"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu."
(Mt 5, 16)

São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,

que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,

outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

…recorrei à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e às suas preciosas Chagas e sentireis grande consolação. Reparai em toda a sua vida: o que foi senão trabalhos, para nos dar o exemplo? De dia pregava e de noite orava (Mt 14, 23; Lc 6, 12; 1 Pd 2, 21). E nós, pobres pecadores e vermezinhos da terra, para que queremos descanso ou riqueza? Pois, ainda que fosse nosso o mundo inteiro, em nada seríamos melhores e nunca estaríamos contentes por mais que tivéssemos (Imit L3 16, 1-2). Contente só poderá estar aquele que, desprezando todas as coisas, ama a Jesus Cristo (Mt 19, 21). Dai tudo pelo tudo que é Jesus Cristo, … dizei que mais quereis a Jesus Cristo do que a todo o mundo (1 Cor 16, 22; Imit L2 7, 1), que confiais sempre n'Ele e que por Ele a todos quereis, para que se salvem.
1ª Carta de São João de Deus à Duquesa de Sesa

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pensamentos sobre a Oração
"Sem a oração
não posso chegar ao Amor".

* * *
"... na oração vocal
quero avivar frequentemente
a ideia de que estou a falar com Deus".

Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos

segunda-feira, 9 de março de 2009

Óptimo jejum quaresmal:
União com Deus
Procure compensar o jejum esforçando-se por santificar a quaresma por meio duma união mais intima com Deus; não pense porém que essa união consiste em sentir consolação interior, em gozar da presença amorosa do Senhor, em não ter tentações; tudo isto são graças que Deus pode conceder é certo, mas que muitas vezes recusa às almas que o amam. Essa união consiste num desejo sincero de fazer a Vontade de Deus, no abandono incondicional a essa vontade e na aceitação filial do que Ele quiser mandar. Saiba contrariar de vez em quando a sua vontade e aceitar com amor as contrariedades. Assim, mesmo sem jejuar, fará uma bela quaresma. Coragem e confiança!
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
(in Coragem e Confiança (Pensamentos de orientação espiritual), Edição do Centro de Estudos D. Manuel Mendes da Conceição Santos, pgs. 110-111)

domingo, 8 de março de 2009

Carta de São João de Deus a Luís Baptista
1. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora, a Virgem Maria sempre intacta. Deus antes e acima de todas as coisas do mundo (Deut 6, 5; 11,1).
Deus vos salve, meu irmão em Jesus Cristo e meu filho muito amado, Luís Baptista.
2. Recebi uma carta vossa que me enviastes de Jaén, a qual me deu muito prazer e me causou muita satisfação; contristou-me no entanto a vossa dor de dentes, pois me penaliza todo o vosso mal e me regozijo com o vosso bem.
3. Mandais-me dizer que não encontrastes aí o que procuráveis, e por outro lado dizeis-me que quereis ir a Valença ou não sei aonde. Não sei o que vos diga.
4. É tão urgente que vos envie esta carta que a estou a escrever à pressa e quase nem tenho tempo de encomendar o assunto a Deus; no entanto é necessário encomendá-lo muito a Nosso Senhor Jesus Cristo e com mais vagar do que tenho agora.
5. Vendo eu como sois muitas vezes tão fraco, particularmente no que respeita a mulheres, não sei que vos diga sobre mandar-vos vir para aqui; mesmo o Pedro não se foi embora, nem sei quando o fará; ele diz que quer ir, mas não sei ao certo quando será a partida.
6. Se eu tivesse a certeza de que aqui aproveitaríeis para a vossa alma e para a de todos, mandar-vos-ia vir imediatamente; mas tenho medo que se dê o contrário. Parece-me que por agora seria melhor sujeitar-vos durante algum tempo a uma vida austera, até poderdes vir bem acostumado a trabalhos e dias de grandes reveses e a outros mais bem sucedidos. Por outro lado, parece-me que, se nessa viagem vos haveis de ir perder, seria muito melhor que voltásseis. Mas nisto só Deus é que sabe o que é melhor e mais acertado.
7. Por isso me parece conveniente que, antes de deixar essa cidade, encomendeis muito o caso a Nosso Senhor Jesus Cristo e eu também aqui faça o mesmo. Para isso, escrevei-me muito a miúdo e pedi informações aos peregrinos que vão de um lado para o outro, e eles vos dirão como está essa terra de Valença. Se lá fordes, não deixeis de visitar o santo corpo de S. Vicente Ferrer.
8. Parece-me que andais como barco sem remos (Imitação de Cristo L1 13, 5), de modo que muitas vezes me deixais também na dúvida e como que desorientado, pois ambos, eu e vós, ficamos sem saber o que fazer. Mas como Deus é quem tudo sabe e pode remediar, Ele nos dê remédio e entendimento a todos.
9. Ora, como a mim me parece que andais como pedra movediça, será conveniente que procureis mortificar um pouco a vossa carne, levando vida difícil, com fome e sede, humilhações e cansaços, angústias, trabalhos e contrariedades. Tudo isto o deveis sofrer por Deus, pois, se para cá vierdes, tereis de passar tudo isto por amor de Deus, e por tudo lhe haveis de dar muitas graças, tanto pelo bem como pelo mal (Ecli 11, 14; 1Tes 5, 18).
10. Lembrai-vos de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua bendita Paixão pois retribuía com o bem o mal que Lhe faziam.
Assim haveis de fazer vós, meu filho Baptista, para que, se vierdes para a casa de Deus, saibais conhecer o mal e o bem.
Mas se vós de todo em todo soubésseis que com essa ida vos havíeis de perder, mais valeria voltar para aqui ou para Sevilha, para onde Nosso Senhor mais vos guiasse.
11. Mas se vierdes para aqui, haveis de obedecer muito e trabalhar muito mais do que tendes trabalhado, e tudo em coisas de Deus, e desvelar-vos no serviço dos pobres.
A casa está aberta para vós. Queria ver-vos chegar o melhor possível, como filho e irmão.
12. É natural que me não compreendais bem nesta carta porque estou com muita pressa e não vos posso escrever mais longamente; mesmo não sei se o Senhor será servido que venhais já para esta casa ou se quererá que continueis a padecer por aí. Mas lembrai-vos de que, se vierdes, haveis de vir de verdade e vos haveis de guardar muito das mulheres (1Cor 7, 1) como do diabo.
13. Vai-se aproximando o tempo de escolherdes um estado de vida. Se vierdes para aqui, tendes de oferecer algum fruto a Deus e haveis de deixara pele e as correias. Lembrai-vos de S. Bartolomeu, a quem esfolaram e levou a pele às costas. Se para cá vierdes, não há-de ser senão para trabalhar e não para folgar (Imit L1 17, 3), pois ao filho mais querido é que se confiam os trabalhos mais difíceis.
14. Quanto a virdes para aqui, fazei o que vos parecer melhor e Deus vos inspirar. Se por agora achardes melhor correr mundo, em busca de alguma acção em que melhor sirvais a Deus, falei tudo como Ele quiser e for servido, à semelhança daqueles que demandam as Índias à procura de fortuna. Mas fazei-o de modo que sempre me possais escrever de onde quer que vos encontreis.
15. Todos os dias da vossa vida tende Deus diante dos olhos (Deut 6, 5; 11, 1; Tob 4,5); ouvi sempre Missa inteira; confessai-vos com frequência, se for possível; não durmais nenhuma noite em pecado mortal.
Amai a Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todas as coisas do mundo (1Cor 16, 22), pois, por muito que O ameis, muito mais vos ama Ele. Tende sempre caridade (Col 3, 14; 1Jo 4, 16), porque onde não há caridade não há Deus, embora Ele esteja em todo o lugar.
16. Logo que possa, irei apresentar a Lebrija os vossos cumprimentos. Já entreguei a vossa carta ao Baptista que está na cadeia; ficou muito contente com ela. Eu disse-lhe que escrevesse logo a resposta, para vos mandar a carta. Agora vou ver se já a escreveu, para eu vo-la mandar.
Aceitai recomendações de todos. Apresentei os vossos cumprimentos a todos, grandes e pequenos, à Ortiza e ao Miguel. O Pedro diz que, se vierdes, ficareis com ele até se ir embora, e igualmente se voltar outra vez.
17. Nada mais tenho a dizer-vos, a não ser que Deus vos salve, vos guarde e encaminhe no seu santo serviço, a vós e a todas as pessoas do mundo.
Termino a carta mas não as orações que dirijo a Deus por vós e por todos (1Tim 2, 1-4). Devo dizer-vos que me tenho dado muito bem com o Rosário e que espero em Deus rezá-lo quantas vezes puder e Deus quiser.
18. Já vos disse que, se virdes que vos haveis de perder com essa viagem, façais o que vos parecer melhor.
Antes de partir dessa cidade, mandai dizer algumas Missas ao Espírito Santo e aos Santos Reis, se tiverdes com quê; se não, basta a boa vontade; e se nem isso bastar, baste a graça de Deus (2Cor, 12, 9).
19. O irmão menor de todos, João de Deus, se Deus quiser, morrendo, mas entretanto calando e em Deus esperando, escravo de Nosso Senhor Jesus Cristo, desejoso de O servir. Amém Jesus.
Embora não seja tão bom escravo como outros, pois muitas vezes sou velhaco para com Ele e muitas vezes Lhe sou traidor, ainda que muito me pese disso e muito mais me devesse pesar, que Deus me queira perdoar a mim e a todos queira salvar.
20. Escrevei-me a dizer tudo o que se passar convosco por aí. Mando-vos dentro desta uma carta que me enviaram para eu vos entregar. Não a quis abrir para vos ser leal. Não sei se é para vós, se para o Baptista da cadeia. Se for para o da cadeia, lede-a e mandai-ma para lhe ser entregue. Se o Baptista já tiver escrito a sua carta, irá com estas duas. Agora ficai com Deus e andai com Deus (Gn 17, 1; Imit L2 6, 3).
Nota: O original desta carta encontra-se no Arquivo da Ordem, na Cúria Geral. Ilha Tiberina - Roma.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"Nunca deixes, Senhor,
que eu Te abandone.
Só Tu me podes encher.
Só Tu podes fazer-me feliz
e saciar a minha alma
e o meu coração
e todo o meu ser.
Que seja tua, Senhor,
cada vez mais
e para sempre!"

Irmã Maria Helena Branco ocso

sábado, 13 de dezembro de 2008

Com Amor Eterno eu te Amei...
Toda a razão de ser da minha vida está nestas palavras. Existo, vivo, porque um pensamento divino e pensamento de amor, se fixou em mim desde toda a eternidade. Deus não muda e o mesmo pensamento de amor continua a envolver-me. Como isto me confunde, mas ao mesmo tempo como isto me excita a amar quem tanto me ama, a mim, que sou um átomo vil perdido na imensidade!
Mas eu era ainda menos do que isto, era nada, e já era amado. Portentoso mistério que me revela a minha dignidade, toda resultante da misericórdia infinita do meu Deus que se curva até ao nada. E não parece que ignoro eu este amor tão misericordioso?
Meu Deus, quero acordar!
Servo de Deus
D. Manuel Mendes da Conceição Santos
(Retiro Anual de 1928 - dia 13 de Setembro - 1ª Meditação)
Hoje cumprem-se 136 anos do nascimento
do Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008



"Consumi-me de zelo
em defesa da honra
da minha Mãe Imaculada
e Ela livrou-me
de todas as tribulações".

frase atribuída a
Santa Beatriz da Silva
Imaculada Conceição
Dia 8 de Dezembro da Imaculada Conceição; Aquela que por especial privilégio foi, desde o primeiro instante da sua existência concebida e livre da culpa original, tomando-se a única bela e pura. Este júbilo, porém, não deve ficar apenas em arroubos de entusiasmo. Seria uma coisa estéril. Sabemos que as graças a serem recebidas estão em proporção de quem as recebe.
Este dia é nosso. E porque não? Não foi a nós Religiosas da Imaculada Conceição que Maria ordenou proclamar o privilégio da sua Conceição sem mancha antes de ser definido como dogma, quando disse à Beata Beatriz da Silva: «Quero que fundes uma Ordem destinada a honrar a minha Imaculada Conceição»?
Sejamos Hóstias vivas participantes da missão reparadora da Divina Hóstia. A Concepcionista, tem como talismã que a enobrece e valoriza os seus sofrimentos, seus trabalhos e as suas menores acções. Numa atmosfera de amor e imitação encontraremos uma fonte de energias para dar glória a Deus e honrar dignamente Sua Mãe Santíssima e salvar as almas. Contemplar estes sublimes modelos, copiar seus exemplos, praticar suas virtudes comungar as suas incomparáveis perfeições, sua consumada santidade. Revestida com esta armadura sobrenatural, a Concepcionista terá valor para praticar todas as virtudes com o heroísmo que pede a sua vocação de «Hóstia viva». Por sua imolação silenciosa compensará friezas, expiará crimes, alcançará perdões, acrescentando assim novas glórias à glória imensa da sua excelsa Padroeira.
Serva de Deus
madre Maria Isabel da Santíssima Trindade
“Lembrai-vos sempre – escritos-carisma-espiritualidade”, Editorial Franciscana, Braga, 1995, pgs. 73 3 74.

domingo, 7 de dezembro de 2008


"Irmãs, imitai Nossa Senhora
que é pura e Imaculada,
todos os actos da vossa vida
sejam para dar muita glória a Deus
e Sua Santíssima Mãe".
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sobre os Seminários...

A nossa Regra manda-nos rezar todos os dias pelos Seminários da Arquidiocese, mas nessa semana (refere-se à Semana dos Seminários) com toda a devoção e carinho, pedindo muito a Nosso Senhor que fizesse descer sobre eles, uma chuva de graças espirituais e materiais para poderem de lá sair muitos e santos Sacerdotes.
Serva de Deus
madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

4 de Junho de 1957
excerto de uma carta dirigida
ao Sr. D. Manuel Trindade Salgueiro, Arcebispo de Évora

sábado, 2 de agosto de 2008

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES
Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote,
suscitai na vossa Igreja,
nós vo-Lo pedimos,
uma legião de sacerdotes verdadeiramente santos,
animados do Vosso Espírito,
inflamados no Vosso Amor,

incansáveis em fazer conhecer,
amar e servir,
em todo o mundo,
o Vosso Sagrado Coração.
Que eles sejam um só com o Sumo Pontífice e com os Bispos,
assim como Vós sois um, com o Pai
e que pela sua vida sejam a luz do mundo e o sal da terra,
o caminho, a verdade e a vida.
Conservai-Ihes o vigor do corpo
para suportarem com ânimo o peso do dia;
e à alma, Senhor, à alma dos vossos eleitos
comunicai a Vossa força!
Deste modo, sempre mais robusta e mais decidida
após cada tempestade,
ela ame a todos com o vosso Amor,
sem que o coração desfaleça nunca,
nem perca a dignidade da sua vocação,
a frescura da sua pureza.
Nós Vos suplicamos
pelos méritos do Coração puríssimo de Vossa Mãe, Maria Santíssima,
os protejais, defendais e ampareis
nas horas de luta e cansaço,
a fim de permanecerem sempre no vosso Santo Amor.

(oração composta pelo

Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos,
Arcebispo de Évora)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Hóstia Santa ... Deus Vivo
"Sentimos pois que é chegada a hora de vos convidarmos
a tributar ao Rei Divino,

que tem sido tão esquecido e tão votado ao abandono,

um testemunho público e solene de vassalagem e amor.
Façamos acordar na alma alentejana a fé antiga,
façamos ressuscitar a piedade eucarística de tempos idos,
numa solene apoteose,

que será ao mesmo tempo um preito de fidelidade
e um acto de reparação,

vamos levar em triunfo,
não só pelas ruas da cidade,

mas também dentro das almas,
a Hóstia santa, que é o Deus vivo a habitar entre nós".
D. Manuel Mendes da Conceição Santos

11 de Fevereiro de 1941
convocação da Arquidiocese para o Congresso Eucarístico em Évora,
de 1 a 4 de Maio de 1941

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Súplica a Jesus Sacramentado
Meu Senhor e meu Deus!
Eu creio em Vós, adora-Vos, amo-Vos,
peço-Vos humildemente perdão das minhas grandes culpas e pecados,
perdão para as nossas famílias,
para os nossos benfeitores, amigos e inimigos,
perdão para a nossa Pátria,
perdão para todos os pecadores,
principalmente para os que estão em agonia,
perdão e alívio para as almas do purgatório,
especialmente para as da nossa maior obrigação.
E desse sacramento onde habitais,
lançai-nos a Vossa bênção paternal,
mandai-nos um raio da Vossa luz.

Ó querido Jesus, fazei que em todos os actos da nossa vida
Vos demos sempre maior glória.
Amparai-nos como Pai,
guiai-nos como Mestre,
e salvai-nos como Deus.
Serva de Deus
Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade

sábado, 8 de março de 2008

Das Cartas de São João de Deus, religioso
Cristo é fiel e tudo provê
Se consideramos atentamente a misericórdia de Deus, nunca deixaremos de fazer o bem de que formos capazes: com efeito, se damos aos pobres por amor de Deus aquilo que Ele próprio nos dá, Ele promete-nos o cêntuplo na felicidade eterna. Feliz pagamento, ditoso lucro! Quem não dará a este bendito mercador tudo o que possui, se Ele procura o nosso interesse e, com os braços abertos, insistentemente pede que nos convertamos a Ele, que choremos os nossos pecados e tenhamos caridade para com as nossas almas e para com o próximo? Porque assim como o fogo apaga a água, assim a caridade apaga o pecado.
Vêm aqui tantos pobres, que até eu me espanto como é possível sustentar a todos; mas Jesus Cristo a tudo provê e a todos alimenta. Vêm muitos pobres à casa de Deus, porque a cidade de Granada é muito fria, e mais agora que estamos no Inverno. Entre todos - doentes e sãos, gente de serviço e peregrinos - há aqui mais de cento e dez pessoas. Como esta casa é geral, recebe doentes de todos os géneros e condições: tolhidos, mancos, leprosos, mudos, dementes, paralíticos, tinhosos, alguns já muito velhos e outros muito crianças ainda, e por cima disto muitos peregrinos e viajante., que cá chegam e aqui encontram lume, água, sal e vasilhas para cozinhar os alimentos. E para tudo isto não se recebe renda especial, mas Cristo a tudo provê.
Desta maneira estou aqui muito empenhado e prisioneiro por amor de Jesus Cristo. Vendo-me tão carregado de dívidas que já mal me atrevo a sair de casa, e vendo tantos pobres, irmãos e próximos meus, sofrer para além das suas forças e serem oprimidos por tantos infortúnios no corpo ou na alma, sinto profunda tristeza por não poder socorrê-los, mas confio em Cristo, que conhece o meu coração. Por isso digo: maldito o homem que confia nos homens, e não em Cristo somente; porque dos homens hás-de ser 'separado, queiras ou não queiras; mas Cristo é fiel e permanece sempre, Cristo tudo provê. A Ele se dêem graças para sempre. Amen.
(Arq. Geral da Ordem Hospitaleira, Caderno: De las cartas..., ffº 23v-24r; 27rv; O. Marcos, Cartas y escritos de Nuestro Glorioso Padre San Juan de Dios, Madrid, 1935, pp. 18-19; 48-50) (Século XVI)