"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
Bispo e fundador
da Congregação das Irmãs Servas da Santa Igreja
Nasceu na freguesia de Olaia, concelho de Torres Novas, em 13 de Dezembro de 1876. Depois de frequentar o Seminário de Santarém e se haver doutorado na Universidade de Santo Apolinário, em Roma, foi ordenado de presbítero a 27 de Maio de 1899.
Nomeado vice-reitor do Seminário da Guarda em 1905, foi depois designado Bispo de Portalegre a 9 de Dezembro de 1915 e, finalmente, Arcebispo Metropolitano de Évora, tendo entrado solenemente na sua Sé Metropolitana no dia 11 de Fevereiro de 1921.
Após uma vida de incansável apostolado e tendo deixado a Arquidiocese provida de Seminários (foi o fundador do Seminário Menor de São José de Vila Viçosa), de Casas Religiosas (entre outras, conseguiu a fundação do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, da Ordem Contemplativa da Imaculada Conceição, fundada pela alentejana Santa Beatriz da Silva); do semanário "A Defesa" e a Gráfica Eborense; de centros de actividade espiritual e apostólica; e tendo fundado a Congregação diocesana das Irmãs Servas da Santa Igreja, para auxiliar os Párocos na evangelização e, especialmente, nas missões, faleceu santamente no dia 30 de Março de 1955, repousando os seus restos mortais nos claustros da Sé de Évora.
A 1 de Dezembro de 1971, a Santa Sé autorizou a abertura do Processo Diocesano para a sua Beatificação e canonização.
D. Manuel Mendes da Conceição Santos era grande devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus, e trouxe a primeira imagem que houve em Portugal, da então Beata, para a Sé de Évora.
Foi director espiritual de várias figuras de relevo, hoje com os processos de Beatificação e Canonização introduzidos, entre eles contam-se a Serva de Deus Madre Luísa Andaluz (Fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima) e da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira ou da Santíssima Trindade (Fundadora das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres).
Benzeu a 1ª Pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e coroou a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
Cf. JOSÉ LEITE S.J. (organização), “Santos de Cada Dia - III Setembro.Outubro.Novembro.Dezembro”, Editorial AO, Braga, 3ª edição, 1987, pg. 527)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Serva de Deus
Maria Isabel da Santíssima Trindade,
religiosa e fundadora
da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres

Maria Isabel Picão Caldeira nasceu a 1 de Fevereiro de 1889, no Monte do Torrão, freguesia de Santa Eulália (Alentejo), a poucos quilómetros de Elvas, tendo sido sendo baptizada um mês depois, a 3 de Março.
Seus pais, Miguel Caldeira e Dª Francisca da Silva Picão Caldeira lavradores abastados, deram-lhe uma educação esmerada, consentindo mesmo, que frequentasse a Escola de Belas-Artes em Lisboa. A 20 de Março de 1912, com 23 anos de idade, casou com o primo, João Pires Carneiro e foi viver para o Monte de São Domingos, na freguesia de São Vicente, também muito perto da cidade de Elvas. Após alguns anos de felicidade conjugal, o marido contraiu uma doença grave vindo a falecer no dia 17 de Junho de 1922 e Maria Isabel sofre o maior desgosto da sua vida.
Viuva e sem filhos, durante onze anos entregou-se às obras de apostolado na sua terra natal. Apesar desta sua doação aos outros, começou a sentir o apelo de Deus a uma Consagração Religiosa. A 8 de Setembro de 1934, entra nas Dominicanas de Clausura em Azurara onde permaneceu apenas sete meses, por falta de saúde.
O Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, Arcebispo de Évora, sabendo do seu regresso, convida-a a tomar conta da Casa de Retiros, em Elvas, a 20 de Março de 1936, iniciando aí uma vasta acção apostólica de serviço aos Pobres, gastando para isso os seus bens patrimoniais.
Sob a protecção de Maria Imaculada e inspirada em Santa Beatriz da Silva, com muitos sacrifícios e contrariedades, funda a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres. A Obra estendeu-se por várias Dioceses de Portugal. Após um arduo caminho, a 5 de Julho de 1955,o Papa Pio XII, concede-lhe a aprovação.
Faleceu a 3 de Julho de 1962, em Elvas, depois de uma vida toda voltada para os outros, sobretudo os mais Pobres. Foi sepultada em Santa Eulália em jazigo de família. Os seus restos mortais foram transladados para a Casa-Mãe da Congregação, em Elvas, no dia 20 de Dezembro de 1980, onde se encontram actualmente.
Sendo rica, fez-se pobre para privilegiar os Pobres. Eram a sua grande paixão, a razão de ser da sua Obra. Com um coração grande, que parecia querer abarcar tudo e todos, arriscou os bens e a vida. Sofreu a doença, as contrariedades, a solidão, a calúnia e a incompreensão. No meio de tantas provações, manteve-se fiel àquilo que julgava ser a Vontade de Deus.
Está introduzida a Causa de Canonização.

Aos que receberem graças por intercessão da Serva de Deus Maria Isabel da Santíssima Trindade, devem participá-lo para:
Postulação: Madre Maria Isabel do Santíssima Trindade
Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres; Rua Francisco da Silva, 9 C; 7350-272 ELVAS

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Servos de Deus
Gaspar de Góis,
Afonso Fernandes
e nove companheiros mártires
(o nome oficial da Causa de Canonização é:
Pe. Pero Dias e 11 companheiros mártires)
A causa de canonização do Padre Pero Dias e 11 Companheiros foi introduzida em Coimbra em 1628 juntamente com a causa dos Beatos Mártires do Brasil (Padre Inácio de Azevedo e 39 companheiros). Tratava-se de uma única causa, de 52 mártires. É importante ler a história do Martírio do Beato Inácio de Azevedo e seus Companheiros para poder entender esta, que é continuação e desfecho de uma das mais belas e surpreendentes páginas do martirológio da Igreja.
O martírio de Pero Dias e companheiros
A quando do embarque em Lisboa, a 5 de Junho, deste imponente grupo de missionários Jesuitas destinados ao Brasil, coube ao Servo de Deus Padre Pero Dias tomar conta de uma parte do grupo de missionários, indo na nau capitânia, do Governador do Brasil, Dom Luís Fernandes de Vasconcelos. Chegaram à ilha da Madeira em 12 de Junho. Devendo o Governador permanecer por lá algum tempo, e a nau Santiago ter de passar pelas Canárias para o desembarque de mercadorias, o Beato Padre Inácio de Azevedo e mais 39 religiosos nela reembarcaram em 30 de Junho. O Padre Pero Dias ficou na Ilha como superior dos demais, aguardando a partida das suas naus. Chegaram então as notícias do martírio dos 40 missionários Jesuitas, ocorrida em 15 de Julho de 1570! Da ilha escreve o Padre Pero Dias, em 17 de Agosto, uma carta que se tornou famosa, traduzida em diversas línguas, narrando o martírio do Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros. Chama-o "ditoso sucesso", e deseja para si igual sorte (LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil, p. 213). Após enviar alguns dos religiosos de volta a Portugal, seguiu viagem rumo ao Brasil. O Padre Pero Dias e o grupo maior de jesuítas seguiam na nau capitânia, enquanto que o Padre Francisco de Castro e mais alguns irmãos na nau dos Órfãos. Chegaram a avistar a costa brasileira, mas Deus destinava-os a outro lugar! Os ventos e temporais os impediram de dobrar o cabo de Santo Agostinho, e os arrastaram para as Antilhas. Parte da armada foi parar à Ilha de São Domingos, Haiti, e parte à Ilha de Cuba. Quando o Padre Pero Dias chegou à Ilha Terceira, nos Açores, lá reencontrou o Padre Francisco e mais três irmãos, que já haviam chegado noutro galeão. Reunido novamente o grupo, os 15 jesuítas voltaram a empreender viagem rumo ao Brasil. Somente um não pode acompanhá-los, o Irmão Antônio Leão, que estava doente.
Mas (como tinha acontecido no ano anterior com o grupo do Padre Inácio de Azevedo), perto das Canárias, a 13 de Setembro de 1571, a nau do Governador foi atacada por uma armada de corsários, quatro naus francesas e uma inglesa, comandados por Capdeville! Uma coincidência: a nau capitânia era o mesmo galeão com que Jacques Sore tomara a nau Santiago no ano anterior! No combate inicial sucumbiu como herói o próprio Governador, Dom Luís de Vasconcelos. Os jesuítas foram atacados pelos hereges como os outros um ano antes, por serem missionários católicos: 5 foram mortos no mesmo dia, e no dia seguinte, 14 de Setembro, outros 7. São o segundo grupo de 12 mártires.
Dois escaparam, Irmão Diogo Fernandes e Irmão Bastião Lopes, que foram lançados vivos ao mar dia 14, mas sobreviveram por saberem nadar, acabaram recolhidos por uma nau francesa e deixados na costa da Espanha. Voltaram a Portugal e foram os informadores do martírio do Padre Pero Dias e seus companheiros. Um outro, Irmão Gaspar Gonçalves, foi vencido pelo medo, vestiu-se de grumete e meteu-se no meio aos grumetes feridos. Os franceses levaram-no e mais tarde, não tendo como curá-los e sustentá-los, lançaram-nos todos ao mar, e assim foram mortos; este irmão, porém, não se considera mártir.
Desse grupo de 12 mártires jesuítas, dois eram Padres (Pero e Francisco) e 10 eram Irmãos. Desses Irmãos, alguns eram estudantes (religiosos seminaristas que estudavam para serem padres), outros eram coadjutores (somente religiosos, não destinados à ordenação sacerdotal). (informações extraídas de LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil. p. 207-246).
Neste grupo de 12 mártires, encontram-se dois jovens alentejanos, oriundos da Arquidiocese de Évora. São eles os:
Servo de Deus Gaspar de Góis,
irmão, estudante
Nascido em Portel, no ano de 1546. Era irmão do Padre Manuel de Góis, famoso autor do Cursus Conimbricensis. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 16 anos. Já tinha concluído o curso de Artes e estudava Teologia quando se ofereceu para a missão no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado sacerdote; na nau do Governador ensinava a doutrina e pregava. Foi morto à espada e lançado ao mar no dia 13 de Setembro. Recebeu a palma do martírio com 25 anos de idade.
Servo de Deus Afonso Fernandes, irmão, estudante
Nasceu em Viana do Alentejo, em 1548. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 19 anos. Quando pediu para ir ao Brasil, já era teólogo. Muito talentoso, concluíra o curso de Artes com brilhantismo e ia destinado a ensinar Filosofia no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado. Foi lançado vivo ao mar no dia 14 de Setembro. Tinha 23 anos de idade, quando por amor a Cristo, foi martirizado.
Os restantes mártires são:
Servo de Deus Pero Dias, padre. Natural de Arruda dos Vinhos.
Servo de Deus Francisco de Castro, padre.Natural de Montemolin, Espanha.
Servo de Deus Pero Dias, irmão, estudante.Natural de Souto.
Servo de Deus João Álvares, irmão, estudante. Natural de Estreito, próximo a Castelo Branco.
Servo de Deus André Pais, irmão, estudante. Natural do Porto.
Servo de Deus Fernão Álvares, irmão, coadjutor. Natural de Viseu.
Servo de Deus Miguel Aragonés, irmão, estudante. Natural de Guizona, na Catalunha, Espanha.
Servo de Deus Francisco Paulo,
irmão. Recebido em Portugal pelo Beato Inácio de Azevedo para ir para o Brasil como noviço. O registro de entrada na Companhia, com mais informações, perdeu-se na nau do martírio.
Servo de Deus Diogo de Carvalho, irmão, coadjutor. Natural de Tondela, Viseu.
Servo de Deus Pero Fernandes,
irmão coadjutor, Português. Seu registro, com mais informações, também perdeu-se em alguma das duas naus onde estavam os mártires.
(Fonte: cf. Santos do Brazil.org)