à terra natal, voltou para Espanha, mas desta vez para o Sul. Daí partiu para Ceuta, onde foi empregado de um fidalgo português desterrado. Foi aí também a sua primeira grande acção de generosidade: para garantir o sustento desta família, que entrou em dificuldades, foi trabalhar para a construção das muralhas de protecção da cidade.
Regressou a Espanha em 1538, ficando um tempo em Gibraltar. Reza a lenda que aí lhe apareceu um menino com uma romã (granada em castelhano) na mão e lhe disse "João, Granada será a tua cruz". João partiu para a cidade desse nome e aí viria a dar-se a grande transformação da sua vida.
Ao ouvir um sermão do Pe. João de Ávila, a 20 de Janeiro de 1539, tomou uma atitude radical contra a hipocrisia que se vivia na sociedade granadina de então. Pelas atitudes que tomou foi dado como louco e internado no Hospital Real, onde sofreu na pele os tratamentos dados na época a este tipo de pacientes.
Um sonho louco o assaltou então, fundar um Hospital, onde pudesse tratar devidamente aqueles que sofrem. Tomou como seu director espiritual o Pe. João de Ávila, e com os seus conselhos empreendeu a "louca aventura" de fundar um pequeno hospital. Percorreu as ruas de Granada ajudando e transportando os que não conseguiam valer-se sozinhos e levando-os para o seu hospital, onde, separando-os por doenças, lhes tratou das feridas "do corpo e da alma". João calcorreou as ruas da cidade proclamando o singular pregão: "Irmãos, fazei o bem a vós mesmos, dando aos pobres!".
Um episódio marcante na sua vida foi o incêndio que se deu no Hospital Real de Granada em 1549. João Cidade, com bravura, salvou muitos doentes e combateu as chamas. Toda a cidade de Granada lhe prestou reconhecimento, chamando-o já João de Deus, o Santo de Granada.
Até a sua morte foi causada pelo bem que fazia: para salvar um miúdo de se afogar no rio Genil, João atirou-se à água, contudo não conseguiu salvar a criança e apanhou uma broncopneumonia que o levaria à morte.
A 8 de Março de 1550, em diálogo com Deus, morre com fama de santidade. João de Deus foi um homem que, vivendo no seu tempo, soube ser inovador e projectar-se para o futuro. Foi, por isso, considerado o fundador do Hospital moderno, Santo, protector dos doentes, bombeiros e enfermeiros. Um homem que encontrou Deus no amor aos seus irmãos.
(Fonte: página da Ordem Hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Serva de Deus
Maria Isabel da Santíssima Trindade,
religiosa e fundadora
da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres

Maria Isabel Picão Caldeira nasceu a 1 de Fevereiro de 1889, no Monte do Torrão, freguesia de Santa Eulália (Alentejo), a poucos quilómetros de Elvas, tendo sido sendo baptizada um mês depois, a 3 de Março.
Seus pais, Miguel Caldeira e Dª Francisca da Silva Picão Caldeira lavradores abastados, deram-lhe uma educação esmerada, consentindo mesmo, que frequentasse a Escola de Belas-Artes em Lisboa. A 20 de Março de 1912, com 23 anos de idade, casou com o primo, João Pires Carneiro e foi viver para o Monte de São Domingos, na freguesia de São Vicente, também muito perto da cidade de Elvas. Após alguns anos de felicidade conjugal, o marido contraiu uma doença grave vindo a falecer no dia 17 de Junho de 1922 e Maria Isabel sofre o maior desgosto da sua vida.
Viuva e sem filhos, durante onze anos entregou-se às obras de apostolado na sua terra natal. Apesar desta sua doação aos outros, começou a sentir o apelo de Deus a uma Consagração Religiosa. A 8 de Setembro de 1934, entra nas Dominicanas de Clausura em Azurara onde permaneceu apenas sete meses, por falta de saúde.
O Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, Arcebispo de Évora, sabendo do seu regresso, convida-a a tomar conta da Casa de Retiros, em Elvas, a 20 de Março de 1936, iniciando aí uma vasta acção apostólica de serviço aos Pobres, gastando para isso os seus bens patrimoniais.
Sob a protecção de Maria Imaculada e inspirada em Santa Beatriz da Silva, com muitos sacrifícios e contrariedades, funda a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres. A Obra estendeu-se por várias Dioceses de Portugal. Após um arduo caminho, a 5 de Julho de 1955,o Papa Pio XII, concede-lhe a aprovação.
Faleceu a 3 de Julho de 1962, em Elvas, depois de uma vida toda voltada para os outros, sobretudo os mais Pobres. Foi sepultada em Santa Eulália em jazigo de família. Os seus restos mortais foram transladados para a Casa-Mãe da Congregação, em Elvas, no dia 20 de Dezembro de 1980, onde se encontram actualmente.
Sendo rica, fez-se pobre para privilegiar os Pobres. Eram a sua grande paixão, a razão de ser da sua Obra. Com um coração grande, que parecia querer abarcar tudo e todos, arriscou os bens e a vida. Sofreu a doença, as contrariedades, a solidão, a calúnia e a incompreensão. No meio de tantas provações, manteve-se fiel àquilo que julgava ser a Vontade de Deus.
Está introduzida a Causa de Canonização.

Aos que receberem graças por intercessão da Serva de Deus Maria Isabel da Santíssima Trindade, devem participá-lo para:
Postulação: Madre Maria Isabel do Santíssima Trindade
Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres; Rua Francisco da Silva, 9 C; 7350-272 ELVAS

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

São Jordão, bispo e mártir
e Santas Comba do Alentejo e Inonimata, mártires
São Jordão é um santo venerado na região alentejana de Évora. Segundo a tradição, foi um dos primeiros bispos da referida cidade e terá sido martirizado no ano de 305, durante a perseguição de Daciano, juntamente com as suas irmãs Santa Comba do Alentejo e Santa Inonimata. O seu culto esteve na origem da antiga freguesia de São Jordão, no concelho de Évora. (Fonte: cf. Wikipédia)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Mártires do Brasil
Beato Inácio de Azevedo
e 39 companheiros mártires
Festa: 17 de Julho

Trata-se de um grupo de 40 jovens jesuítas, quase todos entre os 20 e os 30 anos de idade que se dirigiam de barco para o Brasil, a fim de ajudar na sua evangelização. Junto às ilhas Canárias, em 15 de Julho de 1570, foram interceptados por navio de protestantes Calvinistas que, sabendo que eles eram missionários católicos, os assaltaram: e deitaram ao mar, muitos depois de mortos, outros ainda vivos, alguns com greves ferimentos. Chefiados pelo Padre Inácio de Azevedo, 32 dos mártires são portugueses e oito espanhóis. No grupo dos Portugueses 10 são alentejanos e naturais da arquidiocese de Évora:
Beato Manuel Álvares, irmão, coadjutor. Filho de Jerónimo Álvares e de Joana Lopes, nasceu em Estremoz, em 1536 e entrou na Companhia de Jesus para irmão coadjutor, em Évora, em 12 de Fevereiro de 1559,com 23 anos. Era trabalhador do campo e guardava gado; contava que estava arando a terra certa vez, e sentiu o desejo de ser peregrino e nada ter por amor a Deus, fazendo parte de alguma ordem religiosa. Depois dessa inspiração de Deus, foi levado por um sacerdote à Companhia. Aprendeu a ler e pediu para ir ao Brasil. Na nau Santiago, durante o combate, gritava muito alto, animando os combatentes, para que não se deixassem vencer pelos hereges. Os inimigos retalharam-lhe o rosto com cutiladas. Mas, tendo decidido não o deitar logo ao mar, para que sofresse mais, deixaram-no sozinho, estando ainda vivo. Por fim foi lançado vivo ao mar. Na altura do martírio tinha 34 anos de idade.
Beato Francisco de Magalhães, irmão, estudante. Nascido em Alcácer do Sal, em 1549. Já estudante em Évora, entrou para a companhia com 19 anos, em 1568. Cantava admiravelmente e era dedicado colaborador de Padre Inácio; ajudava na instrução religiosa dos marinheiros. Ao ser lançado vivo ao mar, disse aos hereges: "Ah! Irmãos, Deus vos perdoe isto que fazeis". Foi martirizado com 21 anos de idade.
Beato Luís Correia, irmão, estudante. Segundo a documentação existente, sabe-se apenas que nasceu em Évora e que sofreu o martírio, sendo atirado vivo ao mar.
Beato Álvaro Mendes, irmão, estudante. Nascido em Elvas. Há uma tradição que diz que viveu (e nasceu?) na Rua do Padrão, mas não se sabe em que casa ou lugar. Era excelente cantor. Embora tenha adoecido na Ilha da Madeira, quis seguir na nau Santiago. Na nau, manteve-se sempre a ajudar a bomba, nunca se apartando dos outros. Com eles foi despido e maltratado, até serem finalmente deitados vivos ao mar.
Beato Pero Nunes, irmão, estudante. Nascido em Fronteira. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Luís Rodrigues, irmão, estudante. Nascido em Évora, em 1554. Entrou na Companhia, aos 16 anos, em 15 de Janeiro de 1570. Continuou o noviciado em Val de Rosal e na nau do martírio. Depois da morte do Padre Inácio exortava os colegas: "Irmãos, animemo-nos e ajudemo-nos do Credo, porque o sangue de Cristo não se há-de perder". Ferido a punhaladas e lançado ainda vivo ao mar. Foi martirizado com 16 anos de idade.
Beato André Gonçalves, irmão, estudante. Nasceu em Viana do Alentejo. Havia estudado na Universidade de Évora. Foi recebido pelo P. Inácio de Azevedo directamente para o Brasil. Depois de apunhalado, foi lançado ao mar.
Beato Aleixo Delgado, irmão, estudante. Nasceu em Elvas, no ano de 1555. Servia de guia a seu pai, que era cego. Conseguiu ser colocado no Colégio dos Porcionistas (ou "Convictores"), onde servia e estudava ao mesmo tempo. E aí, "foi em pouco tempo crescendo em virtudes e no estudo das letras". Encontrando lá um dia o Padre Jorge Serrão, Jesuíta, o bom menino "rogou muito que o admitisse na Companhia". Perguntou-lhe o Padre "para que queria ser da Companhia?" Respondeu que "o movia a isso o muito que desejava ser Mártir"! Passando por Évora, o Padre Inácio de Azevedo satisfez-lhe o pedido, apesar de ele ter apenas 14 anos. Mas "mostrou sempre espírito maior que a sua idade... " Cantava muito bem e era especialista em recitar o catecismo cantado. Durante a tormenta, três ou quatro dos assaltantes "tomaram ao irmão Aleixo, vendo-o pequeno, que não teria mais de 14 ou 15 anos, e arrebataram-no entre as mãos e começaram a dar-lhe mais punhaladas...". Foi lançado vivo ao mar. Foi martirizado com apenas 15 anos de idade.
Beato António Fernandes, irmão, coadjutor. Nasceu em Montemor-o-Novo. Era filho de Gaspar Fernandes e de Maria Lopes. Entrou na Companhia de Jesus, no dia 1 de Janeiro de 1570, com 18 anos de idade. Era muito bom carpinteiro, arte que aprendeu provavelmente em Lisboa. Em Val de Rosal, era o chefe da oficina de carpintaria. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Domingos Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Borba, em 1551. Filho de Bento Fernandes e de Maria Cortes, contava apenas 16 anos quando foi recebido no noviciado da Companhia de Jesus, em Évora, no dia 25 de Setembro de 1567. Apesar disso, vem apontado entre os "irmãos antigos e de muitos anos e de muita virtude". Quando deitaram ao mar o Beato Padre Diogo de Andrade, "da mesma maneira arrebataram e deram punhaladas ao irmão Domingos Fernandes e, assim, meio vivo meio morto, o lançaram ao mar".Tinha 19 anos de idade quando recebeu o martírio.
Beato Inácio de Azevedo, padre
(responsável do grupo)
Natural do Porto, nascido por volta de 1526, de família importante e influente. Aos 22 anos entrou para a ordem dos Jesuítas. Foi vice-provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Destacava-se pela penitência, oração e obras de misericórdia. A grande paixão de Inácio eram as missões! Pelo seu carácter empreendedor, activo e enérgico, São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o Visitador do Brasil. Chegou à Bahia em 24 de Agosto de 1566, juntamente com outros jesuítas. A incumbência revestiu-se de grande dinamismo e oportunas medidas de governo. Partiu para Portugal em 24 de Agosto de 1568, para conseguir reforços para o Brasil. Reuniu uma expedição de 73 religiosos, e zarparam nas três naus da frota do Governador do Brasil. A nau em que viajavam Inácio e um dos grupos foram atacados por protestantes Calvinistas que quiseram poupar os sobreviventes da luta mas gritaram contra os jesuítas: "Mata, mata, porque vão semear doutrina falsa no Brasil". Inácio foi ao encontro deles, com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, dizendo a alta voz: "Todos me sejam testemunhas como morro pela Fé católica e pela Santa Igreja Romana". Já ferido mortalmente, dizia a seus companheiros: "Não choreis, filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos, hoje, um colégio no céu".
Beato Diogo de Andrade, padre. Nasceu em Pedrógão Grande, próximo a Leiria, em 1531. Ferido na cabeça e a punhaladas, foi lançado vivo ao mar.
Beato Bento de Castro, irmão, estudante. Nasceu na Vila de Chacim, de Trás-os-Montes, em 1543, de família fidalga e rica. Foi o primeiro a ser ferido com pelouros e punhaladas e lançado ao mar ainda vivo.
Beato António Soares, irmão, estudante. Nasceu em Trancoso. Na nau Santiago ajudava os feridos e animava os combatentes. Crivado de punhaladas, foi lançado vivo ao mar.
Beato Francisco Álvares, irmão, coadjutor. Nasceu na Covilhã, em 1539. Lançado vivo ao mar.
Beato João Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Braga, em 1547. Foi lançado vivo ao mar.
Beato João Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Lisboa, em 1551. Foi lançado vivo ao mar.
Beato António Correia, irmão, estudante. Nasceu no Porto, em 1553. Maltratado pelos hereges com os punhos de uma adaga e lançado vivo ao mar.
Beato Marcos Caldeira, irmão. Nasceu em Vila da Feira, em 1547. Lançado vivo ao mar.
Beato Amaro Vaz, irmão, coadjutor. Nasceu em Benviver, distrito do Porto, em 1553. Apunhalado e atirado vivo ao mar.
Beato João Maiorga, irmão, coadjutor. Nasceu no ano de 1533, em Saint-Jean Pied-de-Port, povoado da Gasconha, pertencente à França, mas que na época do seu nascimento era da Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Alonso de Baena, irmão, coadjutor. Nasceu em Villatobas, Toledo, Espanha, no ano de 1539. Ferido e lançado ao mar vivo.
Beato Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor. Nasceu em Biscaia, Espanha. Lançado vivo ao mar.
Beato Juan de San Martín, irmão, estudante. Nasceu em Yuncos, Toledo, Espanha, em 1550. Lançado vivo ao mar.
Beato Juan de Zafra, irmão, coadjutor. Nasceu em Jerez, Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Francisco Pérez Godói, irmão, estudante. Nasceu em Torrijos, Espanha, em 1540. Era parente de Santa Teresa de Ávila. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.
Beato Gregório Escribano, irmão, coadjutor. Nasceu em Logroño, Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Fernán Sanchez, irmão, estudante. Nasceu na Espanha, em Castela-a-Velha. Lançado ferido ao mar.
Beato Gonçalo Henriques, irmão, estudante. Nasceu no Porto. Lançado ao mar, não se sabe se ainda vivo ou já morto.
Beato Manuel Rodrigues, irmão, estudante. Nasceu em Alcochete. Lançado vivo ao mar.
Beato Nicolau Diniz, irmão, estudante. Nasceu em Bragança, em 1553. Lançado vivo ao mar.
Beato Diogo Mimoso, irmão, estudante. Nasceu em Nisa. Morto à lança e atirado ao mar.
Beato Brás Ribeiro, irmão, coadjutor. Nasceu em Braga, em 1546. Os hereges mataram-no com uma cutilada na cabeça enquanto estava ajoelhado rezando diante das relíquias, e lançado ao mar já morto.
Beato Gaspar Álvares, irmão. Nasceu no Porto. Foi ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.
Beato Manuel Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Celorico. Lançado vivo ao mar.
Beato Manuel Pacheco, irmão, estudante. Nasceu em Ceuta, cidade do norte de África que à época pertencia à coroa de Portugal. Foi lançado ao mar.
Beato Pedro Fontoura, irmão, coadjutor. Nasceu em Braga. Estando em oração diante das relíquias, um herege acutilou-o no rosto, cortando-lhe a língua; assim foi lançado ao mar.
Beato Simão da Costa, irmão, coadjutor. Nasceu no Porto. Foi degolado e lançado ao mar.
Beato Simão Lopes, irmão, estudante. Nasceu em Ourém. Lançado vivo ao mar.
Beato João Adauto. Natural de Entre Douro e Minho. Sobrinho do capitão da nau Santiago, não era da Companhia, embora desejasse vir a sê-lo. Em toda a viagem andava com P. Inácio de Azevedo e os demais religiosos, e durante o combate vestiu um dos hábitos religiosos que tiraram dos jesuítas. Vendo que os irmãos se deixavam matar sem resistência, consentiu no mesmo. Lançado vivo ao mar.
Servos de Deus
Gaspar de Góis,
Afonso Fernandes
e nove companheiros mártires
(o nome oficial da Causa de Canonização é:
Pe. Pero Dias e 11 companheiros mártires)
A causa de canonização do Padre Pero Dias e 11 Companheiros foi introduzida em Coimbra em 1628 juntamente com a causa dos Beatos Mártires do Brasil (Padre Inácio de Azevedo e 39 companheiros). Tratava-se de uma única causa, de 52 mártires. É importante ler a história do Martírio do Beato Inácio de Azevedo e seus Companheiros para poder entender esta, que é continuação e desfecho de uma das mais belas e surpreendentes páginas do martirológio da Igreja.
O martírio de Pero Dias e companheiros
A quando do embarque em Lisboa, a 5 de Junho, deste imponente grupo de missionários Jesuitas destinados ao Brasil, coube ao Servo de Deus Padre Pero Dias tomar conta de uma parte do grupo de missionários, indo na nau capitânia, do Governador do Brasil, Dom Luís Fernandes de Vasconcelos. Chegaram à ilha da Madeira em 12 de Junho. Devendo o Governador permanecer por lá algum tempo, e a nau Santiago ter de passar pelas Canárias para o desembarque de mercadorias, o Beato Padre Inácio de Azevedo e mais 39 religiosos nela reembarcaram em 30 de Junho. O Padre Pero Dias ficou na Ilha como superior dos demais, aguardando a partida das suas naus. Chegaram então as notícias do martírio dos 40 missionários Jesuitas, ocorrida em 15 de Julho de 1570! Da ilha escreve o Padre Pero Dias, em 17 de Agosto, uma carta que se tornou famosa, traduzida em diversas línguas, narrando o martírio do Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros. Chama-o "ditoso sucesso", e deseja para si igual sorte (LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil, p. 213). Após enviar alguns dos religiosos de volta a Portugal, seguiu viagem rumo ao Brasil. O Padre Pero Dias e o grupo maior de jesuítas seguiam na nau capitânia, enquanto que o Padre Francisco de Castro e mais alguns irmãos na nau dos Órfãos. Chegaram a avistar a costa brasileira, mas Deus destinava-os a outro lugar! Os ventos e temporais os impediram de dobrar o cabo de Santo Agostinho, e os arrastaram para as Antilhas. Parte da armada foi parar à Ilha de São Domingos, Haiti, e parte à Ilha de Cuba. Quando o Padre Pero Dias chegou à Ilha Terceira, nos Açores, lá reencontrou o Padre Francisco e mais três irmãos, que já haviam chegado noutro galeão. Reunido novamente o grupo, os 15 jesuítas voltaram a empreender viagem rumo ao Brasil. Somente um não pode acompanhá-los, o Irmão Antônio Leão, que estava doente.
Mas (como tinha acontecido no ano anterior com o grupo do Padre Inácio de Azevedo), perto das Canárias, a 13 de Setembro de 1571, a nau do Governador foi atacada por uma armada de corsários, quatro naus francesas e uma inglesa, comandados por Capdeville! Uma coincidência: a nau capitânia era o mesmo galeão com que Jacques Sore tomara a nau Santiago no ano anterior! No combate inicial sucumbiu como herói o próprio Governador, Dom Luís de Vasconcelos. Os jesuítas foram atacados pelos hereges como os outros um ano antes, por serem missionários católicos: 5 foram mortos no mesmo dia, e no dia seguinte, 14 de Setembro, outros 7. São o segundo grupo de 12 mártires.
Dois escaparam, Irmão Diogo Fernandes e Irmão Bastião Lopes, que foram lançados vivos ao mar dia 14, mas sobreviveram por saberem nadar, acabaram recolhidos por uma nau francesa e deixados na costa da Espanha. Voltaram a Portugal e foram os informadores do martírio do Padre Pero Dias e seus companheiros. Um outro, Irmão Gaspar Gonçalves, foi vencido pelo medo, vestiu-se de grumete e meteu-se no meio aos grumetes feridos. Os franceses levaram-no e mais tarde, não tendo como curá-los e sustentá-los, lançaram-nos todos ao mar, e assim foram mortos; este irmão, porém, não se considera mártir.
Desse grupo de 12 mártires jesuítas, dois eram Padres (Pero e Francisco) e 10 eram Irmãos. Desses Irmãos, alguns eram estudantes (religiosos seminaristas que estudavam para serem padres), outros eram coadjutores (somente religiosos, não destinados à ordenação sacerdotal). (informações extraídas de LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil. p. 207-246).
Neste grupo de 12 mártires, encontram-se dois jovens alentejanos, oriundos da Arquidiocese de Évora. São eles os:
Servo de Deus Gaspar de Góis,
irmão, estudante
Nascido em Portel, no ano de 1546. Era irmão do Padre Manuel de Góis, famoso autor do Cursus Conimbricensis. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 16 anos. Já tinha concluído o curso de Artes e estudava Teologia quando se ofereceu para a missão no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado sacerdote; na nau do Governador ensinava a doutrina e pregava. Foi morto à espada e lançado ao mar no dia 13 de Setembro. Recebeu a palma do martírio com 25 anos de idade.
Servo de Deus Afonso Fernandes, irmão, estudante
Nasceu em Viana do Alentejo, em 1548. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 19 anos. Quando pediu para ir ao Brasil, já era teólogo. Muito talentoso, concluíra o curso de Artes com brilhantismo e ia destinado a ensinar Filosofia no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado. Foi lançado vivo ao mar no dia 14 de Setembro. Tinha 23 anos de idade, quando por amor a Cristo, foi martirizado.
Os restantes mártires são:
Servo de Deus Pero Dias, padre. Natural de Arruda dos Vinhos.
Servo de Deus Francisco de Castro, padre.Natural de Montemolin, Espanha.
Servo de Deus Pero Dias, irmão, estudante.Natural de Souto.
Servo de Deus João Álvares, irmão, estudante. Natural de Estreito, próximo a Castelo Branco.
Servo de Deus André Pais, irmão, estudante. Natural do Porto.
Servo de Deus Fernão Álvares, irmão, coadjutor. Natural de Viseu.
Servo de Deus Miguel Aragonés, irmão, estudante. Natural de Guizona, na Catalunha, Espanha.
Servo de Deus Francisco Paulo,
irmão. Recebido em Portugal pelo Beato Inácio de Azevedo para ir para o Brasil como noviço. O registro de entrada na Companhia, com mais informações, perdeu-se na nau do martírio.
Servo de Deus Diogo de Carvalho, irmão, coadjutor. Natural de Tondela, Viseu.
Servo de Deus Pero Fernandes,
irmão coadjutor, Português. Seu registro, com mais informações, também perdeu-se em alguma das duas naus onde estavam os mártires.
(Fonte: cf. Santos do Brazil.org)