"...brilhe a vossa luz diante dos homens,
de modo que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu." (Mt 5, 16)
São vários os cristão alentejanos,
ou com profunda relação ao Alentejo,
que se deixaram transformar pela Boa Nova de Jesus Cristo
e com as suas vidas iluminaram a vida da Igreja.
Deles queremos fazer memória.
Alguns a Igreja já reconheceu como Santos,
outros estão os processos em curso,
outros ainda não foram iniciados os processos e talvez nunca venham a ser…
Não querendo antecipar-nos nem sobrepor-nos ao juízo da Santa Mãe Igreja,
queremos fazer memória destas vidas luminosas.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
monge da Ordem do Carmomemória litúrgica: 6 de Novembro
Resumo Biográfico
Nasceu a 24 de Junho de 1360, em Cernache do Bom Jardim, filho ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, que foi Prior do Priorato do Crato, dos Cavaleiros de São João de Jerusalém e de D. Iria Gonçalves de Carvalhal, dama da Infanta Dona Beatriz (filha de D. Fernando). A infância e a adolescência decorreram neste ambiente cavalheiresco e profundamente religioso que havia nestes grupos. Imbuído do ideal de Galaad, um dos cavaleiros da mesa redonda que acompanhavam o mítico Rei Artur, quis permanecer celibatário, mas, para não contrariar o seu pai, veio a casar-se com D.ª Leonor de Alvim, com quem teria três filhos e com quem teve uma vida matrimonial feliz. O casamento teve lugar a 15 de Agosto, festa da Assunção de Maria, de 1376.
Dois dos seus filhos morreram crianças e apenas a terceira, D.ª Beatriz, chegaria à idade adulta, casando-se com D. Afonso, o filho do rei D. João I.
O jovem Nuno sobressaiu rapidamente na corte. A sua nobreza de ânimo, a sua valentia, a lealdade para com o rei e o ideal de pureza que parecia ter-se traçado desde criança, chamaram à atenção quer da família real quer dos outros cortesãos.
A morte do rei D. Fernando de Portugal originou um problema dinástico. Alguns cavaleiros portugueses defendiam o direito ao trono de Beatriz, filha do rei Fernando, casada com o rei de Castela, o que provavelmente teria suposto a incorporação da coroa portuguesa no reino de Castela. Mas muitos outros cavaleiros lusitanos, entre eles Nuno, defendiam o direito ao trono de João, irmão do rei Fernando. Não demorou muito a rebentar uma guerra entre os dois reinos, provocada pelo problema da sucessão dinástica. A guerra durou vários anos, com períodos de relativa calma. Em Abril de 1384, as tropas portuguesas, ao serviço de D. João, vencem a facção rival, na batalha de Atoleiros, o que originou, a subida ao trono de João I. Um ano mais tarde, no dia 14 de Agosto de 1385, as tropas comandadas por Nuno Álvares Pereira derrotaram os seguidores do rei de Castela, na memorável batalha de Aljubarrota, e, pouco depois, em Valverde, o que fez com que Nuno ganhasse uma grande fama como herói nacional. A paz definitiva seria assinada em 1411.
Mas, pouco mais tarde, a desgraça abateu-se sobre o Condestável. Em 1387, morre a sua esposa, D.ª Leonor de Alvim, que residia no Porto com a filha dos dois. Depois, o ainda jovem Nuno negou-se a contrair novo casamento. A vida de piedade e penitência acentua-se sobremaneira e o Condestável, herói de tantas batalhas, famoso guerreiro ao serviço do rei, vai, a pouco e pouco, adquirindo a reputação de homem piedoso e santo.
À sua intervenção decisiva se deve a construção de Igrejas e Conventos por todo o Portugal, destacam-se o Santuário Nacional de Nª Srª da Conceição de Vila Viçosa e o Convento e Igreja dos carmelitas, em Lisboa. As obras duraram mais de oito anos. Os carmelitas, vindos do convento de Moura, instalaram-se no “Carmo” de Lisboa no dia 15 de Agosto de 1397.
Em 1415, Nuno viria ainda a ter tempo de participar numa nova campanha portuguesa, desta vez para além do estreito de Gibraltar, em Ceuta, comandando e contribuindo com a sua experiência militar na expedição portuguesa que se dirigia para o referido lugar do Norte de África. Nuno, com 55 anos, sentia-se já cansado. Pouco depois aconteceu a morte da sua filha, o que provavelmente acelerou a sua decisão de se afastar do mundo e de ter uma vida totalmente entregue à penitência, à piedade e à oração.
Em Agosto de 1423, o Condestável, decide, ingressar na Ordem do Carmo, e levar uma vida de total penitência e austeridade, como irmão donato. No dia 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora e data à que parece que a vida de Nuno estava intimamente ligada, vestiu o hábito Carmelita, tomando o nome de frei Nuno de Stª Maria. Apesar das pressões de toda a ordem, recusou privilégios ou mitigações da austeridade conventual. Por intervenção de D. Duarte, filho de João I, convenceu-se, ao menos, que não fosse para um convento longínquo, como era seu desejo e ficou no Convento de Lisboa que mandara construir. O mesmo príncipe conseguiu que Nuno renunciasse ao desejo de mendigar para o convento pelas ruas de Lisboa, como faziam os irmãos donatos.
Sempre recusou ser chamado doutra maneira que não “Frei Nuno de Stª Maria”, recusando qualquer tipo de título de nobreza. Mais ainda, quando o príncipe D. Duarte quis que conservasse o título de Condestável, Nuno respondeu com humildade, mas com firmeza: “o Condestável morreu e está enterrado num santuário…” Depois de oito anos de vida de penitência e de grande austeridade, Frei Nuno de Stª Maria morreu em Lisboa, no dia 1 de Abril de 1431. O seu funeral constituiu uma enorme manifestação de dor, quer por parte da nobreza e da família real, quer por parte dos carmelitas e de tantos devotos, que viram nele um modelo de penitência, de humildade e de desprezo das galas e honras deste mundo.
cf. Site Oficial da Canonização de Nuno de Santa Maria
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
irmão de Santa Beatriz da Silva
Foi o quinto de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, Branca, Guiomar, Santa Beatriz (fundadora da Ordem da Imaculada Conceição ou Monjas Concepcionistas), Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Nasceu por volta de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde os pais moravam nesta data.
Casou aos dezoito anos com uma donzela, com quem não chegou a coabitar. Pelos vinte anos, participou da Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos, tentando depois seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, segundo os seus biógrafos, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Nas biografias populares, generalizou-se a fantasia da sua paixão pela infanta dona Leonor, a bela irmã do rei dom Afonso V, futura mulher do sacro imperador dos romanos, Frederico III da Alemanha, em cujo séquito teria chegado a Itália, depois de partir de Lisboa, por mar, no dia 11 de Novembro de 1451. Mas, pelo contrário, João de Meneses saiu do Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, com carta do prior Gonçalo de Illescas, passada em 11 de Dezembro de 1452, dirigindo-se a Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou por Avinhão, Génova e Florença. Os seus milagres foram conhecidos por toda a Itália, onde tomou o nome de frei Amadeu Hispano, numa referência bastante lata à Hispânia, a região ibérica da sua origem. Em Perusa, frei Ângelo, o ministro-geral da Ordem, negou-lhe audiência.
Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Sofreu perseguições por três anos, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral, que o recebeu em profissão. A sua piedade e devoção configuraram a imagem de um santo vivo, que, apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou muitos devotos, atraídos pelos seus inúmeros milagres. A sua fama chegou a uma sobrinha do papa Nicolau V, que foi uma dos miraculados. As peregrinações aos muros do Convento irritaram ainda mais os frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, muitas humilhações e dificuldades. Enviaram-no depois a Roma, ao papa Calisto III, sob influência de alguns frades que viviam na corte, de modo a obriga-lo a regressar à Península Ibérica.
Foi no Convento de São Francisco de Oreno que, desistindo da sua vocação eremítica, começou a dirigir-se às multidões e chegou a aceitar a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na festa da Anunciação, 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre grandes magnatas. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que hoje se conservam.
A 15 de Maio de 1452, teve uma audiência com o duque de Milão, ao que parece para pedir apoio para fundar um convento. Consta que a duquesa de Milão alcançara uma bula do papa Pio II para fundar um convento franciscano em Castiglione, na diocese de Cremona. Passaria a chamar-se Stª Maria de Castigliori (que mudou depois o titulo para Santa Maria de Guadalupe, por insistência de frei Amadeu, que era muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe).
Eleito papa com o nome de Sisto IV, o cardeal que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco, concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros sob a jurisdição do ministro-geral, que desejassem segui-lo; e aceitar mais seis conventos, além dos que já possuía. O primeiro seria, ao que parece, o de Stª Maria da Paz de Castiglione, província de Alessandria e diocese de Cortona. Seguiram-se os de Lodi, chamado também de Stª Maria das Graças, na província de Milão; e o de Stª Maria das Graças de Cremona. A 18 de Junho de 1472, o papa concedeu-lhe o Mosteiro de São Pedro in Montório, onde, segundo a tradição, São Pedro fora martirizado. Os monges de São Clemente de Urbe, da Ordem de Santo Ambrósio, sob o pretexto de que o lugar estava sob a sua jurisdição, moveram-lhe uma causa. O pontífice defendeu frei Amadeu, confirmando a doação, a 8 de Março de 1481. A 20 de Junho de 1478, o papa Sisto IV concedeu a Raimundo Orsini e a sua mulher, senhores de grandes domínios na diocese de Sabina, faculdade para fundar nos seus territórios um convento para frei Amadeu e seus discípulos, em atenção aos moradores de Scandriglia, Monte Librete e Nerula e castelos de Ponticelli e Montório. O convento foi erguido nos arredores de Ponticelli, dedicado a Stª Maria das Graças e, em 1479, começou a vida comunitária. Passando por Piacenza, dirigindo-se a Lombardia, frei Amadeu recebeu também o Convento de São Bernardino, por doação do terceiro franciscano Tiago de Guarnis.
Na época em que viveu frei Amadeu, ainda não havia a separação entre franciscanos observantes e franciscanos conventuais. No entanto, estes últimos já viviam separadamente, obedecendo a vigários-gerais confirmados pelo ministro-geral da Ordem de São Francisco. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco. Os papas referiam-no da Observância. A fundação da congregação de amadeitas dava-o como seu custódio, fora da sujeição ao vigário-geral. O papa Paulo II, ao conceder-lhe três conventos, concederia também que, após a sua morte, os seus discípulos pudessem eleger custódio. Isto é: frei Amadeu era, em vida, uma espécie de vigário provincial da Observância. Os frades observantes começaram então a mostrar desagrado para com os amadeitas, considerando desnecessária a cisão com a Observância. Colocariam em causa as virtudes de frei Amadeu, movendo-lhe grandes embargos, a começar pelo Convento de Stª Maria de Bressanoro, que tentaram arrebatar-lhe, fundamentando-se na bula de concessão, que referia a Observância. Frei Amadeu contou com a intervenção do cardeal de Bolonha, que conseguiu demover alguns cardeais defensores dos observantes. Atacaram de seguida o Convento de Stª Maria da Paz de Milão, que estava nas proximidades de um convento observante. Frei Amadeu teve de mover vários apoios políticos e religiosos, junto dos duques de Milão e na corte pontifícia, para impedir que lhe atrasassem ainda mais a construção do convento, que ainda decorria. A situação seria excessiva, ficando documentados os lamentos de frei Amadeu quanto às injúrias que recebia dos observantes. O papa Paulo II, em 1470, mandou suspender as obras, por causa da escandalosa discórdia entre os frades amadeitas e os frades observantes. A reacção dos amadeitas atingiu tal saturação que um deles chegou a gritar, do alto do púlpito, que o breve pontifício era falso.
Por esta época, fundou também a Confraria de Nª Srª da Paz, de São Sebastião, de São Roque e São Bernardino, destinada a clérigos e leigos nobres.
O papa Sisto IV, que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos, nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o já referido Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Segundo frei Mariano de Florença, biógrafo de frei Amadeu, seria numa caverna deste convento que recebia revelações do arcanjo São Gabriel. Ali terá ditado o seu livro Apocalypsis Nova..., que entregaria, à hora da morte aos seus frades, devendo ficar à guarda do custódio. A obra teve uma grande divulgação anos depois.
Finalmente, frei Amadeu desejou fazer uma visita a todos os seus frades e, ao passar pelo Convento de Stª Maria da Paz de Milão, ali morreu, a 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades.
Sucederam-se quatro séculos de culto ininterrupto, em torno da sua imagem nimbada, sobre a sepultura. Esta estava numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas, celebrando-se ali todos os anos a festa do Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. (cfr. DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989,ob. cit., pág. 241)
(Veja-se DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989, ob. cit. Vejam-se também: SEVESI, Paolo M., 1911, «B. Amadeo Menez de Sylva dei Fratri Minori. Fondatore degli Amadeiti (Vita Inedita di Fra Mariano da Firenze e Documenti Inediti», estratto da Luce e Amore, ano VIII, fasc. Nº 10, 11 e 12, Florença, Tipografia Domenicana; GALLI, Benedetto, 1923, Il B. Amedeo Menez di Silva. Frate Minore del SecoIo XV. Biografia PopoIare, Milão, Quaracchi - Tip. del Colegio S. Bonaventura; DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1985, ob. cit.; e DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 196?, ob. cit.) cf. Dr. José Félix da Silva
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Santa Isabel de PortugalRainha e Terceira Franciscana
Memória Litúrgica: 4 de Julho (MO)
Santa Isabel de Portugal nasceu em 11 de Fevereiro de 1270, em Saragoça, filha de Pedro III, rei de Aragão e da rainha Dª Constança. Recebeu seu nome em homenagem a sua tia, Santa Isabel da Hungria, canonizada anos antes, e de quem se esperava que Isabel herdasse a bondade e a santidade.
Com 12 anos incompletos (1282) casou-se com o Rei Dinis, de Portugal.
Gostava da vida interior e do trabalho silencioso. Jejuava dias sem conta através do ano, comovia-se com os que erravam, rezava pelo seu Livro de Horas, cosia e fazia bordados em companhia das damas e donzelas, e distribuía esmolas aos necessitados, sem esquecer o governo da sua casa.
Aos 20 anos nasceu D. Afonso IV, “O Bravo”, que foi a sua cruz e o grande amor da sua existência. Caso único na primeira dinastia portuguesa, a vida deste homem foi pura e não virá fora de propósito descobrir nisto a influência da mãe, e talvez um complexo de repugnância pelas inúmeras aventuras de seu pai, influenciado pelas dores que via sofrer sua mãe, meio abandonada pelo marido.
Verdadeiramente Bem-aventurada, porque construtora da paz. Em várias ocasiões fez sentir o seu poder mediador e apaziguador. E acaba por partir para o seio da Trindade, na cidade alentejana de Estremoz, em plena missão de construção da paz.
Dotava os conventos do reino com muitas esmolas, principalmente o de Santa Clara de Coimbra. Mandou construir um hospício para os pobres em Coimbra, um hospital para crianças doentes e enjeitadas em Santarém e uma casa para recolhimento e regeneração das mulheres perdidas de Coimbra. Recebia no palácio jovens pobres e alimentava-os, dando-lhes dinheiro e condições para que se casassem ou se fizessem religiosas.
O Rei Dinis adoeceu em 1324 e foi cuidado por sua esposa pessoalmente até a morte, em 7 de Janeiro de 1325. Após o enterro do marido, a Rainha Isabel fixa residência em Coimbra e pôs o véu branco e vestiu o hábito de Santa Clara, ainda que livre de votos religiosos, conservando o que era seu, como diz ela, para construir igrejas, mosteiros e hospitais.
Num quente de verão, em Junho de 1336, resolve partir para Estremoz, a fim de se encontrar com o seu filho, D. Afonso IV, rei de Portugal, em guerra com o seu neto D. Afonso IX, rei de Castela. É desaconselhada a fazer a viagem devido à longa distância, ao calor, à sua idade e à precariedade da sua saúde, mas era preciso construir a paz e Dª Isabel põe-se a caminho. Chega doente à fortaleza de Estremoz, logo lhe aparece uma pústula no braço que lhe causa febres. Junto à sua cama estava a nora, a rainha Dª Beatriz. Então viu passar uma dama com vestido branco. Nossa Senhora? É possível. Confessou-se, assistiu à Missa e com grande devoção e muitas lágrimas recebeu o Corpo de Deus.
Faleceu rezando na noite de 4 de Julho, após receber os últimos sacramentos.
Contra a vontade da corte, seu filho realiza-lhe o desejo de ser enterrada no Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.
Devido aos inúmeros milagres ocorridos após a morte de Santa Isabel, o Rei Manuel I pede-lhe a beatificação, e o Papa Leão X, em 1516, a declara Bem-aventurada, dando permissão para a celebração de sua festa na diocese de Coimbra. Em 1556, em virtude de outros milagres atribuídos à Rainha, o culto se estende por todo o reino de Portugal. Em 1560, Ana de Meneses, abadessa do Mosteiro de Santa Clara, funda a Confraria da Rainha Santa. O Papa Gregório XIII, em 1581, concede diversas graças e indulgências aos associados desta confraria. Em 1612, uma comissão vem de Roma a Coimbra para dar início ao processo de canonização da Rainha. Abriram-lhe o túmulo 276 anos após sua morte e descobriram que seu corpo estava incorrupto e exalava um aroma suave. Em 25 de Maio de 1625, festa da Santíssima Trindade, o Papa Urbano VIII canoniza a Rainha Santa Isabel de Portugal.
(Fontes: JOSÉ LEITE, S.J. (organização),"Santos de cada dia - II - Maio.Junho.Julho.Agosto", Editorial A.O., Braga, 3ª Edição, pgs.375 a379 e site: "Vidas de Santos")
Oração
Senhor nosso Deus, fonte de paz e de amor, que destes a Santa Isabel de Portugal o dom de reconciliar os homens desavindos, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de trabalhar ao serviço da paz para podermos ser chamados filhos de Deus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Irmã Maria Helena Branco ocsoViveu na cidade de Elvas, durante a adolescência, onde sua mãe era professora.
"Nunca deixes, Senhor, que eu Te abandone.
Só Tu me podes encher.
Só Tu podes fazer-me feliz
e saciar a minha alma e o meu coração
e todo o meu ser.
Que seja tua, Senhor, cada vez mais e para sempre!"
segunda-feira, 3 de março de 2008
São Gaudêncio de Évora, mártirFesta: 2 de Agosto
O servo da caridade, Beato Luís Guanella, ao construir na Suíça uma igreja, em vez doutra profanada pelos protestantes, julgava honrar São Gaudêncio de Novara, mas veio a saber mais tarde que, no antigo templo profanado, se honrava noutras eras um São Gaudêncio, jovem nobre de Évora, que viveu nos primeiros séculos do Cristianismo. E sendo perseguido por causa do zelo empregado em converter os seus e outras pessoas exilou-se, estabelecendo-se no vale de Bergalha, onde se empregou na conversão de idólatras e arianos. Atacado com armas e flechas, foi depois ferido de morte com um machado num pinhal, perto de Vicosoprano. Um papa Urbano aprovou o culto das relíquias dele, dispersas em 1551 pelos protestantes.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Frei António do Cano, viveu no século XVIII, era natural da Vila de Cano, na época sede de concelho e na actualidade freguesia do concelho de Sousel, distrito de Portalegre e arquidiocese de Évora.
Há quem afirme que o nome do mártir Canense é João e não António.
Estes são os únicos elementos que, por enquanto temos, deste ilustre e corajoso alentejano. A seu tempo e caso se justifique, publicaremos mais informações sobre este franciscano Canense.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
João foi acolhido na casa do Maioral do Conde de Oropesa e trabalhou como guardador de rebanhos. Em 1523, o seu espírito aventureiro levou-o a alistar-se no exército de Carlos V, participando, em Fuenterrabia, na guerra contra os Franceses e em 1532, em Viena, contra os turcos que ameaçavam invadir a Europa. Regressado da guerra, quis voltar às suas origens. Em Portugal, apenas encontrou um tio e, sem nada que o prendesse à terra natal, voltou para Espanha, mas desta vez para o Sul. Daí partiu para Ceuta, onde foi empregado de um fidalgo português desterrado. Foi aí também a sua primeira grande acção de generosidade: para garantir o sustento desta família, que entrou em dificuldades, foi trabalhar para a construção das muralhas de protecção da cidade.
Regressou a Espanha em 1538, ficando um tempo em Gibraltar. Reza a lenda que aí lhe apareceu um menino com uma romã (granada em castelhano) na mão e lhe disse "João, Granada será a tua cruz". João partiu para a cidade desse nome e aí viria a dar-se a grande transformação da sua vida.
Ao ouvir um sermão do Pe. João de Ávila, a 20 de Janeiro de 1539, tomou uma atitude radical contra a hipocrisia que se vivia na sociedade granadina de então. Pelas atitudes que tomou foi dado como louco e internado no Hospital Real, onde sofreu na pele os tratamentos dados na época a este tipo de pacientes.
Um sonho louco o assaltou então, fundar um Hospital, onde pudesse tratar devidamente aqueles que sofrem. Tomou como seu director espiritual o Pe. João de Ávila, e com os seus conselhos empreendeu a "louca aventura" de fundar um pequeno hospital. Percorreu as ruas de Granada ajudando e transportando os que não conseguiam valer-se sozinhos e levando-os para o seu hospital, onde, separando-os por doenças, lhes tratou das feridas "do corpo e da alma". João calcorreou as ruas da cidade proclamando o singular pregão: "Irmãos, fazei o bem a vós mesmos, dando aos pobres!".
Um episódio marcante na sua vida foi o incêndio que se deu no Hospital Real de Granada em 1549. João Cidade, com bravura, salvou muitos doentes e combateu as chamas. Toda a cidade de Granada lhe prestou reconhecimento, chamando-o já João de Deus, o Santo de Granada.
Até a sua morte foi causada pelo bem que fazia: para salvar um miúdo de se afogar no rio Genil, João atirou-se à água, contudo não conseguiu salvar a criança e apanhou uma broncopneumonia que o levaria à morte.
A 8 de Março de 1550, em diálogo com Deus, morre com fama de santidade. João de Deus foi um homem que, vivendo no seu tempo, soube ser inovador e projectar-se para o futuro. Foi, por isso, considerado o fundador do Hospital moderno, Santo, protector dos doentes, bombeiros e enfermeiros. Um homem que encontrou Deus no amor aos seus irmãos.
(Fonte: página da Ordem Hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Serva de DeusMaria Isabel da Santíssima Trindade, religiosa e fundadora
da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres
Maria Isabel Picão Caldeira nasceu a 1 de Fevereiro de 1889, no Monte do Torrão, freguesia de Santa Eulália (Alentejo), a poucos quilómetros de Elvas, tendo sido sendo baptizada um mês depois, a 3 de Março.
Seus pais, Miguel Caldeira e Dª Francisca da Silva Picão Caldeira lavradores abastados, deram-lhe uma educação esmerada, consentindo mesmo, que frequentasse a Escola de Belas-Artes em Lisboa. A 20 de Março de 1912, com 23 anos de idade, casou com o primo, João Pires Carneiro e foi viver para o Monte de São Domingos, na freguesia de São Vicente, também muito perto da cidade de Elvas. Após alguns anos de felicidade conjugal, o marido contraiu uma doença grave vindo a falecer no dia 17 de Junho de 1922 e Maria Isabel sofre o maior desgosto da sua vida.
Viuva e sem filhos, durante onze anos entregou-se às obras de apostolado na sua terra natal. Apesar desta sua doação aos outros, começou a sentir o apelo de Deus a uma Consagração Religiosa. A 8 de Setembro de 1934, entra nas Dominicanas de Clausura em Azurara onde permaneceu apenas sete meses, por falta de saúde.
O Servo de Deus D. Manuel Mendes da Conceição Santos, Arcebispo de Évora, sabendo do seu regresso, convida-a a tomar conta da Casa de Retiros, em Elvas, a 20 de Março de 1936, iniciando aí uma vasta acção apostólica de serviço aos Pobres, gastando para isso os seus bens patrimoniais.
Sob a protecção de Maria Imaculada e inspirada em Santa Beatriz da Silva, com muitos sacrifícios e contrariedades, funda a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres. A Obra estendeu-se por várias Dioceses de Portugal. Após um arduo caminho, a 5 de Julho de 1955,o Papa Pio XII, concede-lhe a aprovação.
Faleceu a 3 de Julho de 1962, em Elvas, depois de uma vida toda voltada para os outros, sobretudo os mais Pobres. Foi sepultada em Santa Eulália em jazigo de família. Os seus restos mortais foram transladados para a Casa-Mãe da Congregação, em Elvas, no dia 20 de Dezembro de 1980, onde se encontram actualmente.
Sendo rica, fez-se pobre para privilegiar os Pobres. Eram a sua grande paixão, a razão de ser da sua Obra. Com um coração grande, que parecia querer abarcar tudo e todos, arriscou os bens e a vida. Sofreu a doença, as contrariedades, a solidão, a calúnia e a incompreensão. No meio de tantas provações, manteve-se fiel àquilo que julgava ser a Vontade de Deus.
Está introduzida a Causa de Canonização.
Postulação: Madre Maria Isabel do Santíssima Trindade
Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres; Rua Francisco da Silva, 9 C; 7350-272 ELVAS
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Mártires do BrasilBeato Inácio de Azevedo
e 39 companheiros mártires
Festa: 17 de Julho
Beato Manuel Álvares, irmão, coadjutor. Filho de Jerónimo Álvares e de Joana Lopes, nasceu em Estremoz, em 1536 e entrou na Companhia de Jesus para irmão coadjutor, em Évora, em 12 de Fevereiro de 1559,com 23 anos. Era trabalhador do campo e guardava gado; contava que estava arando a terra certa vez, e sentiu o desejo de ser peregrino e nada ter por amor a Deus, fazendo parte de alguma ordem religiosa. Depois dessa inspiração de Deus, foi levado por um sacerdote à Companhia. Aprendeu a ler e pediu para ir ao Brasil. Na nau Santiago, durante o combate, gritava muito alto, animando os combatentes, para que não se deixassem vencer pelos hereges. Os inimigos retalharam-lhe o rosto com cutiladas. Mas, tendo decidido não o deitar logo ao mar, para que sofresse mais, deixaram-no sozinho, estando ainda vivo. Por fim foi lançado vivo ao mar. Na altura do martírio tinha 34 anos de idade.
Beato Francisco de Magalhães, irmão, estudante. Nascido em Alcácer do Sal, em 1549. Já estudante em Évora, entrou para a companhia com 19 anos, em 1568. Cantava admiravelmente e era dedicado colaborador de Padre Inácio; ajudava na instrução religiosa dos marinheiros. Ao ser lançado vivo ao mar, disse aos hereges: "Ah! Irmãos, Deus vos perdoe isto que fazeis". Foi martirizado com 21 anos de idade.
Beato Luís Correia, irmão, estudante. Segundo a documentação existente, sabe-se apenas que nasceu em Évora e que sofreu o martírio, sendo atirado vivo ao mar.
Beato Álvaro Mendes, irmão, estudante. Nascido em Elvas. Há uma tradição que diz que viveu (e nasceu?) na Rua do Padrão, mas não se sabe em que casa ou lugar. Era excelente cantor. Embora tenha adoecido na Ilha da Madeira, quis seguir na nau Santiago. Na nau, manteve-se sempre a ajudar a bomba, nunca se apartando dos outros. Com eles foi despido e maltratado, até serem finalmente deitados vivos ao mar.
Beato Pero Nunes, irmão, estudante. Nascido em Fronteira. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Luís Rodrigues, irmão, estudante. Nascido em Évora, em 1554. Entrou na Companhia, aos 16 anos, em 15 de Janeiro de 1570. Continuou o noviciado em Val de Rosal e na nau do martírio. Depois da morte do Padre Inácio exortava os colegas: "Irmãos, animemo-nos e ajudemo-nos do Credo, porque o sangue de Cristo não se há-de perder". Ferido a punhaladas e lançado ainda vivo ao mar. Foi martirizado com 16 anos de idade.
Beato André Gonçalves, irmão, estudante. Nasceu em Viana do Alentejo. Havia estudado na Universidade de Évora. Foi recebido pelo P. Inácio de Azevedo directamente para o Brasil. Depois de apunhalado, foi lançado ao mar.
Beato Aleixo Delgado, irmão, estudante. Nasceu em Elvas, no ano de 1555. Servia de guia a seu pai, que era cego. Conseguiu ser colocado no Colégio dos Porcionistas (ou "Convictores"), onde servia e estudava ao mesmo tempo. E aí, "foi em pouco tempo crescendo em virtudes e no estudo das letras". Encontrando lá um dia o Padre Jorge Serrão, Jesuíta, o bom menino "rogou muito que o admitisse na Companhia". Perguntou-lhe o Padre "para que queria ser da Companhia?" Respondeu que "o movia a isso o muito que desejava ser Mártir"! Passando por Évora, o Padre Inácio de Azevedo satisfez-lhe o pedido, apesar de ele ter apenas 14 anos. Mas "mostrou sempre espírito maior que a sua idade... " Cantava muito bem e era especialista em recitar o catecismo cantado. Durante a tormenta, três ou quatro dos assaltantes "tomaram ao irmão Aleixo, vendo-o pequeno, que não teria mais de 14 ou 15 anos, e arrebataram-no entre as mãos e começaram a dar-lhe mais punhaladas...". Foi lançado vivo ao mar. Foi martirizado com apenas 15 anos de idade.
Beato António Fernandes, irmão, coadjutor. Nasceu em Montemor-o-Novo. Era filho de Gaspar Fernandes e de Maria Lopes. Entrou na Companhia de Jesus, no dia 1 de Janeiro de 1570, com 18 anos de idade. Era muito bom carpinteiro, arte que aprendeu provavelmente em Lisboa. Em Val de Rosal, era o chefe da oficina de carpintaria. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Inácio de Azevedo, padre (responsável do grupo)

Natural do Porto, nascido por volta de 1526, de família importante e influente. Aos 22 anos entrou para a ordem dos Jesuítas. Foi vice-provincial de Portugal e reitor do Colégio de Braga. Destacava-se pela penitência, oração e obras de misericórdia. A grande paixão de Inácio eram as missões! Pelo seu carácter empreendedor, activo e enérgico, São Francisco de Borja, o superior de toda a Ordem, nomeou-o Visitador do Brasil. Chegou à Bahia em 24 de Agosto de 1566, juntamente com outros jesuítas. A incumbência revestiu-se de grande dinamismo e oportunas medidas de governo. Partiu para Portugal em 24 de Agosto de 1568, para conseguir reforços para o Brasil. Reuniu uma expedição de 73 religiosos, e zarparam nas três naus da frota do Governador do Brasil. A nau em que viajavam Inácio e um dos grupos foram atacados por protestantes Calvinistas que quiseram poupar os sobreviventes da luta mas gritaram contra os jesuítas: "Mata, mata, porque vão semear doutrina falsa no Brasil". Inácio foi ao encontro deles, com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, dizendo a alta voz: "Todos me sejam testemunhas como morro pela Fé católica e pela Santa Igreja Romana". Já ferido mortalmente, dizia a seus companheiros: "Não choreis, filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos, hoje, um colégio no céu".
Beato Diogo de Andrade, padre. Nasceu em Pedrógão Grande, próximo a Leiria, em 1531. Ferido na cabeça e a punhaladas, foi lançado vivo ao mar.
Beato Bento de Castro, irmão, estudante. Nasceu na Vila de Chacim, de Trás-os-Montes, em 1543, de família fidalga e rica. Foi o primeiro a ser ferido com pelouros e punhaladas e lançado ao mar ainda vivo.
Beato António Soares, irmão, estudante. Nasceu em Trancoso. Na nau Santiago ajudava os feridos e animava os combatentes. Crivado de punhaladas, foi lançado vivo ao mar.
Beato Francisco Álvares, irmão, coadjutor. Nasceu na Covilhã, em 1539. Lançado vivo ao mar.
Beato João Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Braga, em 1547. Foi lançado vivo ao mar.
Beato João Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Lisboa, em 1551. Foi lançado vivo ao mar.
Beato António Correia, irmão, estudante. Nasceu no Porto, em 1553. Maltratado pelos hereges com os punhos de uma adaga e lançado vivo ao mar.
Beato Marcos Caldeira, irmão. Nasceu em Vila da Feira, em 1547. Lançado vivo ao mar.
Beato Amaro Vaz, irmão, coadjutor. Nasceu em Benviver, distrito do Porto, em 1553. Apunhalado e atirado vivo ao mar.
Beato João Maiorga, irmão, coadjutor. Nasceu no ano de 1533, em Saint-Jean Pied-de-Port, povoado da Gasconha, pertencente à França, mas que na época do seu nascimento era da Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Alonso de Baena, irmão, coadjutor. Nasceu em Villatobas, Toledo, Espanha, no ano de 1539. Ferido e lançado ao mar vivo.
Beato Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor. Nasceu em Biscaia, Espanha. Lançado vivo ao mar.
Beato Juan de San Martín, irmão, estudante. Nasceu em Yuncos, Toledo, Espanha, em 1550. Lançado vivo ao mar.
Beato Juan de Zafra, irmão, coadjutor. Nasceu em Jerez, Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Francisco Pérez Godói, irmão, estudante. Nasceu em Torrijos, Espanha, em 1540. Era parente de Santa Teresa de Ávila. Ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.
Beato Gregório Escribano, irmão, coadjutor. Nasceu em Logroño, Espanha. Foi lançado vivo ao mar.
Beato Fernán Sanchez, irmão, estudante. Nasceu na Espanha, em Castela-a-Velha. Lançado ferido ao mar.
Beato Gonçalo Henriques, irmão, estudante. Nasceu no Porto. Lançado ao mar, não se sabe se ainda vivo ou já morto.
Beato Manuel Rodrigues, irmão, estudante. Nasceu em Alcochete. Lançado vivo ao mar.
Beato Nicolau Diniz, irmão, estudante. Nasceu em Bragança, em 1553. Lançado vivo ao mar.
Beato Diogo Mimoso, irmão, estudante. Nasceu em Nisa. Morto à lança e atirado ao mar.
Beato Brás Ribeiro, irmão, coadjutor. Nasceu em Braga, em 1546. Os hereges mataram-no com uma cutilada na cabeça enquanto estava ajoelhado rezando diante das relíquias, e lançado ao mar já morto.
Beato Gaspar Álvares, irmão. Nasceu no Porto. Foi ferido a punhaladas e lançado vivo ao mar.
Beato Manuel Fernandes, irmão, estudante. Nasceu em Celorico. Lançado vivo ao mar.
Beato Manuel Pacheco, irmão, estudante. Nasceu em Ceuta, cidade do norte de África que à época pertencia à coroa de Portugal. Foi lançado ao mar.
Beato Pedro Fontoura, irmão, coadjutor. Nasceu em Braga. Estando em oração diante das relíquias, um herege acutilou-o no rosto, cortando-lhe a língua; assim foi lançado ao mar.
Beato Simão da Costa, irmão, coadjutor. Nasceu no Porto. Foi degolado e lançado ao mar.
Beato Simão Lopes, irmão, estudante. Nasceu em Ourém. Lançado vivo ao mar.
Beato João Adauto. Natural de Entre Douro e Minho. Sobrinho do capitão da nau Santiago, não era da Companhia, embora desejasse vir a sê-lo. Em toda a viagem andava com P. Inácio de Azevedo e os demais religiosos, e durante o combate vestiu um dos hábitos religiosos que tiraram dos jesuítas. Vendo que os irmãos se deixavam matar sem resistência, consentiu no mesmo. Lançado vivo ao mar.
Servos de DeusGaspar de Góis,
Afonso Fernandes
e nove companheiros mártires
(o nome oficial da Causa de Canonização é:
Pe. Pero Dias e 11 companheiros mártires)
O martírio de Pero Dias e companheiros
A quando do embarque em Lisboa, a 5 de Junho, deste imponente grupo de missionários Jesuitas destinados ao Brasil, coube ao Servo de Deus Padre Pero Dias tomar conta de uma parte do grupo de missionários, indo na nau capitânia, do Governador do Brasil, Dom Luís Fernandes de Vasconcelos. Chegaram à ilha da Madeira em 12 de Junho. Devendo o Governador permanecer por lá algum tempo, e a nau Santiago ter de passar pelas Canárias para o desembarque de mercadorias, o Beato Padre Inácio de Azevedo e mais 39 religiosos nela reembarcaram em 30 de Junho. O Padre Pero Dias ficou na Ilha como superior dos demais, aguardando a partida das suas naus. Chegaram então as notícias do martírio dos 40 missionários Jesuitas, ocorrida em 15 de Julho de 1570! Da ilha escreve o Padre Pero Dias, em 17 de Agosto, uma carta que se tornou famosa, traduzida em diversas línguas, narrando o martírio do Beato Inácio de Azevedo e seus companheiros. Chama-o "ditoso sucesso", e deseja para si igual sorte (LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil, p. 213). Após enviar alguns dos religiosos de volta a Portugal, seguiu viagem rumo ao Brasil. O Padre Pero Dias e o grupo maior de jesuítas seguiam na nau capitânia, enquanto que o Padre Francisco de Castro e mais alguns irmãos na nau dos Órfãos. Chegaram a avistar a costa brasileira, mas Deus destinava-os a outro lugar! Os ventos e temporais os impediram de dobrar o cabo de Santo Agostinho, e os arrastaram para as Antilhas. Parte da armada foi parar à Ilha de São Domingos, Haiti, e parte à Ilha de Cuba. Quando o Padre Pero Dias chegou à Ilha Terceira, nos Açores, lá reencontrou o Padre Francisco e mais três irmãos, que já haviam chegado noutro galeão. Reunido novamente o grupo, os 15 jesuítas voltaram a empreender viagem rumo ao Brasil. Somente um não pode acompanhá-los, o Irmão Antônio Leão, que estava doente.
Mas (como tinha acontecido no ano anterior com o grupo do Padre Inácio de Azevedo), perto das Canárias, a 13 de Setembro de 1571, a nau do Governador foi atacada por uma armada de corsários, quatro naus francesas e uma inglesa, comandados por Capdeville! Uma coincidência: a nau capitânia era o mesmo galeão com que Jacques Sore tomara a nau Santiago no ano anterior! No combate inicial sucumbiu como herói o próprio Governador, Dom Luís de Vasconcelos. Os jesuítas foram atacados pelos hereges como os outros um ano antes, por serem missionários católicos: 5 foram mortos no mesmo dia, e no dia seguinte, 14 de Setembro, outros 7. São o segundo grupo de 12 mártires.
Dois escaparam, Irmão Diogo Fernandes e Irmão Bastião Lopes, que foram lançados vivos ao mar dia 14, mas sobreviveram por saberem nadar, acabaram recolhidos por uma nau francesa e deixados na costa da Espanha. Voltaram a Portugal e foram os informadores do martírio do Padre Pero Dias e seus companheiros. Um outro, Irmão Gaspar Gonçalves, foi vencido pelo medo, vestiu-se de grumete e meteu-se no meio aos grumetes feridos. Os franceses levaram-no e mais tarde, não tendo como curá-los e sustentá-los, lançaram-nos todos ao mar, e assim foram mortos; este irmão, porém, não se considera mártir.
Desse grupo de 12 mártires jesuítas, dois eram Padres (Pero e Francisco) e 10 eram Irmãos. Desses Irmãos, alguns eram estudantes (religiosos seminaristas que estudavam para serem padres), outros eram coadjutores (somente religiosos, não destinados à ordenação sacerdotal). (informações extraídas de LEITE, Serafim, Novas Páginas da História do Brasil. p. 207-246).
Neste grupo de 12 mártires, encontram-se dois jovens alentejanos, oriundos da Arquidiocese de Évora. São eles os:
Servo de Deus Gaspar de Góis, irmão, estudante
Nascido em Portel, no ano de 1546. Era irmão do Padre Manuel de Góis, famoso autor do Cursus Conimbricensis. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 16 anos. Já tinha concluído o curso de Artes e estudava Teologia quando se ofereceu para a missão no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado sacerdote; na nau do Governador ensinava a doutrina e pregava. Foi morto à espada e lançado ao mar no dia 13 de Setembro. Recebeu a palma do martírio com 25 anos de idade.
Servo de Deus Afonso Fernandes, irmão, estudante
Nasceu em Viana do Alentejo, em 1548. Entrou na Companhia de Jesus (Jesuitas) em Évora, com 19 anos. Quando pediu para ir ao Brasil, já era teólogo. Muito talentoso, concluíra o curso de Artes com brilhantismo e ia destinado a ensinar Filosofia no Brasil. Em Val de Rosal estudava Casos de Consciência para ser ordenado. Foi lançado vivo ao mar no dia 14 de Setembro. Tinha 23 anos de idade, quando por amor a Cristo, foi martirizado.
Servo de Deus Francisco de Castro, padre.Natural de Montemolin, Espanha.
Servo de Deus Pero Dias, irmão, estudante.Natural de Souto.
Servo de Deus João Álvares, irmão, estudante. Natural de Estreito, próximo a Castelo Branco.
Servo de Deus André Pais, irmão, estudante. Natural do Porto.
Servo de Deus Fernão Álvares, irmão, coadjutor. Natural de Viseu.
Servo de Deus Miguel Aragonés, irmão, estudante. Natural de Guizona, na Catalunha, Espanha.
Servo de Deus Francisco Paulo, irmão. Recebido em Portugal pelo Beato Inácio de Azevedo para ir para o Brasil como noviço. O registro de entrada na Companhia, com mais informações, perdeu-se na nau do martírio.
Servo de Deus Diogo de Carvalho, irmão, coadjutor. Natural de Tondela, Viseu.
Servo de Deus Pero Fernandes, irmão coadjutor, Português. Seu registro, com mais informações, também perdeu-se em alguma das duas naus onde estavam os mártires.
(Fonte: cf. Santos do Brazil.org)
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Santa Beatriz da Silva da Ordem da Imaculada Conceição
ou Monjas Concepcionistas
Festa: 1 de Setembro (em Portugal)
"...educada num profundo espírito
e virtudes cristãs."
De nobilíssima família portuguesa, Beatriz da Silva e Menezes, nasceu na graciosa e ensolarada vila alentejana de Campo Maior, no ano de 1437. Filha de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da já mencionada vila de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de Beatriz pertenciam à primeira nobreza e estavam ainda aparentados com a família real.
Beatriz passou a sua infância nesta nobre vila, rodeada do carinho de seus pais que a educaram num profundo espírito e virtudes cristãs.
Foi a oitava de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, João (Beato Amadeu da Silva, fundador do ramo franciscano dos frades Amadeus, hoje extinto), Branca, Guiomar, Beatriz, Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Para Beatriz decorria tranquila a vida no velho solar de Campo Maior. Totalmente entregue a Deus, tinha esquecido o mundo com toda a sua agitação, embora vivesse nele.
Mas o Senhor tinha-a criado para coisas maiores que esta vida calma, e, para isso, tinha de a fazer passar pelo crisol do sofrimento, como costuma sempre fazer com os eleitos do seu coração.
Como era costume da nobreza da época, muito cedo, Beatriz (teria 7 anos aproximadamente), deixou o lar paterno para foi para a corte portuguesa a fim de ser educada, desde a mais tenra idade, nas tradições e costumes da corte, para nela servir. Nesta altura a corte estava instalada na cidade alentejana de Évora, mas passava longas tempradas em Alcáçovas, Vila Viçosa e outras povoações alentejanas.
O Ciúme
"...procurava viver em recolhimento,
dando todo o seu amor e o maior tempo possível a Deus,
A sua beleza, graciosidade e doçura, levou muitos nobres a pretendê-la para casar, aos quais, ela negou sempre a sua mão.
Mas, o facto mais doloroso, foi causado pelo ciúme da rainha que, chegou ao cúmulo de a fechar num cofre, para que Beatriz ali morresse asfixiada. Tudo por ciúme, devido às atenções que o rei dava à jovem, que, de forma alguma, procurava atrair sobre si as atenções de quem quer que fosse, muito pelo contrário, procurava viver no recolhimento, dando assim todo o seu amor e o maior tempo possível ao Pai Eterno, o verdadeiro Senhor do seu coração.
A visão
"...a sua vocação: fundar uma Ordem
com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria".
Foi, porém, naquela prisão, que a Santa recebeu em plenitude o "Dom de Deus", e lhe foi dada a conhecer a sua futura missão, a sua vocação: a de fundar uma Ordem, com o fim de honrar a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.
Nos três dias que permaneceu naquela escura prisão, apareceu-lhe a Santíssima Virgem com o menino nos braços. Trazia vestido um hábito todo branco e escapulário da mesma cor, e a cobri-la um manto azul.
Era vontade de Deus e de Maria que, Beatriz, fundasse uma Ordem destinada a defender e honrar o Mistério da Imaculada Conceição.
"...a rainha deu-lhe licença e liberdade
para ir viver aonde mais fosse de sua vontade".
O desaparecimento da jovem dama, provoca no seu tio D. João de Menezes (que também se encontrava na corte de Tordesilhas, ao serviço de D. João II de Castela), grande preocupação, até porque ele sabia do grande ciúme que a rainha nutria por Beatriz e temia o pior.
À pergunta de D. João de Meneses a Dª Isabel, sobre o paradeiro da sobrinha, a rainha respondeu-lhe «que viesse vê-la», e levou-o ao sítio onde a deixara encerrada, certa de que, ao abrir o cofre, a encontraria morta.
«Viva a viu aparecer, e mais bela do que nunca! A rainha, pasmando do que tinha diante de si, não atinava que dizer - conta soror Catarina - e, assombrada duma coisa tão inesperada, não queria dar crédito aos seus próprios olhos, que viam o que naturalmente era impossível sucedesse».
Com este espanto, e, ao mesmo tempo, para se livrar da ocasião de voltar a criar problemas à dama Beatriz, a rainha deu-lhe licença e liberdade para ir viver aonde mais fosse de sua vontade.
Certamente que esta «experiência de encarceramento» foi, na vida de Beatriz, um marco importante que a levou a dar uma grande viragem no rumo da sua vida e a levou a abandonar a vida palaciana da corte de Tordesilhas e a retirar-se para Toledo.
Em viagem
"Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação
e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais".
É significativo, o episódio que ocorreu durante a viagem e que, todos as biógrafos da santa, são unânimes em relatar.
"Foi o caso que, no caminho para Toledo, ao passar por um monte (Beatriz), viu sair de trás dele dois religiosos da Ordem do meu Padre São Francisco, e, julgando fossem enviados da rainha a fim de a confessarem para que depois lhe fosse tirada a vida, entrou, em grande temor; e não foi muito, que assim fizesse, quem havia experimentado os arrojos do zeloso peito duma rainha. (...) Acercaram-se os religiosos, e, um deles, que por seu modo parecia português, saudando-a na sua língua materna, lhe perguntou a causa da sua aflição e pena".
Depois de saberem dos temores da nobre viajante, tranquilizaram-na os dois frades e falaram-lhe da fundação da Ordem da Imaculada Conceição. E, assim, foram conversando durante a viagem para Toledo. Mas tal como os discípulos de Emaús, também os dois frades desapareceram aos olhos de Beatriz e da sua comitiva, quando esta insistiu com eles, para que partilhassem com ela a ceia na próxima pousada.
Este encontro deixou-lhe na alma uma grande consolação e abriu-lhe o entendimento às realidades sobrenaturais e compreendeu que os seus companheiros de viagem eram Santo António de Lisboa e São Francisco de Assis.
Em São Domingos "O Real"
"Florescia em todas as virtudes, era tida por santa e obrava milagres".
No mar, o navio é presa fácil do risco dos ventos, se, porém, chegar a um calmo e tranquilo porto, já não teme calamidades, mas está seguro. Também Beatriz, enquanto se encontrou no meio dos homens, contou com tribulações, riscos e embates contra a sua sensibilidade. Mas, ao chegar ao porto do silêncio, para ela preparado, não mais teve medo, e entrega-se toda nas mãos de Deus, confiando no Seu amor sem medida.
Não fazia parte das religiosas que compunham a comunidade, mas, ali vivia como uma delas, em completa vida de clausura. Como nos canta soror Catarina: Beatriz "Florescia em todas as virtudes e comia parcamente, que era tida por santa e obrava milagres, que se distinguiu sempre por sua humildade e obediência às superioras" do dito Mosteiro de São Domingos "O Real" e a sua vida era verdadeiramente exemplar. Das rendas, que possuía, reservava uma moderada parte para o tratamento, e decência da sua pessoa, e, tudo o mais, o gastava em esmolas.
Só pela entrega total de si mesmo se entra neste caminho de perfeição e de união com Deus. Contudo, quem diz "entrega total", diz "renúncia total". Deus de todos espera o desapego completo de tudo o que não seja Ele. O mais pequeno vínculo impede a alma de levantar voo. Por isso, é urgente perder tudo, para ganhar O Tudo. É urgente entregar tudo o que temos e somos sem hesitação.
O mercador de pérolas do Evangelho, vendeu todos os seus bens para comprar a pérola mais fina que tivera a sorte de encontrar. Beatriz, por sua vez, renunciou à sua luminosa beleza, à sua posição social, à sua fortuna e à possibilidade de fazer um casamento invejável, aos olhos do mundo, para se fechar num Mosteiro, onde nem sequer era freira. Assim, sem vínculo nenhum, poderia levantar voo e voar na imensidão do amor de Deus e saciar a sua sede na fonte da Água Viva. Preparando-se desta forma, para a Obra a que fora destinada pela Imaculada.
A espera
"...mantinha-se simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava".
A nós, que vemos os acontecimentos no seu aspecto meramente exterior, sem muitas vezes, poderem apreender-se as realidades profundas que essas aparências encobrem, parecerá incompreensível esta demora tão grande em realizar planos que se sabia serem divinos. Que significavam tantos anos de aparente inacção, segundo os nossos juízos? Que fazia Beatriz da Silva e Meneses em São Domingos "O Real", onde, nem sequer era religiosa? Porque esperava?
Ora, tais circunstâncias, levam-nos a crer que ela se mantinha simplesmente à escuta do que Deus lhe ordenava. Ia-se exercitando na conquista de uma das virtudes mais difíceis de praticar quando se deseja um bem que tarde em vir; a paciência, na perfeita conformidade com a Vontade de Deus.
"Poucas vezes uma fundadora terá sido preparada tão profunda e prolongadamente para a sua missão carismática".
Quando ela atingiu o grau de perfeição na virtude requerido para empreendimento tão sublime, corria o ano de 1484, recebeu então a ordem aguardada durante trinta longos anos entre os muros de São Domingos "O Real". E logo se seguiu um período de intensa actividade, a esses longos anos vividos na obscuridade e no silêncio do claustro.
Os preparativos
"Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas,
ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava".
Dizem os biógrafos da Santa fundadora, que lhe apareceu outra vez a Mãe de Deus, tornando a mostrar-lhe como haveria de ser o hábito que trariam vestido as suas religiosas, pois, já o havia feito, a quando da visão no cofre em Tordesilhas, e, ainda, para lhe dizer que tinha chegado o tempo de pôr mãos à realização da Obra. Tinha soado a hora para a qual Beatriz da Silva orientara o curso de toda a sua vida, na qual concentrara todos os seus esforços e, para a qual, dirigira todas as suas aspirações. Urgia, agora, dedicar à realização da sua Obra todas as forças e o tempo que lhe restava viver na terra.
Com a sua admirável generosidade, passou a dar-se sem reservas, ao cumprimento da missão que Deus lhe confiava. Finalmente, o sonho que iluminara toda a sua vida, o desejo que o seu coração acalentava de espalhar pelo mundo a devoção à Imaculada Conceição, e honrar através da sua futura Ordem, este mistério tão grande e tão sublime, começava a realizar-se e a criar forma.
A fundação
"Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição".
Ajudada pela rainha Isabel "a Católica", que lhe deu os palácios chamados de Galiana, por terem outrora pertencido à princesa Galiana, filha de um rei mouro que os mandara construir propositadamente para esta sua filha, bem como a Igreja de Santa Fé, situada junto ao Palácio de Galiana. Beatriz deixa o Mosteiro de São Domingos "O Real", onde viveu 30 longos anos, para se instalar com mais doze donzelas de muita virtude e nobreza, no local que a rainha lhes oferecera. Entrou com grande alegria nessa casa tão desacomodada e, logo, deu ordens para que se fizessem as obras necessárias e conveniente para a transformar num Convento de religiosas contemplativas de clausura, começando por arranjar a Igreja. Tanto que, logo que se instalaram no seu Mosteiro de Santa Fé, e, provido este, do essencial para a vida comunitária contemplativa, ordenou a santa fundadora o modo de viver que haviam de guardar ela e suas filhas e, composta a Regra, a enviar ao Sumo Pontífice Inocêncio VIII com petição da rainha Isabel "a Católica" para que Sua Santidade aprovasse esta Ordem com o título da Imaculada Conceição, bem como a Regra, o modo de rezar e de vestir (o hábito).
Foi, por meio de um «estranho» mensageiro, que a fundadora soube que, Roma tinha expedido a Bula de aprovação da Ordem. Contudo, mais tarde, chega a notícia de que o navio que transportava a Bula de aprovação, tinha naufragado. Beatriz comunicou o facto à rainha, e só teve uma ideia: pôr-se a rezar. Ao fim de três dias, aparece a Bula num cofre do Convento. Como aconteceu este «prodígio»? A verdade é que, hoje, a dita Bula se encontra no Convento de Toledo. Inocêncio VIII tinha dito sim ao pedido de Beatriz, com o apoio da rainha Católica. Estava a Bula dirigida ao bispo de Coria e Catânia, e ao Vigário de Toledo, para «executar a Bula» em 1491. A Bula papal cita expressamente a rainha Isabel e soror Beatriz, a quem autoriza a fundar um Mosteiro de clausura. Segundo palavras de Sua Santidade: "Nos foi humildemente suplicado que se dignasse a Nossa Benignidade Apostólica erigir na referida casa um Mosteiro de Monjas, sob a invocação da Imaculada Conceição". Beatriz gozaria da dignidade de Abadessa, e a casa teria campanário, dormitório, refeitório, hortas e outras oficinas, na qual vivam as religiosas em comunidade sob a regular observância e perpétua clausura. E dá poder à Abadessa para que possa formar estatutos e ordenanças. Vestirão de branco, com manto cor (azul) celeste, e, «no manto e escapulário, tragam fixa a imagem da Virgem Maria, e se cinjam com uma corda de cânhamo, à maneira dos Frades Menores». Terão como carisma próprio o da Imaculada Conceição. A Bula «Inter Universa» está datada de 30 de Abril de 1489, quinto ano do Pontificado de Inocêncio VIII. É esta, certamente, a autorização solene, oficial e pontifícia para a Fundação.
E, finalmente, no antigo palácio, de uma princesa moura, tem o seu berço a Ordem da Imaculada Conceição, melhor dizendo, começam a escrever-se com letras de luz, silêncio e oração as glórias da Imaculada Conceição.
A passagem
"...no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito".
Seis anos passaram estas almas desejosas de uma entrega radical, à espera que lhes chegasse a aprovação de Roma. Quando esta, finalmente chega, a Obra começa a desenvolver-se em pleno. No entanto, um novo sacrifício lhes estava reservado.
Tinha já sido marcada pelo Bispo de Toledo, a festa das profissões, de Beatriz e das suas doze companheiras, quando a Santíssima Virgem de novo lhe aparece dizendo-lhe: - "Dentro de dez dias virei buscar-te porque não é vontade de Meu Filho que gozes aqui na terra o que tanto desejastes".
Duro golpe difícil de compreender, mas que Beatriz aceita com o coração em festa, como através de toda a sua vida aceitou sempre qualquer manifestação da Vontade do Pai Eterno. E nisto consistiu precisamente o segredo de toda a sua santidade, pois, só no cumprimento da vontade de Deus, reside o segredo da santificação de qualquer alma. Fora desta vontade não há santificação possível.
Efectivamente, no dia preciso em que estava marcada a festa do início da Ordem, Beatriz voou para o Céu, tendo, antes, recebido o hábito branco e azul, como a Senhora lhe tinha indicado, e feito nas mãos de um sacerdote Franciscano, a sua Profissão Religiosa. Morria assim, como uma verdadeira monja Concepcionista. A noite da sua vida passara. Tinha sido uma noite de lutas e sofrimentos em que venceu, é certo, mas que, para isso, teve de lutar denodadamente. Tudo agora findava, melhor, tudo agora começava, e morria feliz, pois, como diz o autor, "no ocaso da vida tudo passa, só Deus fica e o que por Ele tivermos feito". É que, na eternidade seremos julgados, não tanto pelo muito que fizemos ou possuímos, mas pelo muito que amámos. E Beatriz viveu uma vida intensa de amor e de entrega total a Deus.
A estrela
"...do seu rosto saiam raios de luz
e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa
e ali permaneceu até que soltou o último suspiro".
No momento da sua morte há um pormenor que não pode ser esquecido. Desde que saíra da Corte de Tordesilhas, Beatriz cobria o seu belíssimo rosto com um véu branco a fim de ocultar, aos olhos de todos, a sua grande beleza que fora causa de tantos desgostos e dissabores. E, assim, viveu os cerca de trinta anos que durou a sua vida retirada no Mosteiro de S. Domingos "O Real", e depois já no seu Mosteiro definitivo.
No momento derradeiro, ao levantarem-lhe o véu para lhe ser administrado o sacramento da Unção dos Enfermos, todos viram, com assombro, que, do seu rosto, saiam raios de luz que iluminaram todo o aposento em que se encontravam, e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até que soltou o último suspiro. E é este o motivo pelo que a imagem da santa de Campo Maior se representa com uma estrela na fronte. Esta significa, certamente, a luz que ela irradiou então e que continua, ainda hoje, a irradiar ao longo destes cinco séculos que nos separam já da sua morte, ocorrida em Toledo no dia 9 de Agosto de 1492.
Luz que brota do testemunho de vida de Beatriz, que "...toda se abandonou à vida de santidade..." e das suas filhas, que encerradas nos seus Mosteiros seguem as pisadas da sua mãe e mestra, vivendo os rigores do evangelho.
A glorificação
"...a Igreja sente necessidade e alegria
em nos dizer que Beatriz da Silva, é Santa".
Ao longo da história, Deus suscita homens e mulheres que, compreendendo o único Absoluto, foram capazes de assumir atitudes de vida que, ainda hoje, têm lições de vida e de sabedoria. A vivência do Evangelho continua a gerar verdadeiros sábios em todas as épocas, que, com os seus exemplos e palavras, possuem uma força de persuasão que não vem dos livros, mas do Espírito Santo.
Inteiramente abandonados à acção de Deus, os santos deixam-se conduzir pelo Espírito Santo por caminhos desconhecidos, até ao dom total de si mesmos. E foi o que aconteceu com Beatriz da Silva e Menezes, por isso mesmo, a Igreja sente necessidade e alegria em nos dizer que, fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, faz parte deste grupo de obras-primas da criatividade do Espírito Santo e que nunca se repetem, que são os Santos. E fá-lo oficialmente, quando o Papa Pio XI a 28 de Julho de 1926 a beatifica e a 3 de Outubro de 1976, o papa Paulo VI a canoniza.
(texto do Padre Marcelino José Moreno Caldeira)
Oração
Senhor nosso Deus, que fizestes resplandecer na virgem Santa Beatriz o altíssimo dom da contemplação e a adornastes com a singular devoção à Imaculada Conceição da Virgem Maria, concedei-nos que, seguindo o seu exemplo, busquemos na terra a verdadeira sabedoria para merecermos contemplar no Céu a glória do vosso rosto. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


